Confia em mim!... Dizia o mastodonte ao brutamontes sem saber o porquê do que estava a dizer! Mas era escusado. O mal estava feito e iria continuar a ser feito, porque qualquer deles não tinha jeito... nenhum, para acautelar o bem do outro.
Confia em mim... dizia o bruto. O que achava, saber a razão da sua existência e teimava, em não dar o braço a torcer, enquanto não lhe estivesse a doer.
Confia em mim... dizia um, a quem... o quisesse ouvir. Mas já ninguém lhe dava ouvidos... Todos os passos tinham sido perdidos em labirintos reluzentes de palácios distantes e, a noitada, ainda agora tinha começado.
Falava-se... na altura, de profecias e conjecturas de sociedades secretas, de conjuras e medos, conspirações e segredos guardados, verdades antigas... perdidas... por gente tola e descuidada.
...Só que isso... não servia de nada! A realidade, construída por todos e cada um, implacável, impunha-se forte como se fora um megálito de chumbo sem dono. Um monumento ao qual... qualquer deles, cobardemente se dobrava, esperançado em obter respostas para perguntas que não tinha... e, subserviente, pelo medo do desconhecido... preferia aquela espécie de adoração, em vez de criar outra realidade a viver a própria vida!...
Confia em mim... diziam, um ao outro, com a mão cheia de nada que de tão vazia os iludia e levava, a fecha-la com a força de brutos que eram, teimando em acreditar lá estar encerrada, uma tal maravilha... que não dava para usar ou abrir mão dela!
Este é um espaço sem meta e sem rumo estabelecido. É fruto deste tempo em que cada vez mais de nós sabem muito de pouca coisa, muitos, sabem de tudo pouco e alguns, nos dizem o que havemos de pensar.
sábado, junho 25, 2005
terça-feira, junho 21, 2005
Continuação 6
Ainda que os mecanismos sejam pouco claros, é relativamente fácil encontrar uma relação directa entre o altruísmo, a disponibilidade para contribuir para a resolução dos problemas de quem nos rodeia, a vontade em fazer os outros felizes e a nossa própria felicidade e saúde!
Esse objectivo de vida, é, justamente o contrário de um outro, estereotipado e característico de uma sociedade muito competitiva, virada para o consumo, onde se pretende subir a qualquer custo sem perder tempo, pondo desde cedo em prática, a cultura do “cada um por si”, em que se valoriza o semelhante, em função dos bens materiais que ostenta ou que presumimos conseguiu acumular! ...Quem tem muito vale muito e, quem sabe... nos poderá ajudar a vir a ter, tudo aquilo que teimamos em acreditar ser indispensável, para a nossa felicidade!...
Daí, um tipo específico de reuniões sociais á laia de festas, onde as pessoas se procuram promover buscando atalhos para o “sucesso”, em que impera a conversa superficial e artificial, onde ninguém é sincero e se joga ao faz de conta, se vive da aparência e onde os meios para atingir os fins são cada vez menos questionáveis.
Ora, isto de pensar-mos uma coisa e numa ânsia cega para atingir-mos objectivos, fazer-mos outra, baralha o implacável e preciso sistema, do organismo profundo, que necessita de um equilíbrio e não se compadece com justificações esfarrapadas e contraditórias. Uma vez esse equilíbrio perturbado, essa contradição instalada, inicia-se um processo em que se vão manifestando disfunções aos mais variados níveis! Algumas dessas disfunções, manifestam-se ao nível do sistema neurovegetativo e estarão na origem de ulceras gástricas, tiques nervosos, arritmias, insónias etc. Perturbado o equilíbrio de zonas profundas, os sintomas, podem iludir o melhor dos médicos, particularmente se este não tem tempo, para analisar o doente em profundidade. E como se compreende, raro é o indivíduo que chega ao médico e diz: - Dr., estou aqui, porque quero subir na vida e para isso, não vi outra alternativa senão “comer a minha mãe viva”! Espezinhei o meu colega, entreguei os meus filhos ao “lobos” e, agora, não sei viver com o monstro em que me tornei! É provável que, este indivíduo, se queixe de dores nos ombros, tensão muscular, dores de cabeça, arritmias, insónias, disfunção eréctil... mas, iludido e enleado na teia da luta para o “êxito”, encara o seu comportamento como natural, legitimo e, essa perspectiva é reforçada quando, cedendo à vaidade à luz dos focos do “êxito”, se sente admirado e adulado, por uma série de abutres que pululam á sua volta (gente que sofre da mesma peste), oportunistas, que vivem da vaidade dos outros. E é assim, com o égo fermentado por tanta ambição, com o peito inchado de tanta presunção, que se dirige em crise, com a altivez que lhe resta, ao seu médico, a quem a troco de dinheiro exige que lhe faça desaparecer os sintomas e grande parte das vezes, com a arrogância á flor da pele, recusa-se a investigar e corrigir causas. É um indivíduo que tem pouco tempo, tem dinheiro e paga bem para o porem “bom”, sem suspeitar que esse trabalho, só pode ser feito por ele! Assim, sai do consultório com uma receita de analgésicos, relaxantes musculares ou calmantes, anti depressivos, anti ácidos e até inibidores dos ácidos, destinados a suprimir sintomas que, se recusa a interpretar como avisos, emitidos por um organismo profundo e inteligente, para um comportamento errado que teima em não corrigir, tendo em conta os objectivos que continua a perseguir obsessivamente, aplaudido por grande parte de um mundo que corre sérios riscos de se ver obrigado a encerrar para balanço!
A felicidade está demasiado ligada aos bens materiais. Numa sociedade de consumo como aquela em que vivemos, quem se vê impedido de consumir algo mesmo que supérfluo, sente-se inferiorizado e infeliz... na maior parte dos casos com aparente razão, uma vez que a sua auto estima é enfraquecida cada vez que se sente menosprezado, preterido, impossibilitado, não convidado... claramente por, apresentar sinais exteriores de pobreza, sofrendo todas as consequências que daí advêem!... Ele é o carro que não é novo, as roupas que não são de marca, a zona onde mora que não é prestigiada, o tipo de relógio que usa e uma infinidade de coisas que estigmatizam o indivíduo ao ponto de o fazerem desejar ser, quem realmente não é e até quem, poderá não se sentir bem a ser!
Exige-se a humildade do pobre, aceita-se a arrogância do rico e isso, tem repercussões na saúde, comprometendo até, a postura corporal! ...O pobre, anda mais dobrado!...
Esse objectivo de vida, é, justamente o contrário de um outro, estereotipado e característico de uma sociedade muito competitiva, virada para o consumo, onde se pretende subir a qualquer custo sem perder tempo, pondo desde cedo em prática, a cultura do “cada um por si”, em que se valoriza o semelhante, em função dos bens materiais que ostenta ou que presumimos conseguiu acumular! ...Quem tem muito vale muito e, quem sabe... nos poderá ajudar a vir a ter, tudo aquilo que teimamos em acreditar ser indispensável, para a nossa felicidade!...
Daí, um tipo específico de reuniões sociais á laia de festas, onde as pessoas se procuram promover buscando atalhos para o “sucesso”, em que impera a conversa superficial e artificial, onde ninguém é sincero e se joga ao faz de conta, se vive da aparência e onde os meios para atingir os fins são cada vez menos questionáveis.
Ora, isto de pensar-mos uma coisa e numa ânsia cega para atingir-mos objectivos, fazer-mos outra, baralha o implacável e preciso sistema, do organismo profundo, que necessita de um equilíbrio e não se compadece com justificações esfarrapadas e contraditórias. Uma vez esse equilíbrio perturbado, essa contradição instalada, inicia-se um processo em que se vão manifestando disfunções aos mais variados níveis! Algumas dessas disfunções, manifestam-se ao nível do sistema neurovegetativo e estarão na origem de ulceras gástricas, tiques nervosos, arritmias, insónias etc. Perturbado o equilíbrio de zonas profundas, os sintomas, podem iludir o melhor dos médicos, particularmente se este não tem tempo, para analisar o doente em profundidade. E como se compreende, raro é o indivíduo que chega ao médico e diz: - Dr., estou aqui, porque quero subir na vida e para isso, não vi outra alternativa senão “comer a minha mãe viva”! Espezinhei o meu colega, entreguei os meus filhos ao “lobos” e, agora, não sei viver com o monstro em que me tornei! É provável que, este indivíduo, se queixe de dores nos ombros, tensão muscular, dores de cabeça, arritmias, insónias, disfunção eréctil... mas, iludido e enleado na teia da luta para o “êxito”, encara o seu comportamento como natural, legitimo e, essa perspectiva é reforçada quando, cedendo à vaidade à luz dos focos do “êxito”, se sente admirado e adulado, por uma série de abutres que pululam á sua volta (gente que sofre da mesma peste), oportunistas, que vivem da vaidade dos outros. E é assim, com o égo fermentado por tanta ambição, com o peito inchado de tanta presunção, que se dirige em crise, com a altivez que lhe resta, ao seu médico, a quem a troco de dinheiro exige que lhe faça desaparecer os sintomas e grande parte das vezes, com a arrogância á flor da pele, recusa-se a investigar e corrigir causas. É um indivíduo que tem pouco tempo, tem dinheiro e paga bem para o porem “bom”, sem suspeitar que esse trabalho, só pode ser feito por ele! Assim, sai do consultório com uma receita de analgésicos, relaxantes musculares ou calmantes, anti depressivos, anti ácidos e até inibidores dos ácidos, destinados a suprimir sintomas que, se recusa a interpretar como avisos, emitidos por um organismo profundo e inteligente, para um comportamento errado que teima em não corrigir, tendo em conta os objectivos que continua a perseguir obsessivamente, aplaudido por grande parte de um mundo que corre sérios riscos de se ver obrigado a encerrar para balanço!
