Por môr de quem, é que um médico que passa receitas com a comparticipação do estado, pode continuar a optar por receitar medicamentos de marca; duas, três e quatro vezes mais caras do que o genérico?
Se a esmagadora maioria dos utentes, não entende muito bem o que é um genérico, já o mesmo não se passará com os responsáveis pela gestão dos dinheiros públicos que, neste caso, continuam a engordar multinacionais farmacêuticas.
Eu cá para mim, 500mg de amoxicilina, são 500mg de amoxicilina e prontos! ...Independentemente da marca que lhe quizerem pôr. ...E não me venham cá com estórias de que... ah, mas é que... e não sei quê que mais... é que a fiabilidade... e tal...
Se os genéricos estão falsificados, estamos a ser enganados e a coisa deveria de ser tornada pública de vez. Se não estão falsificados, estamos a ser enganados também!
Então, mas tá tudo parvo, há medinho de beliscar multinacionais poderosas ou, há interesses inconfessáveis?
Este é um espaço sem meta e sem rumo estabelecido. É fruto deste tempo em que cada vez mais de nós sabem muito de pouca coisa, muitos, sabem de tudo pouco e alguns, nos dizem o que havemos de pensar.
quinta-feira, junho 29, 2006
quinta-feira, junho 22, 2006
Um congressista bem intencionado
Foi relutante que subiu ao palanque. De lá, muitos tinham já botado discurso, denunciado e dado corpo a problemas, lançado alertas e suspeitas, criado polémicas... e, se um ou outro não o tinha feito à toa, a maioria limitara-se a escolher algo que no momento lhe parecia errado, encontrar um pressuposto culpado, apontar as baterias, e vai de o desancar sem dó nem piedade, através de exercícios de oratória que mascaravam frustrações e alimentavam a vaidade. Alguns ainda, mais ladinos, tinham na manga objectivos e ambições inconfessáveis, pelo que utilizavam uma retórica hipócrita, procurando levar a àgua a um moinho pequenino, que tinham no umbigo.
Subia hesitante, cheio de dúvidas nos princípios e conceitos herdados, espartilhado entre correntes, teorias e doutrinas e, se por um lado pretendia cultivar a humildade, a honestidade e a verdade, por outro desconfiava que essa sua pretensão pudesse não passar de presunção e no fundo fosse apenas uma forma de ocultar impotência e mediocridade.
Daí a relutância em subir e falar o que quer que fosse, de definir objectivos, traçar planos ou estabelecer prioridades. Tudo, por medo que algo pudesse dar para o torto ou até de se ver caido em tentação e ser apanhado a partir, a repartir e a servir-se da melhor parte, escudado na comum necessidade de não ser um parvalhão e acusado de falta de arte!
Era grande a tentação de não subir, quase tão grande como a vontade de mudar a realidade em que se via mergulhado e que, o incomodava e chegava a ferir em sítios fundos que não sabia definir.
Ainda assim subia, gostava de pensar que assumia risco! Subia, sem saber que uma multidão contratada por profissionais do ramo, marcava presença e se dispunha a demonstrar um vivo interesse em ouvir e apoiar o que quer que fosse dito. ...Uns para pagar ou obter favores, outros mais simplesmente em troca de um almoçinho, de uns copos de vinho, um dinheirinho... todos, se dispunham a acenar bandeirinhas, ovacionar, entoar palavras de ordem bem colocadas por profissionais cada vez mais especializados e competentes!
Discurso feito, espalhada a esperança, haveria gente que em troca dela e por se entender dela necessitada, se encarregaria de o levar em ombros a troco de nada, bradando aos sete ventos que era ele o salvador, o herói de que todos precisavam. ...Assim ele se empolgasse e deixasse fluir boca fora o que os especialistas contratados por quem na sombra o apoiava, lhe tinham injectado nas veias, reunião após reunião, congresso após congresso, palavra por palavra, através de métodos científicos modernos, com excelentes resultados comprovados.
Subia hesitante... mas à medida que subia e ouvia a multidão orquestrada a entoar o seu nome cada vez mais alto, deixou-se invadir por uma inebriante euforia que, como que por magia o tornou determinado.
Vencidas as dúvidas, limpo o picárro com que se chama a atenção a quem cabe ouvir, lançou-se delirante e apaixonado num discurso em que se dispôs a prometer, tudo o que quem o tinha feito subir tinha programado!...
Mais tarde, quando a culpa das promessas não terem sido cumpridas lhe caíu em cima e o tapete lhe foi retirado à medida que por necessidades estratégicas um novo personagem ia sendo promovido e incitado a subir ao palanque... ficou danado! Não fosse a fatia com que à cautela - enquanto partia e repartia - tinha ficado, e tinha dado o tempo por mal empregue. Assim, tirou umas férias para reflectir e preparar o regresso na pele de um novo personagem.