A felicidade está demasiado ligada aos bens materiais. Numa sociedade de consumo como aquela em que vivemos, quem se vê impedido de consumir algo mesmo que supérfluo, sente-se inferiorizado e infeliz... na maior parte dos casos com aparente razão, uma vez que a sua auto estima é enfraquecida cada vez que se sente menosprezado, preterido, impossibilitado, não convidado... claramente por, apresentar sinais exteriores de pobreza, sofrendo todas as consequências que daí advêem!... Ele é o carro que não é novo, as roupas que não são de marca, a zona onde mora que não é prestigiada, o tipo de relógio que usa e uma infinidade de coisas que estigmatizam o indivíduo ao ponto de o fazerem desejar ser, quem realmente não é e até quem, poderá não se sentir bem a ser!
Exige-se a humildade do pobre, aceita-se a arrogância do rico e isso, tem repercussões na saúde, comprometendo até, a postura corporal! ...O pobre, anda mais dobrado!...
sexta-feira, junho 17, 2005
O rastilho
Estava longe a bomba! Era sempre o que se pensava e cada um achava que ela, lá tinha sido armada por alguém que não sabia o que andava a fazer! Era sempre assim! ...Quer dizer, ninguém era culpado de a lá ter posto. Agora o rastilho, esse, sabia-se bem quem o tinha acendido: fora um bando! Um bando grande e ao que se diz organizado, sabe-se lá por quem e com que fins!... O que é certo é, que esse bando agigantado, tornava o agigantar de um outro no extremo oposto, muito mais aceitável! Quer dizer... extremavam-se as posições, subiam as tensões, antigos combatentes já sem dentes vociferavam palavras de ordem que lhes tinham bailado na mente lá para as bandas do inconsciente e, até gente de bem, que teima em dizer não gostar de fazer mal a ninguém, espreitava a violência como forma de calar o medo e a insegurança! Os inocentes, gente fora de bandos, mais ligada à labuta que é ganhar honradamente o pão de cada dia, homens e mulheres de várias côres, olhavam-se de soslaio, com medo uns dos outros! Enquanto isso... gente sem rumo, saboreava a conquista do protagonismo, subia na hierarquia que estava à mão e, com o pelo na venta a crescer, o peito cheio de ar por achar estar a se afirmar... partia para aventuras que vira na televisão e tornava a fantasia realidade. O rastilho ardia. Ardia... porque se dizia, que a lei não permitia apagar o rastilho e, como se sabe, para mudar uma lei dessas, demora muito tempo, são necessárias muitas lutas, muitas batalhas de palavras, muitos pareceres e estudos especializados, muitos deputados agarrados a discussões politico filosóficas, muitas consultas à comunidade internacional, já que Portugal... gosta de tudo muito direitinho!... Era uma lei de difícil elaboração em nada comparável, com alterar leis laborais ou intruduzir novos impostos. O rastilho ardia, não se apagava. Quanto à bomba, isso então... nem pensar em desmontar. É que para isso, como sabemos, não há verba nem tomates!
quarta-feira, junho 15, 2005
Vamos lá a escrever á sorte, a escrever sem norte, a escrever sem intenção! Vamos lá a revelar o que de verdadeiro somos, a encontrar o que perdemos a oferecermo-nos uns aos outros... ou estão com medo?!
Vamos lá acreditar firme que algo em nós está certo, que o correcto é em função do agora e que o agora faz o sempre. Vamos lá andar pr'á frente, subir a montanha de problemas que é a vida, até ao topo que é o final. Vamos lá andar... ao menos! Vamos lá parar com o mal dizer sem apontar o erro e a sua solução. Vamos lá procurar em nós razões para tanto tombo tanta dôr e tanta agrura que se instalou e perdura como praga que corroi, que detrói em nós belos ânimos que podemos adivinhar a pairar num espaço, que mal conhecemos. Vamos lá a entendermo-nos (não... de uma vez por todas que já sabemos que isso... não dá), devagarinho, com a paciência de Jó ou outra qualquer... Vamos lá a acreditar que é possível e que para isso o nosso humilde desempenho é bem mais importante do que possamos ter vindo a pensar. Vamos lá, perante o escrito, o dito e feito... assumir os erros, enxotar as culpas e, fazendo um esforço, confiarmos nos passos dados, acreditando que estamos a aprender a caminhar, uns com os outros, cada vez melhor. Venha de lá essa abundância aberta e sem pretensões, esse altrúismo, essa riqueza de emoções que nos teimam em fugir, essa tolerância que te permita entender a importância de existir gente diferente e que te alimente a vontade de te descobrir em mim e aceitar, que afinal... qualquer de nós, faz parte de um todo em que o que nos separa existe, para sustentar tudo o que nos une.
Vamos lá acreditar firme que algo em nós está certo, que o correcto é em função do agora e que o agora faz o sempre. Vamos lá andar pr'á frente, subir a montanha de problemas que é a vida, até ao topo que é o final. Vamos lá andar... ao menos! Vamos lá parar com o mal dizer sem apontar o erro e a sua solução. Vamos lá procurar em nós razões para tanto tombo tanta dôr e tanta agrura que se instalou e perdura como praga que corroi, que detrói em nós belos ânimos que podemos adivinhar a pairar num espaço, que mal conhecemos. Vamos lá a entendermo-nos (não... de uma vez por todas que já sabemos que isso... não dá), devagarinho, com a paciência de Jó ou outra qualquer... Vamos lá a acreditar que é possível e que para isso o nosso humilde desempenho é bem mais importante do que possamos ter vindo a pensar. Vamos lá, perante o escrito, o dito e feito... assumir os erros, enxotar as culpas e, fazendo um esforço, confiarmos nos passos dados, acreditando que estamos a aprender a caminhar, uns com os outros, cada vez melhor. Venha de lá essa abundância aberta e sem pretensões, esse altrúismo, essa riqueza de emoções que nos teimam em fugir, essa tolerância que te permita entender a importância de existir gente diferente e que te alimente a vontade de te descobrir em mim e aceitar, que afinal... qualquer de nós, faz parte de um todo em que o que nos separa existe, para sustentar tudo o que nos une.
terça-feira, junho 14, 2005
Convicção
Eu não me enquadro em nenhum partido político. Se alguns acham que é uma posição confortável é porque não me têm estado na pele e sentido o que é, defender hoje quem ataquei ontem, em favor da coerência que me tem levado a recusar usar, um carimbo na testa. Na realidade, o fanatismo chateia-me e, a minha ideologia, passa mais pela tolerância, se bem que se tenha vindo a revelar uma enorme utopia, de difícil mas estimulante, gestão!
Posto isto, não quero deixar passar em branco, a morte de três homens que (cada um à sua maneira) aceitaram o protagonismo, apostados em dominar as suas vaidades, acreditando estar a contribuir para que o mundo seja melhor. Se não o conseguiram, não foi por falta de empenho ou de sacrifício do seus interesses pessoais. À sua maneira tentaram contribuir... e isso, para mim, faz a diferença.
Posto isto, não quero deixar passar em branco, a morte de três homens que (cada um à sua maneira) aceitaram o protagonismo, apostados em dominar as suas vaidades, acreditando estar a contribuir para que o mundo seja melhor. Se não o conseguiram, não foi por falta de empenho ou de sacrifício do seus interesses pessoais. À sua maneira tentaram contribuir... e isso, para mim, faz a diferença.
domingo, junho 12, 2005
Abanão
GNR trava onda em Quarteira
Um numeroso grupo oriundo de bairros degradados de Lisboa, lançou ontem o pânico na praia de Quarteira... e só não invadiram o areal, como alguns deles tinham feito na véspera em Carcavelos porque foram travados pelo pelotão ciclista da GNR.
Correio da Manhã do dia 12/06.
O fenómeno em Portugal é novo!...
Todos nós sabemos que, a esmagadora maioria, eram jovens Africanos (o que quer dizer pretos) dos 12 aos 20 anos...
Associações de emigrantes Africanos, manifestando a sua preocupação, pedem encontro com o Ministro da presidência, pedindo a oportunidade para apresentar propostas que visam minimizar estes e outros casos graves em que os jovens africanos nascidos em Portugal, estão envolvidos.
As associações, argumentam que estes problemas não se resolvem apenas com a intervenção policial.
Eu, reteria destas notícias uma frase: Um numeroso grupo, oriundo de bairros degradados de Lisboa...
Entretanto, vou abrir uma excepção e reeditar um post:
Guia prático para a construção de um moderno viveiro de marginais
1º - Escolher um terreno em que ninguém queira viver. Um sítio agreste e por isso barato, nos subúrbios de uma grande cidade.
2º - Construir lá, com pouca despesa, umas torres sem graça. Adicione-se um parque infantil com dois balouços e um bocado de areia. Não esquecer a escola para compor o complexo.
3º - Procurar famílias problemáticas, desintegradas, debilitadas ao nível físico e mental, económico e social, famílias... sem estrutura de recurso, em situações periclitantes que habitem bairros degradados, situados em terrenos com "potencial", cobiçados por construtores pontas de lança de instituições de crédito e bem relacionados com Câmaras Municipais e afins.
4º - Seleccionar os desgraçados por ordem e, em tempo útil, atribuir-lhes uma dessas casas estipulando-lhe uma renda dita simbólica.
5º - Convidar os órgãos de comunicação social para fazerem a cobertura da cerimónia oficial, em que, com pompa e circunstância, os representantes do poder político entregam as chaves aos ditos desgraçados. Promova-se uma entrevista a uma velha desdentada à qual seja ainda possível arrancar um pequeno olhar de esperança e um agradecimento convicto.
6º - Uma vez os desgraçados instalados, manter-lhes todas as premissas que os conduziram à degradação e, em lume brando, esperar que as crianças cresçam.
7º - Adicionar uma pitada de crispação dos habitantes da Vila próxima, em consequência de um ou outro acidente (vulgo roubo) que envolva pequenos grupos desses jovens sem referencias e educação e que se arrogam ao direito de possuir também, telemóveis, ténis ou roupa de marca...inconscientemente esperançados que esses artefactos, lhes permitam "ser como os outros", passar despercebidos e apagar um carimbo que trazem na testa desde que nasceram.
8º - Esperar que a revolta cresça... nos invasores e nos invadidos, nos assaltantes e nos assaltados... até que abra brecha.
9º - Juntar uns filmes de merda frequentes, ao alcançe de todos, decorar com o comércio de armas, drogas lícitas e ilícitas que engorda gente insuspeita que passa a vida a bater com a mão no peito sem dizer "mea culpa" e levar à mesa... regado com muito álcool ao qual é só puxar o fogo.
N.B. - Esta receita, deve ser confeccionada com muito cuidado, para não sair tudo queimado.
Após a reedição deste post, não posso deixar de fazer notar que, a maioria destes jovens de origem Africana, nascidos em Portugal, vivem em bairros de barracas muito mais próximo do "terceiro mundo" do que aquílo que alguns, possam julgar... lugares, em que a degradação, atinge a alma fundo... e dá, o que se vê! É preciso fazer um desenho?! Há ainda muita gente que pretende insistir em acreditar, que isto, tem a ver com a cor da pele?!
Um numeroso grupo oriundo de bairros degradados de Lisboa, lançou ontem o pânico na praia de Quarteira... e só não invadiram o areal, como alguns deles tinham feito na véspera em Carcavelos porque foram travados pelo pelotão ciclista da GNR.
Correio da Manhã do dia 12/06.
O fenómeno em Portugal é novo!...
Todos nós sabemos que, a esmagadora maioria, eram jovens Africanos (o que quer dizer pretos) dos 12 aos 20 anos...
Associações de emigrantes Africanos, manifestando a sua preocupação, pedem encontro com o Ministro da presidência, pedindo a oportunidade para apresentar propostas que visam minimizar estes e outros casos graves em que os jovens africanos nascidos em Portugal, estão envolvidos.
As associações, argumentam que estes problemas não se resolvem apenas com a intervenção policial.
Eu, reteria destas notícias uma frase: Um numeroso grupo, oriundo de bairros degradados de Lisboa...
Entretanto, vou abrir uma excepção e reeditar um post:
Guia prático para a construção de um moderno viveiro de marginais
1º - Escolher um terreno em que ninguém queira viver. Um sítio agreste e por isso barato, nos subúrbios de uma grande cidade.
2º - Construir lá, com pouca despesa, umas torres sem graça. Adicione-se um parque infantil com dois balouços e um bocado de areia. Não esquecer a escola para compor o complexo.
3º - Procurar famílias problemáticas, desintegradas, debilitadas ao nível físico e mental, económico e social, famílias... sem estrutura de recurso, em situações periclitantes que habitem bairros degradados, situados em terrenos com "potencial", cobiçados por construtores pontas de lança de instituições de crédito e bem relacionados com Câmaras Municipais e afins.
4º - Seleccionar os desgraçados por ordem e, em tempo útil, atribuir-lhes uma dessas casas estipulando-lhe uma renda dita simbólica.
5º - Convidar os órgãos de comunicação social para fazerem a cobertura da cerimónia oficial, em que, com pompa e circunstância, os representantes do poder político entregam as chaves aos ditos desgraçados. Promova-se uma entrevista a uma velha desdentada à qual seja ainda possível arrancar um pequeno olhar de esperança e um agradecimento convicto.
6º - Uma vez os desgraçados instalados, manter-lhes todas as premissas que os conduziram à degradação e, em lume brando, esperar que as crianças cresçam.
7º - Adicionar uma pitada de crispação dos habitantes da Vila próxima, em consequência de um ou outro acidente (vulgo roubo) que envolva pequenos grupos desses jovens sem referencias e educação e que se arrogam ao direito de possuir também, telemóveis, ténis ou roupa de marca...inconscientemente esperançados que esses artefactos, lhes permitam "ser como os outros", passar despercebidos e apagar um carimbo que trazem na testa desde que nasceram.
8º - Esperar que a revolta cresça... nos invasores e nos invadidos, nos assaltantes e nos assaltados... até que abra brecha.
9º - Juntar uns filmes de merda frequentes, ao alcançe de todos, decorar com o comércio de armas, drogas lícitas e ilícitas que engorda gente insuspeita que passa a vida a bater com a mão no peito sem dizer "mea culpa" e levar à mesa... regado com muito álcool ao qual é só puxar o fogo.
N.B. - Esta receita, deve ser confeccionada com muito cuidado, para não sair tudo queimado.
Após a reedição deste post, não posso deixar de fazer notar que, a maioria destes jovens de origem Africana, nascidos em Portugal, vivem em bairros de barracas muito mais próximo do "terceiro mundo" do que aquílo que alguns, possam julgar... lugares, em que a degradação, atinge a alma fundo... e dá, o que se vê! É preciso fazer um desenho?! Há ainda muita gente que pretende insistir em acreditar, que isto, tem a ver com a cor da pele?!
quarta-feira, junho 08, 2005
Pobres e mal agradecidos
Naquele castelo distante, a corte andava constantemente, numa azáfama! Aparentemente diligentes, procuravam com afinco, suprir as necessidades que criavam. Acabado um banquete, uma festa, uma orgia, um regabofe... urgia mandar fazer os preparativos para dar continuação à coisa!...
Os bobos da corte, corriam de um lado para o outro entretendo a gentes, abanando guizos e pandeiretas, fazendo piruetas e, largando um ou outro dito que, parecendo às primeiras... inconveniente, acabava por divertir aquela gente que, em vez de se ofender, pelo pouco que lhes ligavam, acabavam, por lhes achar piada.
Festa após festa, banquete após banquete, gargalhada após gargalhada em resultado da piada dita, pelo soberano... a corte, tinha havia muito, encarado a coisa como uma profissão... desgastante!... Quanto mais ria, gozava e se divertia, mais subia... na consideração, mais desenvolvia, a arte de bem lamber botas e de concordar com cara alegre com todas as ideias do soberano, ainda que fossem loucuras e puras idiotices. Em troca, levava esta bela vida que todos podem imaginar!...
Acabado o vinho, os leitões, porcos, vitelos e faisões... acabado o belo pão, a tábua de queijos e o molho de alcaparras... havia, claro, que tomar medidas para repor as iguarias na mesa do rei... e, a corte, estava lá para isso! Os camponeses, também...
...Membros da corte, especializados nesses assuntos de encher dispensas e tornar as mesas fartas, arquitectavam um plano à sombra do soberano (um homem a quem o povo reconhecia legitimidade para nele mandar) e, distribuíam ordens a quem ganhava os despojos por receber e cumprir ordens, sem questionar!
E lá saía uma equipe, para fora de portas, montada em garbosos cavalos negros enfeitados, homens fortes protegidos por pesados escudos, preparados com espada à cinta, para o que desse e viesse.
O plano, arquitectado por bêbados a ressacar e gordos comilões sem cerimónias, era mais ou menos sempre o mesmo: Mandar os mais brutos, às povoações a que chegavam em desvairadas cavalgadas, fazendo-se anunciar, tocando as trombetas! Depois, chamavam a atenção ao povo pelos seus descuidos, calcavam-lhe o égo forte e feio, cascavam-lhe no lombo e logo de seguida, quais pais complacentes que castigam por amor, lembravam-lhes, o quanto se arriscavam para os defender... das invasões, dos raios, dos coriscos e trovões, dos misteriosos perigos que estavam nos livros que só eles tinham e sabiam ler, e de todos os outros perigos desconhecidos, impossíveis de descrever...