Subia hesitante, cheio de dúvidas nos princípios e conceitos herdados, espartilhado entre correntes, teorias e doutrinas e, se por um lado pretendia cultivar a humildade, a honestidade e a verdade, por outro desconfiava que essa sua pretensão pudesse não passar de presunção e no fundo fosse apenas uma forma de ocultar impotência e mediocridade.
Daí a relutância em subir e falar o que quer que fosse, de definir objectivos, traçar planos ou estabelecer prioridades. Tudo, por medo que algo pudesse dar para o torto ou até de se ver caido em tentação e ser apanhado a partir, a repartir e a servir-se da melhor parte, escudado na comum necessidade de não ser um parvalhão e acusado de falta de arte!
Era grande a tentação de não subir, quase tão grande como a vontade de mudar a realidade em que se via mergulhado e que, o incomodava e chegava a ferir em sítios fundos que não sabia definir.
Ainda assim subia, gostava de pensar que assumia risco! Subia, sem saber que uma multidão contratada por profissionais do ramo, marcava presença e se dispunha a demonstrar um vivo interesse em ouvir e apoiar o que quer que fosse dito. ...Uns para pagar ou obter favores, outros mais simplesmente em troca de um almoçinho, de uns copos de vinho, um dinheirinho... todos, se dispunham a acenar bandeirinhas, ovacionar, entoar palavras de ordem bem colocadas por profissionais cada vez mais especializados e competentes!
Discurso feito, espalhada a esperança, haveria gente que em troca dela e por se entender dela necessitada, se encarregaria de o levar em ombros a troco de nada, bradando aos sete ventos que era ele o salvador, o herói de que todos precisavam. ...Assim ele se empolgasse e deixasse fluir boca fora o que os especialistas contratados por quem na sombra o apoiava, lhe tinham injectado nas veias, reunião após reunião, congresso após congresso, palavra por palavra, através de métodos científicos modernos, com excelentes resultados comprovados.
Subia hesitante... mas à medida que subia e ouvia a multidão orquestrada a entoar o seu nome cada vez mais alto, deixou-se invadir por uma inebriante euforia que, como que por magia o tornou determinado.
Vencidas as dúvidas, limpo o picárro com que se chama a atenção a quem cabe ouvir, lançou-se delirante e apaixonado num discurso em que se dispôs a prometer, tudo o que quem o tinha feito subir tinha programado!...
Mais tarde, quando a culpa das promessas não terem sido cumpridas lhe caíu em cima e o tapete lhe foi retirado à medida que por necessidades estratégicas um novo personagem ia sendo promovido e incitado a subir ao palanque... ficou danado! Não fosse a fatia com que à cautela - enquanto partia e repartia - tinha ficado, e tinha dado o tempo por mal empregue. Assim, tirou umas férias para reflectir e preparar o regresso na pele de um novo personagem.
sábado, junho 17, 2006
Um peito cheio de vazio 6
Depois de tudo isto organizado, dividido o mundo em maus e bons para facilitar, pôde finalmente a elite do topo, começar a usufruir de algum lazer e, no entrementes , dedicar-se a sofisticar os meios de controlo para que tudo continuasse da melhor forma com um esforço cada vez menor.
Inventaram a muralha, a fronteira, o imposto, a moeda, o cunho, a multa e a pena, o pecado a confissão e a absolvição, da moca evoluiram para o canhão, para o agente de informação, o especialista em especulação, o cobrador de fraque... enfim, uma revolução que, se convenceram e apregoaram, de muito prática e de grande utilidade.
Entretanto, desse subgrupo da maioria - essa minoria tresloucada de que foram recrutados os soldados, os fiscais, os representantes legais e todos os outros que por terem na mira poleiros em lugares destacados, se tornaram capazes de seguir códigos e condutas de fazer arrepiar -, sobrou uma gente que se revelou impossível de ser seduzida, por melhores que fossem as promessas ou mais brilhantes os mundos e fundos apregoados! Avessos a este progresso, recusaram as condições de acesso e, não só não aceitaram licenças para cobrar impostos, como se recusaram a pagá-los! Diziam-se capazes de enfrentar o medo, teimavam em andar em bolandas em busca de melhor forma de vida e, não contentes com isso, insistiam em defender a maioria a que diziam pertencer, sem se importarem se ela queria ou não ser defendida. Afirmavam que era ingénua, e que, por ter vindo a ser embalada com canções do bandido e hipnotizada com néons de todas as cores... representava um perigo e não se encontrava capaz de decidir o que quer que fosse!
Teimosos, em vez de uma vida estável e tranquila, do usufruto de uma ração de subsistência que, embora pequena, lhes poderia vir parar à mão em troca de cooperação, esta gente renitente em aceitar as facilidades oferecidas, insistia na busca de melhor sorte, saltava cercas, fronteiras e muros que delimitavam zonas interditas com que não se conformavam, e arriscavam ser apanhados em finas teias fabricadas pelos próprios familiares e amigos, pelos compadres e, claro, por gente sem rosto... mandatários e mandados, carrascos e vítimas... uns e outros, movidos por medo e ambição.