...Resultava sempre!... De uma ou de outra maneira, cada aldeão, sentia a culpa a crescer, só de pensar nos sacos de batatas e nos presuntos escondidos, nos litros de feijão que tencionara não dar ao manifesto... e, entendia, que tinha vindo a ser pobre e mal agradecido. E era assim... que redimidos, carregavam eles próprios às costas, até à mesa do rei e da sua nobre corte, os produtos indispensáveis para que esses nobres, valentes e destemidos amigos, os pudessem continuar a proteger de tão temíveis e iminentes perigos...
Os bobos da corte, corriam de um lado para o outro entretendo a gentes, abanando guizos e pandeiretas, fazendo piruetas e, largando um ou outro dito que, parecendo às primeiras... inconveniente, acabava por divertir aquela gente que, em vez de se ofender, pelo pouco que lhes ligavam, acabavam, por lhes achar piada.
Festa após festa, banquete após banquete, gargalhada após gargalhada em resultado da piada dita, pelo soberano... a corte, tinha havia muito, encarado a coisa como uma profissão... desgastante!... Quanto mais ria, gozava e se divertia, mais subia... na consideração, mais desenvolvia, a arte de bem lamber botas e de concordar com cara alegre com todas as ideias do soberano, ainda que fossem loucuras e puras idiotices. Em troca, levava esta bela vida que todos podem imaginar!...
Acabado o vinho, os leitões, porcos, vitelos e faisões... acabado o belo pão, a tábua de queijos e o molho de alcaparras... havia, claro, que tomar medidas para repor as iguarias na mesa do rei... e, a corte, estava lá para isso! Os camponeses, também...
...Membros da corte, especializados nesses assuntos de encher dispensas e tornar as mesas fartas, arquitectavam um plano à sombra do soberano (um homem a quem o povo reconhecia legitimidade para nele mandar) e, distribuíam ordens a quem ganhava os despojos por receber e cumprir ordens, sem questionar!
E lá saía uma equipe, para fora de portas, montada em garbosos cavalos negros enfeitados, homens fortes protegidos por pesados escudos, preparados com espada à cinta, para o que desse e viesse.
O plano, arquitectado por bêbados a ressacar e gordos comilões sem cerimónias, era mais ou menos sempre o mesmo: Mandar os mais brutos, às povoações a que chegavam em desvairadas cavalgadas, fazendo-se anunciar, tocando as trombetas! Depois, chamavam a atenção ao povo pelos seus descuidos, calcavam-lhe o égo forte e feio, cascavam-lhe no lombo e logo de seguida, quais pais complacentes que castigam por amor, lembravam-lhes, o quanto se arriscavam para os defender... das invasões, dos raios, dos coriscos e trovões, dos misteriosos perigos que estavam nos livros que só eles tinham e sabiam ler, e de todos os outros perigos desconhecidos, impossíveis de descrever...
...Resultava sempre!... De uma ou de outra maneira, cada aldeão, sentia a culpa a crescer, só de pensar nos sacos de batatas e nos presuntos escondidos, nos litros de feijão que tencionara não dar ao manifesto... e, entendia, que tinha vindo a ser pobre e mal agradecido. E era assim... que redimidos, carregavam eles próprios às costas, até à mesa do rei e da sua nobre corte, os produtos indispensáveis para que esses nobres, valentes e destemidos amigos, os pudessem continuar a proteger de tão temíveis e iminentes perigos...
domingo, junho 05, 2005
Rédea solta
Foi em desnorte e sem sentido
e pelo medo de estar perdido
que entre passos partiu de si
E foi sem querer em desespero
ciente de nada saber
que explodiu se encontrou e deu
Foi desse fora nesse aqui e agora
desse avesso a que chegou
que se entendeu olhou e viu
que era já tarde para qualquer começo
cedo demais para qualquer fim
e que se nada fora ganho
tampouco algo estava perdido
Viver parecia agora ser dar passos
pr’além de lhes buscar o seu sentido
e pelo medo de estar perdido
que entre passos partiu de si
E foi sem querer em desespero
ciente de nada saber
que explodiu se encontrou e deu
Foi desse fora nesse aqui e agora
desse avesso a que chegou
que se entendeu olhou e viu
que era já tarde para qualquer começo
cedo demais para qualquer fim
e que se nada fora ganho
tampouco algo estava perdido
Viver parecia agora ser dar passos
pr’além de lhes buscar o seu sentido
sexta-feira, junho 03, 2005
Continuação 5
Estar de bem com a vida, querer realizar obra, encontrar a vontade para rir, para sentir prazer, em dar prazer, em visitar um amigo ou promover em redor um momento feliz é, justamente, o oposto da infelicidade! Sentir-se são, vigoroso, capaz e solícito é bem o contrário de estar doente, cheio de dores, queixas, ressentimentos e amarguras.
Sem felicidade, na ausência da capacidade para a procurar, mergulhado o ser num mar de agrura e ressentimento que inviabiliza a busca de soluções para os problemas com que se confronta, destorcida a perspectiva pela qual se poderia encarar essa busca e esse problema, como uma oportunidade na vida que nos ajuda a crescer, a progredir e não, como um infortúnio que nos bate á porta para o qual nunca estamos preparados, que nos abate e revolta... sem felicidade, sem a capacidade de lutar por ela a cada passo... dizia eu, é impossível haver saúde e vice-versa.
Se, a saúde implica a ausência de dor ou disfunção, orgânica ou psíquica, a falta da predisposição para a vida, pode ser interpretada como um dos primeiros sintomas de doença, em consequência, de uma qualquer, distonia.
O plano e o momento primordial em que essa distonia tem origem, nem sempre é possível de determinar! Pode acontecer ao nível da mente, no plano psíquico: um equívoco durante o processo de formação do carácter, um distúrbio emocional, uma premissa errada... pode ter um papel decisivo para se desenvolver um tipo de comportamento que cause alguma fricção, algum stress na relação que se tem com o mundo e isto repercutir-se na saúde orgânica do indivíduo. Por outro lado, também uma alteração do equilíbrio orgânico por razões tão fortuitas como, um excesso de poluição ambiental, uma intoxicação alimentar... terá repercussões no estado de espírito, condicionando o comportamento.
Temos por isso, que nem toda a doença tem origem na infelicidade e vice-versa. Existem doenças com origem em agentes externos: a poluição, a degeneração dos produtos alimentares, a educação incompetente e castradora, em que se alicerça o modelo social e económico em que vivemos -fonte de bloqueios, couraças e medos- que, fogem ao control do indivíduo. Contudo, através de complexos e (até ver) misteriosos mecanismos do sistema imunitário, o organismo defende-se e tudo leva a crer, que há uma maior resistência/competência desse sistema, numa pessoa que (disposta a rebuscar nas profundezas a força para esboçar um sorriso), persista na busca de caminhos para a felicidade... do que, numa outra que, sentindo-se traída pela sorte, assuma a tristeza como a consequência natural do estado a que o “destino” a votou e, viva, deprimida, revoltada, sempre dependente de ajuda, maldizendo e renegando a própria sorte. Ao contrário, pensarmos nos outros, tornarmo-nos disponíveis para ajudar alguém, pode servir-nos como acto profilático ou mesmo terapêutico, dar-nos mais força e resistência, fazendo-nos sentir úteis e por isso, dignos de amor, tão importante para a nossa realização e bem estar, integridade e saúde; física, mental e emocional e, se quiser-mos, espiritual!
No fundo o “truque”, parece girar á volta do dar e receber, do investir o melhor de nós, com a humildade suficiente que nos permita, reconhecer e corrigir erros, rumo a um ser cada vez menos imperfeito.
Trata-se, de ter um objectivo sempre á mão que passe por nos tornar-mos úteis a cada passo, mais que não seja... ajudando “a velhinha” a atravessar a rua!
Sem felicidade, na ausência da capacidade para a procurar, mergulhado o ser num mar de agrura e ressentimento que inviabiliza a busca de soluções para os problemas com que se confronta, destorcida a perspectiva pela qual se poderia encarar essa busca e esse problema, como uma oportunidade na vida que nos ajuda a crescer, a progredir e não, como um infortúnio que nos bate á porta para o qual nunca estamos preparados, que nos abate e revolta... sem felicidade, sem a capacidade de lutar por ela a cada passo... dizia eu, é impossível haver saúde e vice-versa.
Se, a saúde implica a ausência de dor ou disfunção, orgânica ou psíquica, a falta da predisposição para a vida, pode ser interpretada como um dos primeiros sintomas de doença, em consequência, de uma qualquer, distonia.
O plano e o momento primordial em que essa distonia tem origem, nem sempre é possível de determinar! Pode acontecer ao nível da mente, no plano psíquico: um equívoco durante o processo de formação do carácter, um distúrbio emocional, uma premissa errada... pode ter um papel decisivo para se desenvolver um tipo de comportamento que cause alguma fricção, algum stress na relação que se tem com o mundo e isto repercutir-se na saúde orgânica do indivíduo. Por outro lado, também uma alteração do equilíbrio orgânico por razões tão fortuitas como, um excesso de poluição ambiental, uma intoxicação alimentar... terá repercussões no estado de espírito, condicionando o comportamento.