Nessas jornadas atribuladas, nesses caminhos desconhecidos em que deambulavam para manterem a rédia larga, não raro, davam por si em zonas francas, bem para lá do que a vista alcançava (uma espécie de off shores desse tempo..), e ficavam embascacados com a facilidade com que se conseguia lá operar e retirar uma boa mais valia, pactuando com essa espécie de regime, esse submundo, que sem dúvida existia, sob um manto nebulosos de estranhas regras inventadas por quem tinha a faca e o queijo na mão e, como é bom de ver... interesse nisso! Mas, a maior parte das vezes, no dobrar de cada esquina, a coisa fiava fino e viam-se obrigados a botar sebo nas canelas e a largarem-se a bom correr. Faziam-se à travessia de desertos ou lançavam-se silvados adentro, sem escolher para onde iam e sem ligar aos estragos que essas fugidas lhes causavam na farpela, porque assim não sendo, o mais certo... era verem-se metidos num circo em que, enjaulados e amestrados à força de fome e chicote, pudessem servir de exemplo!... Seja lá pelo que fosse, há muito que ninguém lhes põe a vista em cima e, se uns acham que eles estão extintos, outros, preferem especular sobre embuçados e seitas secretas que se movem nas sombras em busca de iluminados.
Continua.
Inventaram a muralha, a fronteira, o imposto, a moeda, o cunho, a multa e a pena, o pecado a confissão e a absolvição, da moca evoluiram para o canhão, para o agente de informação, o especialista em especulação, o cobrador de fraque... enfim, uma revolução que, se convenceram e apregoaram, de muito prática e de grande utilidade.
Entretanto, desse subgrupo da maioria - essa minoria tresloucada de que foram recrutados os soldados, os fiscais, os representantes legais e todos os outros que por terem na mira poleiros em lugares destacados, se tornaram capazes de seguir códigos e condutas de fazer arrepiar -, sobrou uma gente que se revelou impossível de ser seduzida, por melhores que fossem as promessas ou mais brilhantes os mundos e fundos apregoados! Avessos a este progresso, recusaram as condições de acesso e, não só não aceitaram licenças para cobrar impostos, como se recusaram a pagá-los! Diziam-se capazes de enfrentar o medo, teimavam em andar em bolandas em busca de melhor forma de vida e, não contentes com isso, insistiam em defender a maioria a que diziam pertencer, sem se importarem se ela queria ou não ser defendida. Afirmavam que era ingénua, e que, por ter vindo a ser embalada com canções do bandido e hipnotizada com néons de todas as cores... representava um perigo e não se encontrava capaz de decidir o que quer que fosse!
Teimosos, em vez de uma vida estável e tranquila, do usufruto de uma ração de subsistência que, embora pequena, lhes poderia vir parar à mão em troca de cooperação, esta gente renitente em aceitar as facilidades oferecidas, insistia na busca de melhor sorte, saltava cercas, fronteiras e muros que delimitavam zonas interditas com que não se conformavam, e arriscavam ser apanhados em finas teias fabricadas pelos próprios familiares e amigos, pelos compadres e, claro, por gente sem rosto... mandatários e mandados, carrascos e vítimas... uns e outros, movidos por medo e ambição.
Nessas jornadas atribuladas, nesses caminhos desconhecidos em que deambulavam para manterem a rédia larga, não raro, davam por si em zonas francas, bem para lá do que a vista alcançava (uma espécie de off shores desse tempo..), e ficavam embascacados com a facilidade com que se conseguia lá operar e retirar uma boa mais valia, pactuando com essa espécie de regime, esse submundo, que sem dúvida existia, sob um manto nebulosos de estranhas regras inventadas por quem tinha a faca e o queijo na mão e, como é bom de ver... interesse nisso! Mas, a maior parte das vezes, no dobrar de cada esquina, a coisa fiava fino e viam-se obrigados a botar sebo nas canelas e a largarem-se a bom correr. Faziam-se à travessia de desertos ou lançavam-se silvados adentro, sem escolher para onde iam e sem ligar aos estragos que essas fugidas lhes causavam na farpela, porque assim não sendo, o mais certo... era verem-se metidos num circo em que, enjaulados e amestrados à força de fome e chicote, pudessem servir de exemplo!... Seja lá pelo que fosse, há muito que ninguém lhes põe a vista em cima e, se uns acham que eles estão extintos, outros, preferem especular sobre embuçados e seitas secretas que se movem nas sombras em busca de iluminados.
Continua.
domingo, junho 11, 2006
Um peito cheio de vazio 5
Para levarem a cabo a coisa, quer dizer... para se manterem no topo, apoiaram-se precisamente nos que a fome e as carências tinham tornado menos escrupulosos, mais afoitos e perigosos, e que, por isso, eram a razão daquele incómodo constante.
Chamaram-nos à parte e, com um discurso demagógico aveludado, encheram-lhes os ouvidos de metáforas que falavam de sapos transformados em príncipes, gatas borralheiras escanzeladas preferidas a princesas ricas e roliças, taludas desencantadas no desespero das bolsas necessitadas, camelos a passar pelo buraco de uma agulha, nuvens fofinas cheias de virgens... e, com promessas quixotescas da entrega de reinos distantes para todo o sempre, ofereceram-lhes formação no manejo da moca, entregaram-lhes fardas e, em troca de total e incondicional dedicação às causas intrínsecas, garantiram-lhes uma ração diària reforçada, com sobras da primeira escolha. Em seguida, numa cerimónia bem composta, pensada ao promenor para exarcebar o orgulho e alimentar a vaidade, investiram-nos em postos de prestígio garantido, entregaram-lhes couraças, distribuiram medalhas, fizeram deles guardas, descobridores especializados na busca do que açambarcar, guerreiros e conquistadores que entravam a matar para tomar posse, vendedores de golinhos de àgua a preço de ouro nos desertos, e, aos mais fuinhas, transformaram-nos em fiscais, com a missão de apresentarem relatórios detalhados sobre o desempenho dos outros!
Aos mais ladinos, acharam por bem mantê-los ocupados no fio da navalha, na linha da frente, em duras missões de alto risco que, de tal modo exigiam acção e total concentração, que não permitiam pensar e por isso arquitectar o que quer que fosse...
Todos (de primeira, de segunda, ou rasos), recebiam a ração, conforme a prestação.
...Prestada a vassalagem, tornadas inquestionáveis as ordens superiores que os libertavam da culpa das barbaridades que iam cometendo, recebida a garantia de mundos e fundos, de vantagens transcendentes em acções e combates que se dispuseram a levar a cabo contra quem e onde quer que fosse, tomou forma uma classe, disposta a avançar conduzida e sem pensar, num nunca mais acabar de conquistas, quais fiéis em guerras santas com os olhos postos nos saques.
Investidos nesses cargos, passaram a construir a realidade com todo o à-vontade e, com base na crença adoptada de que "o mal", era com certeza o resultado da obra do Diabo,
enjeitavam qualquer responsabilidade no que pudesse dar para o torto! Ainda assim, se a coisa não lhes corresse de feição, tinham como recurso, uma série de rituais para utilizar segundo as necessidades e, orientados por especialistas, podiam sempre aceder a um Deus supremo e pedir para interceder e colocar as coisas, no lugar!
Em troca de um sacrifício, feita que fosse uma promessa, entoada cabeça baixa uma ladainha... era esperada com certeza, boa sorte para levar a cabo um massacre, com a mesma naturalidade com que se rogava o fim de uma tempestade, de uma doença maléfica ou de uma fase de má sorte!...
A maioria, aquela gente que de tal modo obsecada em se "safar", nunca enjeitou estar de bem com Deus e Com o Diabo, aquela multidão que como um rebanho em busca de erva tenra e fresca, passa a rapar sem parar ou pensar e, que sem saber porquê acredita não ter nada a ver com nada e gosta de balir... aderiu, muito bem a este estado de coisas.
Sumissa, no encalço de benefícios, aceitou cada ultraje, cada pedaço de sofrimento, cada violação ao recôndito mais casto da alma... e, era vê-la, a trocar sacrifícios por mais valias, confissões por perdões, acções por intensões...
Aderiram, também, não fosse serem confundidos com inimigos e, entendidos como infiéis, encostados à parede e varados lado a lado sem piedade.
Continua
Chamaram-nos à parte e, com um discurso demagógico aveludado, encheram-lhes os ouvidos de metáforas que falavam de sapos transformados em príncipes, gatas borralheiras escanzeladas preferidas a princesas ricas e roliças, taludas desencantadas no desespero das bolsas necessitadas, camelos a passar pelo buraco de uma agulha, nuvens fofinas cheias de virgens... e, com promessas quixotescas da entrega de reinos distantes para todo o sempre, ofereceram-lhes formação no manejo da moca, entregaram-lhes fardas e, em troca de total e incondicional dedicação às causas intrínsecas, garantiram-lhes uma ração diària reforçada, com sobras da primeira escolha. Em seguida, numa cerimónia bem composta, pensada ao promenor para exarcebar o orgulho e alimentar a vaidade, investiram-nos em postos de prestígio garantido, entregaram-lhes couraças, distribuiram medalhas, fizeram deles guardas, descobridores especializados na busca do que açambarcar, guerreiros e conquistadores que entravam a matar para tomar posse, vendedores de golinhos de àgua a preço de ouro nos desertos, e, aos mais fuinhas, transformaram-nos em fiscais, com a missão de apresentarem relatórios detalhados sobre o desempenho dos outros!