Temos por isso, que nem toda a doença tem origem na infelicidade e vice-versa. Existem doenças com origem em agentes externos: a poluição, a degeneração dos produtos alimentares, a educação incompetente e castradora, em que se alicerça o modelo social e económico em que vivemos -fonte de bloqueios, couraças e medos- que, fogem ao control do indivíduo. Contudo, através de complexos e (até ver) misteriosos mecanismos do sistema imunitário, o organismo defende-se e tudo leva a crer, que há uma maior resistência/competência desse sistema, numa pessoa que (disposta a rebuscar nas profundezas a força para esboçar um sorriso), persista na busca de caminhos para a felicidade... do que, numa outra que, sentindo-se traída pela sorte, assuma a tristeza como a consequência natural do estado a que o “destino” a votou e, viva, deprimida, revoltada, sempre dependente de ajuda, maldizendo e renegando a própria sorte. Ao contrário, pensarmos nos outros, tornarmo-nos disponíveis para ajudar alguém, pode servir-nos como acto profilático ou mesmo terapêutico, dar-nos mais força e resistência, fazendo-nos sentir úteis e por isso, dignos de amor, tão importante para a nossa realização e bem estar, integridade e saúde; física, mental e emocional e, se quiser-mos, espiritual!
No fundo o “truque”, parece girar á volta do dar e receber, do investir o melhor de nós, com a humildade suficiente que nos permita, reconhecer e corrigir erros, rumo a um ser cada vez menos imperfeito.
Trata-se, de ter um objectivo sempre á mão que passe por nos tornar-mos úteis a cada passo, mais que não seja... ajudando “a velhinha” a atravessar a rua!
sábado, maio 28, 2005
A inocência do accionista
O accionista recebeu uma pista! ...A coisa estava quente lá para o médio oriente. Poderia até estalar uma guerra! Espreitou por um lado, espreitou pelo outro... ponderou rapidamente e vendeu umas acções que tinha aplicadas em energias renováveis, para realizar capital e comprar umas outras de uma empresa, que fabricava mísseis de médio alcance muito eficazes.
Tarimbado neste jogo, comprou também, acções de uma empresa que fabricava anti mísseis e, prevendo a subida do preço do petróleo, comprou ainda umas outras, de uma empresa petrolífera, de um outro lado do mundo.
O accionista, recebeu uma pista e, na mira de lucro, pôs o seu capital ao serviço da guerra!
Depois, sentado na sua cadeira ergonómica, bebia notícias e, perante recuos e avanços, deixou-se tomar por uma estranha volúpia, um desejo abstracto (ou seria concreto...), para que desatasse tudo à porrada! ...Essa é que é essa!...
Tarimbado neste jogo, comprou também, acções de uma empresa que fabricava anti mísseis e, prevendo a subida do preço do petróleo, comprou ainda umas outras, de uma empresa petrolífera, de um outro lado do mundo.
O accionista, recebeu uma pista e, na mira de lucro, pôs o seu capital ao serviço da guerra!
Depois, sentado na sua cadeira ergonómica, bebia notícias e, perante recuos e avanços, deixou-se tomar por uma estranha volúpia, um desejo abstracto (ou seria concreto...), para que desatasse tudo à porrada! ...Essa é que é essa!...
terça-feira, maio 24, 2005
Continuação 4
Temos doentes, gente diferente, deficientes, debilitados, degenerados... mas, podemos dormir descansados... O sistema oferece serviços, técnicos devidamente credenciados para lhes tratarem da saúde... Tem uma filha com deficiências mentais, uma mãe com Alzheimer, um filho drogado, uma esposa em desnorte que lhe causa embaraços, que lhe consome o seu precioso tempo e o confronta, com a necessidade de mudanças para as quais está indisponível ou se sente impotente?... Não perca mais tempo... não mude, nem questione nada. Confie, apoie-se no sistema e liberte-se do fardo entregando-o a uma casa de saúde, uma clínica especializada, uma instituição de saúde mental que não queima ninguém na fogueira e já nem electrochoques aplica. Durma descansado, mantenha-se na corrida para o êxito, em troca de uma (mais, ou menos), modesta mensalidade!...
Na sequência dos esforços sérios que o Homem tem feito para erradicar a doença e o sofrimento, faz todo o sentido, apurar o conceito de saúde e, por outro lado, ao invés de sonegar conhecimentos (através de um esoterismo conveniente a quem é pressuposto tê-los), torná-los cada vez mais acessíveis a quem deles quiser fazer uso, estimular aqueles que, por comodismo ou por qualquer outra razão, o não querem fazer e, procurar envolver os doentes na sua própria cura, sugerindo-lhe a necessidade, de identificar a origem da doença e de, transformar as condições que conduzem a ela, através da mudança necessária, da terapia adequada... seja ela fitoterápica, homeopática, quimioterápica, cirúrgica, espiritual... enfim, o que se encontrar mais adequado!
Não é minha intenção, através destas criticas, atacar ou desvalorizar, serviços e profissionais ou o desenvolvimento técnico e científico nesta área, é sim, contribuir para que cada um de nós, nos tornemos cada vez mais, responsáveis e interessados pela nossa própria saúde, esperançado que, a sociedade mude em consequência. Estimular a vontade de nos conhecer-mos melhor, de modo a que aprendamos a conservar-nos sãos, desde logo lutando pelas condições básicas de vida, sem as quais a saúde se torna impossível.
Antes do mal estar, da dor, da doença instalada, poderemos interpretar sinais que, ainda que vagos, nos alertam para a necessidade de alterações que, poderão interromper o desenvolvimento da doença, inverter o processo e evitar assim, cuidados médicos posteriores.
Muitos desses sinais escapam-se-nos, não são interpretados como tal e daí este modesto contributo, que espero, não tenha contra-indicações!
Na sequência dos esforços sérios que o Homem tem feito para erradicar a doença e o sofrimento, faz todo o sentido, apurar o conceito de saúde e, por outro lado, ao invés de sonegar conhecimentos (através de um esoterismo conveniente a quem é pressuposto tê-los), torná-los cada vez mais acessíveis a quem deles quiser fazer uso, estimular aqueles que, por comodismo ou por qualquer outra razão, o não querem fazer e, procurar envolver os doentes na sua própria cura, sugerindo-lhe a necessidade, de identificar a origem da doença e de, transformar as condições que conduzem a ela, através da mudança necessária, da terapia adequada... seja ela fitoterápica, homeopática, quimioterápica, cirúrgica, espiritual... enfim, o que se encontrar mais adequado!
Não é minha intenção, através destas criticas, atacar ou desvalorizar, serviços e profissionais ou o desenvolvimento técnico e científico nesta área, é sim, contribuir para que cada um de nós, nos tornemos cada vez mais, responsáveis e interessados pela nossa própria saúde, esperançado que, a sociedade mude em consequência. Estimular a vontade de nos conhecer-mos melhor, de modo a que aprendamos a conservar-nos sãos, desde logo lutando pelas condições básicas de vida, sem as quais a saúde se torna impossível.
Antes do mal estar, da dor, da doença instalada, poderemos interpretar sinais que, ainda que vagos, nos alertam para a necessidade de alterações que, poderão interromper o desenvolvimento da doença, inverter o processo e evitar assim, cuidados médicos posteriores.
Muitos desses sinais escapam-se-nos, não são interpretados como tal e daí este modesto contributo, que espero, não tenha contra-indicações!
sexta-feira, maio 20, 2005
Continuação 3
Hoje, muito mudou! Graças aos pensadores livres, alguns medos deixaram de ter sustento, muitos tabus caíram e, ainda que outros se levantem e novos medos possam ser arquitectados por pretensiosos e ressentidos “senhores do saber”, alguma luz, tem chegado às trevas! A ignorância essencial, essa, que não permite “ver com o coração” e veda o conhecimento do fundamental, sempre camuflada, apresenta-se com novas roupagens mas, mantêm as máscaras de sempre; a da diligência, da responsabilidade, do sentido do dever, da consciência transcendente... da humildade dos sábios e, sem pejo, dá a entender saber coisas, com que nem sequer sonha! Questionada pelos mais afoitos, afirma não poder explicar o que ninguém iria compreender e, sobrevive assim, em todo o lado, com o conforto relativo que em geral é concedido, a quem, insinuando esconder por modéstia um misterioso saber que não pode ser explicado, deixa no ar a ideia de ter o poder de salvar, qualquer desgraçado...
Perante, aparentes e reais necessidades de promover, manter ou recuperar a saúde, muitas instituições, chamaram a si essa responsabilidade e, se bem que em muitos casos a sua utilidade seja inquestionável, noutros, não é assim! Os esforços para promover e manter a saúde, são débeis, e, muitos dos doentes que poderiam ser curados não o são, uma vez que se insiste em (apenas) anular sintomas, sem reflectir na origem/causa, das doenças...
Mantêm-se o estado das coisas... debela-se a febre e mantêm-se a carraça na prega da orelha!
Perante, aparentes e reais necessidades de promover, manter ou recuperar a saúde, muitas instituições, chamaram a si essa responsabilidade e, se bem que em muitos casos a sua utilidade seja inquestionável, noutros, não é assim! Os esforços para promover e manter a saúde, são débeis, e, muitos dos doentes que poderiam ser curados não o são, uma vez que se insiste em (apenas) anular sintomas, sem reflectir na origem/causa, das doenças...