Aos mais ladinos, acharam por bem mantê-los ocupados no fio da navalha, na linha da frente, em duras missões de alto risco que, de tal modo exigiam acção e total concentração, que não permitiam pensar e por isso arquitectar o que quer que fosse...
Todos (de primeira, de segunda, ou rasos), recebiam a ração, conforme a prestação.
...Prestada a vassalagem, tornadas inquestionáveis as ordens superiores que os libertavam da culpa das barbaridades que iam cometendo, recebida a garantia de mundos e fundos, de vantagens transcendentes em acções e combates que se dispuseram a levar a cabo contra quem e onde quer que fosse, tomou forma uma classe, disposta a avançar conduzida e sem pensar, num nunca mais acabar de conquistas, quais fiéis em guerras santas com os olhos postos nos saques.
Investidos nesses cargos, passaram a construir a realidade com todo o à-vontade e, com base na crença adoptada de que "o mal", era com certeza o resultado da obra do Diabo,
enjeitavam qualquer responsabilidade no que pudesse dar para o torto! Ainda assim, se a coisa não lhes corresse de feição, tinham como recurso, uma série de rituais para utilizar segundo as necessidades e, orientados por especialistas, podiam sempre aceder a um Deus supremo e pedir para interceder e colocar as coisas, no lugar!
Em troca de um sacrifício, feita que fosse uma promessa, entoada cabeça baixa uma ladainha... era esperada com certeza, boa sorte para levar a cabo um massacre, com a mesma naturalidade com que se rogava o fim de uma tempestade, de uma doença maléfica ou de uma fase de má sorte!...
A maioria, aquela gente que de tal modo obsecada em se "safar", nunca enjeitou estar de bem com Deus e Com o Diabo, aquela multidão que como um rebanho em busca de erva tenra e fresca, passa a rapar sem parar ou pensar e, que sem saber porquê acredita não ter nada a ver com nada e gosta de balir... aderiu, muito bem a este estado de coisas.
Sumissa, no encalço de benefícios, aceitou cada ultraje, cada pedaço de sofrimento, cada violação ao recôndito mais casto da alma... e, era vê-la, a trocar sacrifícios por mais valias, confissões por perdões, acções por intensões...
Aderiram, também, não fosse serem confundidos com inimigos e, entendidos como infiéis, encostados à parede e varados lado a lado sem piedade.
Continua
quinta-feira, junho 08, 2006
Um peito cheio de vazio 4
Temos por isso que, enquanto uns poucos contestavam, penetravam em feudos de onde às escondidas sacavam o que podiam, e que para além disso ainda aliciavam a maioria para se lhes juntar, por outro lado, essa maioria que confundia a humildade com a subserviência e que, pela sua natureza se dispunha a fazer o que lhe parecia o melhor para sobreviver e se contentava em usufruir das sobras, sentia-se realizada em sonhar com castelos no ar e aceitava perfeitamente, que muito mais vale um pássaro na mão que dois a voar!
...Por ter ouvido, chegou até a acreditar e a passar de boca em boca, que quanto maior for a miséria em que se viva, maior será a felicidade durante a eternidade! ...Por qualquer razão, talvez em jeito de compensação, isso parecia fazer-lhes sentido!...
Os chefes, se bem que no geral se sentissem regozijados com os resultados conseguidos pelos métodos utilizados - o levantar da moca, o desferir a pancada, o gritar e assustar para gerar medo e enxotar, o cultivar o segredo, o adensar o mistério... -, não se conformavam com a trabalheira a que se viam obrigados, para continuar a conquistar e a manter, o poder em mão fechada! Frustrados, por não se poderem entregar totalmente à parte doce da vida, saturados da necessidade constante de olhar por cima do ombro para proteger a retaguarda, talvez até... ressentidos, feridos no orgulho por derrotas sofridas e saques desabridos levados a cabo por esses revoltados pobres e mal agradecidos... resolveram fazer-lhes face, com uma tàctica inovadora : engendraram uma hierarquia, puseram-se no topo, e distribuiram lugares privilegiados pirâmide a baixo. Os de cima mandavam nos outros, e os mais baixos de todos, que não mandavam em nada e suportavam toda a estrutura, cumpriam o que lhes era ordenado com a garantia de tudo ter já sido, muito bem pensado. E isto, veio a revelar-se um enorme sucesso.
Continua.
...Por ter ouvido, chegou até a acreditar e a passar de boca em boca, que quanto maior for a miséria em que se viva, maior será a felicidade durante a eternidade! ...Por qualquer razão, talvez em jeito de compensação, isso parecia fazer-lhes sentido!...