Mantêm-se o estado das coisas... debela-se a febre e mantêm-se a carraça na prega da orelha!
terça-feira, maio 17, 2005
Continuação 2
...Perante uma crise convulsiva de um epiléptico, as consequências da ignorância, foram brutais e dramáticas. Os doutos sábios, recusando-se a confessar as suas limitações, incapazes da verdadeira compaixão e, confrontados com a necessidade de sossegar os espíritos perturbados por medos irracionais, que emergiam soltos de um misterioso imaginário... no mínimo, participaram na construção de soluções dantescas que, ao que parece, só o homem é capaz! Perante esse desassossego da família e da comunidade em geral, a impotência de magos e sábios, de líderes políticos e religiosos, muitos doentes foram torturados, mortos queimados em fogueiras santas, com a responsabilidade de autoridades instituídas e, enfim... de uma boa parte da comunidade que, refugiada na ignorância, queria acreditar ser essa a forma, de libertar o infeliz, de espíritos demoníacos, “purificando-lhe” a alma, para o resto da eternidade... Muitos desses rituais de carácter místico religioso e com alguma pretensão científica, forneciam à comunidade espectáculos públicos, que lhe permitia respirar de alívio... liberta, de tamanho incómodo!...
Dando largas à imaginação, conseguiam vislumbrar nos corpos contorcidos pelo horror, expressões e urros do Demónio, assim afastado por algum tempo.
Enquanto isso, alguns espíritos livres, abafavam no peito a revolta pela barbárie e, receosos de se verem envolvidos, relacionados ou acusados de artes de feitiçaria, ou de pactos com o demónio, viam-se obrigados a assistir impávidos aos crimes, que desde sempre, a ignorância tem permitido justificar!
Dando largas à imaginação, conseguiam vislumbrar nos corpos contorcidos pelo horror, expressões e urros do Demónio, assim afastado por algum tempo.
Enquanto isso, alguns espíritos livres, abafavam no peito a revolta pela barbárie e, receosos de se verem envolvidos, relacionados ou acusados de artes de feitiçaria, ou de pactos com o demónio, viam-se obrigados a assistir impávidos aos crimes, que desde sempre, a ignorância tem permitido justificar!
segunda-feira, maio 16, 2005
Continuação 1
O mal estar, o estado agudo ou crónico de infelicidade e no geral todas as alterações de ordem mental, têm sido dificilmente enquadradas e aceites, como um problema de saúde. Não esqueça-mos, os muitos epilépticos ou esquizofrénicos que foram sacrificados pela ignorância, hipocrisia ou impotência, relegados para um papel de personagens a destruir ou esconder, entendidos como aliados do diabo ou instrumentos usados por forças ocultas com intuitos demoníacos.
Essas pessoas, num passado bem recente, não eram consideradas como doentes. Não tinham direito a esse estatuto. Acabavam, na prática, por representarem inimigos a abater, ou no mínimo, a esconder, pela afronta á sabedoria e pelo incómodo geral que causavam, quer por perguntas ou afirmações estranhas, como por comportamentos bizarros, para os quais a ciência e a lógica, não tinham resposta ou explicação. Ora, como é hábito nestas situações, em vez de nos confrontarmos com a ignorância e impotência, temos uma tendência natural para olhar á volta, em busca de um culpado. No caso dos esquizofrénicos ou dos epilépticos, atribuía-se a culpa, de uma forma abstracta, ao demónio, ou a algum espírito maligno, que possuía o desgraçado e que, agindo através dele, perturbava a ordem e a paz, estabelecendo dúvidas onde deviam reinar certezas. Muitas vezes eram encontrados responsáveis para estas situações perturbadoras; bruxas, magos, seres das trevas, servos do Diabo... gente, com o poder de endemoinhar uma pessoa, personagens, pertencentes ao imaginário do colectivo e, relatos de crânios furados para que o espírito perturbador se pudesse escapar, chegam-nos do Egipto de há três mil anos atrás!
Essas pessoas, num passado bem recente, não eram consideradas como doentes. Não tinham direito a esse estatuto. Acabavam, na prática, por representarem inimigos a abater, ou no mínimo, a esconder, pela afronta á sabedoria e pelo incómodo geral que causavam, quer por perguntas ou afirmações estranhas, como por comportamentos bizarros, para os quais a ciência e a lógica, não tinham resposta ou explicação. Ora, como é hábito nestas situações, em vez de nos confrontarmos com a ignorância e impotência, temos uma tendência natural para olhar á volta, em busca de um culpado. No caso dos esquizofrénicos ou dos epilépticos, atribuía-se a culpa, de uma forma abstracta, ao demónio, ou a algum espírito maligno, que possuía o desgraçado e que, agindo através dele, perturbava a ordem e a paz, estabelecendo dúvidas onde deviam reinar certezas. Muitas vezes eram encontrados responsáveis para estas situações perturbadoras; bruxas, magos, seres das trevas, servos do Diabo... gente, com o poder de endemoinhar uma pessoa, personagens, pertencentes ao imaginário do colectivo e, relatos de crânios furados para que o espírito perturbador se pudesse escapar, chegam-nos do Egipto de há três mil anos atrás!
sexta-feira, maio 13, 2005
Sobre a doença e a saúde
É um comum ouvir-se dizer, que a saúde é um bem essencial. Não é suposto, que alguém deseje ficar doente! Ninguém assume gostar de estar doente. A doença condiciona e é desagradável! Não parece por isso fazer sentido, alguém desejar ficar doente. Ao contrário, todo o doente, nesta linha de raciocínio, deseja curar-se. Porém, as coisas da saúde e da doença, não são realmente assim tão lineares e a verdade, é que em determinadas situações de desequilíbrio, muitos “optam”, a um nível mais ou menos inconsciente, pela doença! Pelos mais variados motivos!
Uma série de perturbações que têm vindo a ser designadas como doenças psicossomáticas, estão, a maior parte das vezes, relacionadas com a incapacidade para lidar com situações que seria pressuposto serem resolvidas e ultrapassadas, sem que o indivíduo entrasse em distonia. Contudo, é já clássica a expressão: gastrite ou colite, nervosa!... Por outro lado, é bem conhecida a relação entre o desgosto ou a tristeza e a propensão para a doença. Constata-se ainda, a facilidade com que algumas pessoas ficam doentes quando os “outros” as contrariam e a vida não lhes corre de feição, raiando a chantagem e a manipulação desses “outros”, através do seu estado de saúde!
Convêm entretanto não esquecer, que o conceito de saúde e de doença, fez com que na generalidade, se associe a doença á dor física e não se levem em consideração, muitos sintomas mais silenciosos e subtis, que poderiam servir-nos de alerta para estágios iniciais de doenças mais ou menos graves!
Uma série de perturbações que têm vindo a ser designadas como doenças psicossomáticas, estão, a maior parte das vezes, relacionadas com a incapacidade para lidar com situações que seria pressuposto serem resolvidas e ultrapassadas, sem que o indivíduo entrasse em distonia. Contudo, é já clássica a expressão: gastrite ou colite, nervosa!... Por outro lado, é bem conhecida a relação entre o desgosto ou a tristeza e a propensão para a doença. Constata-se ainda, a facilidade com que algumas pessoas ficam doentes quando os “outros” as contrariam e a vida não lhes corre de feição, raiando a chantagem e a manipulação desses “outros”, através do seu estado de saúde!
Convêm entretanto não esquecer, que o conceito de saúde e de doença, fez com que na generalidade, se associe a doença á dor física e não se levem em consideração, muitos sintomas mais silenciosos e subtis, que poderiam servir-nos de alerta para estágios iniciais de doenças mais ou menos graves!
sexta-feira, abril 29, 2005
Paradoxo
Existe, à velocidade do pensamento, sem ter que sair do centro ou que carregar com o peso da existência. Liberto. ...De amarras do tempo e do espaço, de crenças medos e ilusões, do bem e do mal! ...Um ser livre, de energia pura. ...Daquela que pulsa e existe em todos os lugares.
É, todas as coisas e nadas, pedaços de si, creador de sonhos sementes de onde brotam realidades, espaços e tempos em que se expande e recreia. E, quando nessa senda se sente disperso... demasiado longe de si mesmo, concentra-se em matéria que de tão densa o leva a duvidar da existência! ...Daí se expande, em direcção a todos os lugares! Uma vez mais e sempre.
Existe, qual paradoxo, inventado por si próprio...
É, todas as coisas e nadas, pedaços de si, creador de sonhos sementes de onde brotam realidades, espaços e tempos em que se expande e recreia. E, quando nessa senda se sente disperso... demasiado longe de si mesmo, concentra-se em matéria que de tão densa o leva a duvidar da existência! ...Daí se expande, em direcção a todos os lugares! Uma vez mais e sempre.
Existe, qual paradoxo, inventado por si próprio...
sexta-feira, abril 22, 2005
terça-feira, abril 19, 2005
Um momento de tréguas
Fogo na peça!... Gritava empolgado o cabo raso ao soldado, cumprindo ordens de um sargento ajudante que se mantinha distante e resguardado, não fosse o diabo tecê-las...