Os chefes, se bem que no geral se sentissem regozijados com os resultados conseguidos pelos métodos utilizados - o levantar da moca, o desferir a pancada, o gritar e assustar para gerar medo e enxotar, o cultivar o segredo, o adensar o mistério... -, não se conformavam com a trabalheira a que se viam obrigados, para continuar a conquistar e a manter, o poder em mão fechada! Frustrados, por não se poderem entregar totalmente à parte doce da vida, saturados da necessidade constante de olhar por cima do ombro para proteger a retaguarda, talvez até... ressentidos, feridos no orgulho por derrotas sofridas e saques desabridos levados a cabo por esses revoltados pobres e mal agradecidos... resolveram fazer-lhes face, com uma tàctica inovadora : engendraram uma hierarquia, puseram-se no topo, e distribuiram lugares privilegiados pirâmide a baixo. Os de cima mandavam nos outros, e os mais baixos de todos, que não mandavam em nada e suportavam toda a estrutura, cumpriam o que lhes era ordenado com a garantia de tudo ter já sido, muito bem pensado. E isto, veio a revelar-se um enorme sucesso.
Continua.
sábado, junho 03, 2006
...dasssssse!
O Mundo visto de uma perspectiva, está dividido em dois lugares. Num, parece fazer sentido a lipoaspiração, as cápsulas para queimar calorias, os inibidores de apetite...
No outro, a vida esvai-se por falta de um pouco de água, de um simples prato de farinha...
Talvez por isso, no primeiro, se consumam tantos antidepressivos, ansiolíticos e drogas... para não sentir mal estar, bem dispôr e fazer rir!...
No outro, a vida esvai-se por falta de um pouco de água, de um simples prato de farinha...
Talvez por isso, no primeiro, se consumam tantos antidepressivos, ansiolíticos e drogas... para não sentir mal estar, bem dispôr e fazer rir!...
domingo, maio 28, 2006
A conspiradora
Estava eu a cogitar sobre os meus problemas, com a agenda carregada para o fim de semana, tentando conciliar uma sardinhada com uma mariscada, ralado com a mancha de humidade do canto da sala da casa da cidade, preocupado com a outra mancha que me dizem ser da idade, com a falta de tempo para ir ver todos os filmes que me dizem ser "a não perder", e assistir a europeus, concertos e mundiais... perturbado com umas prestações do jeep em atraso... enfim, uma carrada de problemas... e, quando dei conta, estava numa pilha! Num stress que só visto!... Vai daí, o que é que eu pensei? ...Bom, a coisa está preta... e disse para comigo: Zé Manel, tens de relaxar!...
Ora, uma coisa que me relaxa, é sentar-me um bocadinho em frente ao computador e entreter-me a visitar blogs, ler comentários divertidos que plantam uns nos outros para ganhar amigos, ver as picardias e assim... quando, dou por mim no blog de uma besta (que não tem outro nome!), que, em vez de divertir... não senhor!... Pespega-me com um post que nos remete para um video qualquer (sabe-se lá feito por quem e com que intenção...), sobre o Sudão... e não sei quê... que andam para lá uns dois milhões ao Deus dará, amontoados em campos de refugiados de arrepiar e não sei quê... no meio de dejectos e em que se queimam vivas crianças amontoadas e tal... e que as vítimas são violadas por quadrilhas endoidecidas... e que isto e mais aquilo... e que não se fala mais disso porque o Sudão não interessa a ninguèm (pelo menos para esta doida, parece ter algum interesse!!!...), e pátáti e pátátá... porque se o Sudão tivesse petróleo já os Amaricanos lá estavam a salvar aquela gente.... e que a Condoleza isto... e o Bush aquilo... e que a comunidade internacional é um bando de hipócritas... e que as agências de notícias já não são de informação, e que estão na mão de não sei quem e que só divulgam o que não sei quem quer... e que a ONU está na mão de uma Amaricana... e que o Sudão isto... e que o Iraque assim e o Irão assado, e que o Afeganistão isto... e mais os Amaricanos...
...Olhem... um chorrilho de disparates, um fanatismo alucinado, suportado por imagens que, só podem ser montadas!...
...Se aquilo fosse verdade, era notícia de abertura em todos os telejornais do Mundo! Capa de jornais e revistas e, na rádio, não se falava em mais nada enquanto a coisa não estivesse resolvida! O Sudão, à imagem do Iraque e do Afeganistão, estaria com certeza, cheia de capacetes azuis, forças de segurança Amaricanas para restabelecer a ordem, e nós, claro, já para lá tinhamos mandado forças especiais! ...É, ou não é?!
...Com que direito é que esta besta (que não tem outro nome!), vem poluir este espaço em que a pessoa se pode relaxar e entreter, plantar comentários divertidos em busca de admiradores e amigos, partilhar imagens de quedas e acidentes hilariantes, curiosidades e piadas picantes... e, acima de tudo, rir a bom rir?!
Acaso esta besta (que não tem outro nome!), que anda para aí a perturbar quem tem a vidinha montada e tem de se preocupar com os seus próprios problemas... acaso sabe, que rir dá saúde e que as ralações, nos fazem aparecer rugas e tiram anos de vida?!
Que tem lá ela a ver com o Sudão?! Onde raio é lá isso?! Que direito é que ela tem, de se meter lá nos assuntos deles?! Acaso é ela Amaricana ou da familia do Sudão?! Hum?!...