Naquela guerra, tudo era como em qualquer outra!... Todos queriam matar para não serem mortos... um clima de medo alimentava um ódio cego - fornecido na partida - com destino vago... um ou outro candidato a herói, sonhava com uma medalha, os militares de carreira preparavam a promoção e, na realidade, ninguém sabia, como se tornara possível aquele desamor que grassava campo fora; batalha após batalha, cada uma mais sangrenta que a anterior!
Falava-se, nas trincheiras nauseabundas, que no topo do comando havia um general, que por táctica obedecia a um civil bem colocado, membro de um clube a cheirar a rosas com interesses secretos em que as coisas fossem estando nesse estado. ...Mas isso, nunca foi autorizado a ser provado em tempo útil e, alguns dos que o diziam chegaram a ser condenados por difamação a indivíduo indeterminado...
O soldado - que acendia o rastilho, dava fogo à peça e disparava a bala, que alombava com a carga e cavava as trincheiras -, evitava o que podia, ver-se a braços com a alma suja! ...Cada vez que tropeçava num corpo abandonado a que tinha tirado a vida, escolhia acreditar, ter cumprido o seu dever, levando a cabo a missão que lhe fora destinada. ...Sem saber ao que andava ou o porquê do que fazia... não sabia, nem queria saber... mais nada!...
Finda a guerra, a euforia do saque - na paz que entremeia cada tumulto -, lambiam-se as feridas, vinham à baila os traumas e, em noites mal dormidas, havia quem sentisse a consciência pesada... mas já não valia de nada... uma guerra estava feita e outra... ao lume, fervilhava. Um lume... alimentado, por um civil bem colocado que garantia ser aquela a via para chegar à paz!
...Mas nunca nada foi autorizado a ser provado em tempo útil. Não se lhe sabia o nome e a morada e, o soldado, não sabia nem queria saber mais nada. ...Já bem lhe bastava expiar culpas e reenvindicar os direitos de antigo combatente.
Naquela guerra, tudo era como em qualquer outra!... Todos queriam matar para não serem mortos... um clima de medo alimentava um ódio cego - fornecido na partida - com destino vago... um ou outro candidato a herói, sonhava com uma medalha, os militares de carreira preparavam a promoção e, na realidade, ninguém sabia, como se tornara possível aquele desamor que grassava campo fora; batalha após batalha, cada uma mais sangrenta que a anterior!
Falava-se, nas trincheiras nauseabundas, que no topo do comando havia um general, que por táctica obedecia a um civil bem colocado, membro de um clube a cheirar a rosas com interesses secretos em que as coisas fossem estando nesse estado. ...Mas isso, nunca foi autorizado a ser provado em tempo útil e, alguns dos que o diziam chegaram a ser condenados por difamação a indivíduo indeterminado...
O soldado - que acendia o rastilho, dava fogo à peça e disparava a bala, que alombava com a carga e cavava as trincheiras -, evitava o que podia, ver-se a braços com a alma suja! ...Cada vez que tropeçava num corpo abandonado a que tinha tirado a vida, escolhia acreditar, ter cumprido o seu dever, levando a cabo a missão que lhe fora destinada. ...Sem saber ao que andava ou o porquê do que fazia... não sabia, nem queria saber... mais nada!...
Finda a guerra, a euforia do saque - na paz que entremeia cada tumulto -, lambiam-se as feridas, vinham à baila os traumas e, em noites mal dormidas, havia quem sentisse a consciência pesada... mas já não valia de nada... uma guerra estava feita e outra... ao lume, fervilhava. Um lume... alimentado, por um civil bem colocado que garantia ser aquela a via para chegar à paz!
...Mas nunca nada foi autorizado a ser provado em tempo útil. Não se lhe sabia o nome e a morada e, o soldado, não sabia nem queria saber mais nada. ...Já bem lhe bastava expiar culpas e reenvindicar os direitos de antigo combatente.
sábado, abril 09, 2005
Contacto
Através de vidros foscos, olhavam-se desde sempre e, por vezes, chegavam a sentir-se cúmplices. Nenhum sabia quem o outro era, e qualquer deles, estava muito longe de se entender como parte de um ser uno. Alguns, tinham vislumbres em que queriam acreditar... mas as coisas eram vagas, e ao que uns chamavam de percepções, os outros garantiam não passarem de fantasias que alimentavam ilusões!
...Por vezes... um, esboçava um aceno, sem qualquer certeza de que alguém o recebesse. E, se por acaso ou necessidade um outro o percebesse... calhando (com mais ou menos fé), respondia. Sempre sem garantia de manter o que quer que fosse.
Mais que uma vez, viveram momentos suspensos que lhes pareceram de ternura e sintonia. Alguns, sentiram o coração arrebatado por uma estranha sensação fugaz, cujo sentido se perdia entre sombras projectadas em terreno desconhecido.
Em busca de contacto... palmas das mãos coladas ao vidro... a ponta do indicador... era o bastante para que a imaginação parisse brotos promissores de onde poderiam despontar futuros. E isso era o bastante para que se sentissem vivos e pertencentes a algo para além do concreto.
Outras vezes, sem que ninguém soubesse bem o como ou o porquê, viam nos seus próprios reflexos inimigos com que chegavam a lutar até à morte, movidos por paixões, convicções cegas e jogos de poder, em que ficavam todos a perder.
Quando assim era, qualquer palavra era a palavra errada e um qualquer motivo poderia servir de pretexto para inverter o sentido ao texto. Corriam em desnorte! Sacudiam do capote as culpas entranhadas nos ossos durante tempos sem fim de ilusão e reflexão baça e, em busca de um culpado creavam destruição, estilhaçavam os vidros e davam de caras consigo próprios!
...Por vezes... um, esboçava um aceno, sem qualquer certeza de que alguém o recebesse. E, se por acaso ou necessidade um outro o percebesse... calhando (com mais ou menos fé), respondia. Sempre sem garantia de manter o que quer que fosse.
Mais que uma vez, viveram momentos suspensos que lhes pareceram de ternura e sintonia. Alguns, sentiram o coração arrebatado por uma estranha sensação fugaz, cujo sentido se perdia entre sombras projectadas em terreno desconhecido.
Em busca de contacto... palmas das mãos coladas ao vidro... a ponta do indicador... era o bastante para que a imaginação parisse brotos promissores de onde poderiam despontar futuros. E isso era o bastante para que se sentissem vivos e pertencentes a algo para além do concreto.
Outras vezes, sem que ninguém soubesse bem o como ou o porquê, viam nos seus próprios reflexos inimigos com que chegavam a lutar até à morte, movidos por paixões, convicções cegas e jogos de poder, em que ficavam todos a perder.
Quando assim era, qualquer palavra era a palavra errada e um qualquer motivo poderia servir de pretexto para inverter o sentido ao texto. Corriam em desnorte! Sacudiam do capote as culpas entranhadas nos ossos durante tempos sem fim de ilusão e reflexão baça e, em busca de um culpado creavam destruição, estilhaçavam os vidros e davam de caras consigo próprios!
sexta-feira, abril 01, 2005
O ilusionista
Foi com o sacrifício de várias gerações, que aquela moradia tinha vindo a ser mantida propriedade da família e, embora estivesse de certa forma degradada, continuava a ser, um motivo de orgulho para a maioria.
A história do antepassado destemido que a mandara construir, passava de pais para filhos e, à medida que ia sendo contada, adquiria novos contornos. Um ou outro acontecimento podia desaparecer ou nascer, consoante a imaginação de cada um, a geração e o jeito que esse retoque poderia dar no momento.
A casa, com a frente virada ao mar, implantada em terreno fértil, tinha nas traseiras hortas e pomares que confinavam com bosques e matas espalhadas por montes e serranias que, adquiriam tonalidades quase mágicas. ...Um sítio, em que qualquer um poderia viver feliz, não fora a volúvel tonteria de querer ter a garantia, de poder chegar, justamente ao lugar em que não se está, de vir a ter o que não se tem e, por aí além...
Um dia, chegou-lhes ao lugar, um artista... um verdadeiro ilusionista, com uma mala cheia de truques e magias a que ninguém resistiu...
Começou por lhes falar do saldo contabilistico e do saldo disponível...
Explicou-lhe o que era um número negatívo... uma conta a descoberto e as suas respectivas alcavalas, um cheque, uma comissão de atraso, um imposto do selo, uns juros sobre o empréstimo, uma compra com o dinheiro que se presume poder vir a ganhar...
Falou-lhes de conceitos e pôs-lhes notas na mão em troca de espaço no lugar. ...Na prática, comprou uma concessão, para explorar potencialidades com que nunca tinham sonhado! Montou uma banca, atirou um foguete ao ar e deu-lhes a provar salmão de tanques longuínquos, doce de morango com sabor a banana, água com várias cores e sabores, frutas lustrosas e sem bicho, ensinou-lhes regras novas para jogar à cabra cega, ao toca e foge... e, instalou nas traseiras - lá no lugar -, uma fábrica de fazer dinheiro em que pôs todos a trabalhar!