Se ela se importa tanto com a miséria, porque não vai ao Rock in Rio em Lisboa, e mata dois coelhos com uma só cajadada?
...Agora, por causa daquela tarada, daquela besta (que não tem outro nome!),estou aqui que nem me tenho, com uma sensação estranha, com um nó na garganta que não sei explicar e mesmo sabendo, que tudo aquilo é uma treta de mau gosto, vou ter de tomar um antidepressivo e dois ansiolíticos, senão, não arranjo disposição para ir comer a mariscada e aguentar dar um saltinho à sardinhada!...
Por via das dúvidas, e para que não caiam nas ratoeiras que só pretendem plantar-vos na alma, traiçoeiras sementes de indignação, sinto-me obrigado a vos mostrar, como esta gente actua para perturbar a paz e o bom viver! Ide... ide ver, aqui. Mas não vos esqueceis... dai de fuga quanto antes para não virem a sentir sensações estranhas para as quais não há explicação e que só passam com comprimidos que só se vendem com receita médica (ou talvez não!)!
Ora, uma coisa que me relaxa, é sentar-me um bocadinho em frente ao computador e entreter-me a visitar blogs, ler comentários divertidos que plantam uns nos outros para ganhar amigos, ver as picardias e assim... quando, dou por mim no blog de uma besta (que não tem outro nome!), que, em vez de divertir... não senhor!... Pespega-me com um post que nos remete para um video qualquer (sabe-se lá feito por quem e com que intenção...), sobre o Sudão... e não sei quê... que andam para lá uns dois milhões ao Deus dará, amontoados em campos de refugiados de arrepiar e não sei quê... no meio de dejectos e em que se queimam vivas crianças amontoadas e tal... e que as vítimas são violadas por quadrilhas endoidecidas... e que isto e mais aquilo... e que não se fala mais disso porque o Sudão não interessa a ninguèm (pelo menos para esta doida, parece ter algum interesse!!!...), e pátáti e pátátá... porque se o Sudão tivesse petróleo já os Amaricanos lá estavam a salvar aquela gente.... e que a Condoleza isto... e o Bush aquilo... e que a comunidade internacional é um bando de hipócritas... e que as agências de notícias já não são de informação, e que estão na mão de não sei quem e que só divulgam o que não sei quem quer... e que a ONU está na mão de uma Amaricana... e que o Sudão isto... e que o Iraque assim e o Irão assado, e que o Afeganistão isto... e mais os Amaricanos...
...Olhem... um chorrilho de disparates, um fanatismo alucinado, suportado por imagens que, só podem ser montadas!...
...Se aquilo fosse verdade, era notícia de abertura em todos os telejornais do Mundo! Capa de jornais e revistas e, na rádio, não se falava em mais nada enquanto a coisa não estivesse resolvida! O Sudão, à imagem do Iraque e do Afeganistão, estaria com certeza, cheia de capacetes azuis, forças de segurança Amaricanas para restabelecer a ordem, e nós, claro, já para lá tinhamos mandado forças especiais! ...É, ou não é?!
...Com que direito é que esta besta (que não tem outro nome!), vem poluir este espaço em que a pessoa se pode relaxar e entreter, plantar comentários divertidos em busca de admiradores e amigos, partilhar imagens de quedas e acidentes hilariantes, curiosidades e piadas picantes... e, acima de tudo, rir a bom rir?!
Acaso esta besta (que não tem outro nome!), que anda para aí a perturbar quem tem a vidinha montada e tem de se preocupar com os seus próprios problemas... acaso sabe, que rir dá saúde e que as ralações, nos fazem aparecer rugas e tiram anos de vida?!
Que tem lá ela a ver com o Sudão?! Onde raio é lá isso?! Que direito é que ela tem, de se meter lá nos assuntos deles?! Acaso é ela Amaricana ou da familia do Sudão?! Hum?!...
Se ela se importa tanto com a miséria, porque não vai ao Rock in Rio em Lisboa, e mata dois coelhos com uma só cajadada?
...Agora, por causa daquela tarada, daquela besta (que não tem outro nome!),estou aqui que nem me tenho, com uma sensação estranha, com um nó na garganta que não sei explicar e mesmo sabendo, que tudo aquilo é uma treta de mau gosto, vou ter de tomar um antidepressivo e dois ansiolíticos, senão, não arranjo disposição para ir comer a mariscada e aguentar dar um saltinho à sardinhada!...