Pagava-lhes com notas e, em troca destas, tanto lhes vendia botas que se usavam em Paris, como o salmão que lhes tinha dado a provar ou, relógios da China que davam música... e, em momentos de maior amargura, adoçava-lhes a boca com doces de uma fruta que sabia a outra!...
Ensinou-lhes o que era o PIB, deu-lhes um cartão e atribuiu a cada um um NIB, promoveu os mais velhos e influentes a VIP, explicou a todos as virtudes do caviar fazendo-lhes crescer água na boca e, quando lho quiseram comprar, concedeu empréstimos celebrados em papel timbrado, contra hipotecas de parcelas da propriedade...
Entretanto, cada vez menos gente amanhava a terra! Chegavam a casa, cansados de dar à manivela na máquina de fazer notas e, por outro lado, em função dos preços a que o ilusionista lhes vendia os produtos que arranjava noutros lugares, tinha deixado de ser rentável fazer o que quer que fosse, para além de trabalhar nesta nova actividade tão lucrativa... De qualquer modo, os terrenos, cada vez mais sobrecarregados de detritos, produtos tóxicos, restos de tintas usadas na feituras das notas... tornaram-se estéreis e, à medida que a fábrica se expandia, o espaço que restava mal dava, para plantar uma couve que fosse!
Uma tarde de pescaria começou a revelar-se impossível, por falta de tempo - que era todo tomado a trabalhar, para pagar juros, comissões e prestações da hipoteca - e, na verdade, ao preço que o salmão lhes chegava à mão, compensava muito mais comprarem-no ao ilusionista, do que pescarem robalos no mar e apresentá-los no prato grelhados... particularmente aos miúdos, que só de os verem ficavam enjoados e infelizes, depois de terem ouvido o ilusionista falar, nas delícias do mar, sem espinhas, feitas de farinhas nutritivas com sabor a lagosta suada e com forma de monstros divertidos.
O simples e antigo ritual de apanhar frutos do bosque, caiu em desuso, perante a oferta das suas polpas finas, açucaradas, vendidas em embalagens atractivas coloridas, com as quais se desenrolavam vários sorteios.
Um dia... o ilusionista, que na prática se tornara em quem mandava, por ter ficado na posse do terreno a ele hipotecado, importou uma máquina de fazer notas semi-automática e, mandou para casa metade dos trabalhadores que se viram forçados a pedir dinheiro emprestado para pagar as dívidas que tinham criado enquanto tinham trabalhado a dar à manivela, mas, como já não estavam inscritos, viram os seus pedidos recusados e os seus cartões outrora dourados foram por magia transformados em pó!... Ficaram sem NIB, deixaram de ser VIP e nunca mais puderam comprar salmão vindo de tanques distantes, ou sumo de laranja a saber a framboesa...
A família, começou a olhá-los de lado, porque a bem dizer... desempregados e mal habituados, eram um fardo! Eles, viram-se forçados a entrar num programa de reciclagem instituído pelo artista, em que aprendiam a não existir e no qual foram bem sucedidos!
Em menos de nada, graças aos avanços tecnológicos, a máquina semi-automática foi substituída por uma outra, totalmente automática e todos os membros daquela família, ingressaram nesse programa de reciclagem, com excelente aproveitamento!
Hoje, embora o lugar esteja muito degradado, tóxico e viscoso, a produção de notas duplicou e a economia do lugar é das mais fortes do mundo! Quanto à antiga família, se bem que se saiba que andam por ali, não são vistos, nem tidos... nem achados...
Quanto ao resto, tudo está entregue a uma máquina, altamente sofisticada que faz notas como que por artes mágicas e, o ilusionista, continua a coleccionar propriedades e, a emprestar as notas a quem se apanha a desejar, comprar-lhe as botas que ele vende e que se usam em Paris.
A história do antepassado destemido que a mandara construir, passava de pais para filhos e, à medida que ia sendo contada, adquiria novos contornos. Um ou outro acontecimento podia desaparecer ou nascer, consoante a imaginação de cada um, a geração e o jeito que esse retoque poderia dar no momento.
A casa, com a frente virada ao mar, implantada em terreno fértil, tinha nas traseiras hortas e pomares que confinavam com bosques e matas espalhadas por montes e serranias que, adquiriam tonalidades quase mágicas. ...Um sítio, em que qualquer um poderia viver feliz, não fora a volúvel tonteria de querer ter a garantia, de poder chegar, justamente ao lugar em que não se está, de vir a ter o que não se tem e, por aí além...
Um dia, chegou-lhes ao lugar, um artista... um verdadeiro ilusionista, com uma mala cheia de truques e magias a que ninguém resistiu...
Começou por lhes falar do saldo contabilistico e do saldo disponível...
Explicou-lhe o que era um número negatívo... uma conta a descoberto e as suas respectivas alcavalas, um cheque, uma comissão de atraso, um imposto do selo, uns juros sobre o empréstimo, uma compra com o dinheiro que se presume poder vir a ganhar...
Falou-lhes de conceitos e pôs-lhes notas na mão em troca de espaço no lugar. ...Na prática, comprou uma concessão, para explorar potencialidades com que nunca tinham sonhado! Montou uma banca, atirou um foguete ao ar e deu-lhes a provar salmão de tanques longuínquos, doce de morango com sabor a banana, água com várias cores e sabores, frutas lustrosas e sem bicho, ensinou-lhes regras novas para jogar à cabra cega, ao toca e foge... e, instalou nas traseiras - lá no lugar -, uma fábrica de fazer dinheiro em que pôs todos a trabalhar!
Pagava-lhes com notas e, em troca destas, tanto lhes vendia botas que se usavam em Paris, como o salmão que lhes tinha dado a provar ou, relógios da China que davam música... e, em momentos de maior amargura, adoçava-lhes a boca com doces de uma fruta que sabia a outra!...
Ensinou-lhes o que era o PIB, deu-lhes um cartão e atribuiu a cada um um NIB, promoveu os mais velhos e influentes a VIP, explicou a todos as virtudes do caviar fazendo-lhes crescer água na boca e, quando lho quiseram comprar, concedeu empréstimos celebrados em papel timbrado, contra hipotecas de parcelas da propriedade...
Entretanto, cada vez menos gente amanhava a terra! Chegavam a casa, cansados de dar à manivela na máquina de fazer notas e, por outro lado, em função dos preços a que o ilusionista lhes vendia os produtos que arranjava noutros lugares, tinha deixado de ser rentável fazer o que quer que fosse, para além de trabalhar nesta nova actividade tão lucrativa... De qualquer modo, os terrenos, cada vez mais sobrecarregados de detritos, produtos tóxicos, restos de tintas usadas na feituras das notas... tornaram-se estéreis e, à medida que a fábrica se expandia, o espaço que restava mal dava, para plantar uma couve que fosse!
Uma tarde de pescaria começou a revelar-se impossível, por falta de tempo - que era todo tomado a trabalhar, para pagar juros, comissões e prestações da hipoteca - e, na verdade, ao preço que o salmão lhes chegava à mão, compensava muito mais comprarem-no ao ilusionista, do que pescarem robalos no mar e apresentá-los no prato grelhados... particularmente aos miúdos, que só de os verem ficavam enjoados e infelizes, depois de terem ouvido o ilusionista falar, nas delícias do mar, sem espinhas, feitas de farinhas nutritivas com sabor a lagosta suada e com forma de monstros divertidos.
O simples e antigo ritual de apanhar frutos do bosque, caiu em desuso, perante a oferta das suas polpas finas, açucaradas, vendidas em embalagens atractivas coloridas, com as quais se desenrolavam vários sorteios.
Um dia... o ilusionista, que na prática se tornara em quem mandava, por ter ficado na posse do terreno a ele hipotecado, importou uma máquina de fazer notas semi-automática e, mandou para casa metade dos trabalhadores que se viram forçados a pedir dinheiro emprestado para pagar as dívidas que tinham criado enquanto tinham trabalhado a dar à manivela, mas, como já não estavam inscritos, viram os seus pedidos recusados e os seus cartões outrora dourados foram por magia transformados em pó!... Ficaram sem NIB, deixaram de ser VIP e nunca mais puderam comprar salmão vindo de tanques distantes, ou sumo de laranja a saber a framboesa...
A família, começou a olhá-los de lado, porque a bem dizer... desempregados e mal habituados, eram um fardo! Eles, viram-se forçados a entrar num programa de reciclagem instituído pelo artista, em que aprendiam a não existir e no qual foram bem sucedidos!
Em menos de nada, graças aos avanços tecnológicos, a máquina semi-automática foi substituída por uma outra, totalmente automática e todos os membros daquela família, ingressaram nesse programa de reciclagem, com excelente aproveitamento!
Hoje, embora o lugar esteja muito degradado, tóxico e viscoso, a produção de notas duplicou e a economia do lugar é das mais fortes do mundo! Quanto à antiga família, se bem que se saiba que andam por ali, não são vistos, nem tidos... nem achados...
Quanto ao resto, tudo está entregue a uma máquina, altamente sofisticada que faz notas como que por artes mágicas e, o ilusionista, continua a coleccionar propriedades e, a emprestar as notas a quem se apanha a desejar, comprar-lhe as botas que ele vende e que se usam em Paris.
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