Por via das dúvidas, e para que não caiam nas ratoeiras que só pretendem plantar-vos na alma, traiçoeiras sementes de indignação, sinto-me obrigado a vos mostrar, como esta gente actua para perturbar a paz e o bom viver! Ide... ide ver, aqui. Mas não vos esqueceis... dai de fuga quanto antes para não virem a sentir sensações estranhas para as quais não há explicação e que só passam com comprimidos que só se vendem com receita médica (ou talvez não!)!
quinta-feira, maio 25, 2006
Um homem de sucesso
Homem de família, católico mais ou menos praticante, adepto comedido mas sofredor q.b. de um clube dos maiores, chegara a casa com a sensação do dever cumprido. Como quem limpa o cú a meninos, tinha vendido mais um carrinho. Um veículo com dez anos como novo, pertencente a uma velhinha. Negócio limpo, tinha dado para por a conta a positivo, pagar a prestação em atraso do andar, encher o peito de ar e levar a amante a comer uma mariscada! ...Num toma lá dá cá, tinha safado a vidinha e fodido mais um amigo!...
segunda-feira, maio 22, 2006
Um peito cheio de vazio 3
Orgulhosos das façanhas que foram descobrindo serem capazes, ganharam confiança, emergiram, e tornaram-se chefes de uma tribo despojada que, cada vez mais raquítica de sedenta e esfomeada, se agrupou à distancia que o medo lhes permitiu e, aceitou resignada ter sido arredada do que sempre julgara pertencer a toda a gente.
Ainda hoje não se sabe, se foi a necessidade, a cobardia ou a estupidez, que fez esta tribo desenvolver a arte de adular, respeitar e admirar quem a pisa e subjuga!...
Ainda hoje há quem pergunte, que raio se terá passado, para que tenha vindo a aceitar levar no lombo, e aguardar pacatamente cheia de esperança, uma oportunidade para enganar as tripas, com as parcas sobras lançadas do topo...
À medida que as fortunas foram crescendo, a miséria foi graçando. ...No seio dos espoliados, despontaram pequenos grupos de gente revoltada, alucinados pelas carências, autenticos focos infecciosos que irritavam, debilitavam o sistema e se recusavam a prestar vassalagem. ...Insistindo não terem nada a perder, dispunham-se constantemente a avançar, em mais ou menos tímidas pilhagens, aceitando o risco de ver rachada a cabeça como um preço a pagar, por uma vida mais airada!
Ora... isto, exigia à gente do topo (que punha e dispunha e que sem pejo se servia do que havia conforme entendia...), um alerta constante!...
Viram-se forçados, a instituir rondas diligentes com a moca ao ombro para impressionar e dissuadir, para mandar abaixo e quiçá até, destruir, quem, lhe viesse à ideia sair da linha e desafiar o destino.
Não raro porém, um ou outro membro desta elíte - menos hábil no manejo da moca, ou mais molengo de tão cheio dos banquetes -, foi botado abaixo à mão, por um destes grupos de famintos desvairados que, para além de procurarem por todos os meios, evitar andar a mando dos que chamavam de brutos, ainda incitavam os compadres a se lhes juntarem e, a fazerem também sua aquela luta que, claro, achavam justa, tendo em conta a posição em que se encontravam e de onde olhando, viam: uns, fartos com demasiado, e os outros, que de tão vazios e carentes, nem conseguiam digerir o que se lhes dava!...
Segue, Um peito cheio de vazio 4.
Ainda hoje não se sabe, se foi a necessidade, a cobardia ou a estupidez, que fez esta tribo desenvolver a arte de adular, respeitar e admirar quem a pisa e subjuga!...
Ainda hoje há quem pergunte, que raio se terá passado, para que tenha vindo a aceitar levar no lombo, e aguardar pacatamente cheia de esperança, uma oportunidade para enganar as tripas, com as parcas sobras lançadas do topo...
À medida que as fortunas foram crescendo, a miséria foi graçando. ...No seio dos espoliados, despontaram pequenos grupos de gente revoltada, alucinados pelas carências, autenticos focos infecciosos que irritavam, debilitavam o sistema e se recusavam a prestar vassalagem. ...Insistindo não terem nada a perder, dispunham-se constantemente a avançar, em mais ou menos tímidas pilhagens, aceitando o risco de ver rachada a cabeça como um preço a pagar, por uma vida mais airada!
Ora... isto, exigia à gente do topo (que punha e dispunha e que sem pejo se servia do que havia conforme entendia...), um alerta constante!...
Viram-se forçados, a instituir rondas diligentes com a moca ao ombro para impressionar e dissuadir, para mandar abaixo e quiçá até, destruir, quem, lhe viesse à ideia sair da linha e desafiar o destino.
Não raro porém, um ou outro membro desta elíte - menos hábil no manejo da moca, ou mais molengo de tão cheio dos banquetes -, foi botado abaixo à mão, por um destes grupos de famintos desvairados que, para além de procurarem por todos os meios, evitar andar a mando dos que chamavam de brutos, ainda incitavam os compadres a se lhes juntarem e, a fazerem também sua aquela luta que, claro, achavam justa, tendo em conta a posição em que se encontravam e de onde olhando, viam: uns, fartos com demasiado, e os outros, que de tão vazios e carentes, nem conseguiam digerir o que se lhes dava!...
Segue, Um peito cheio de vazio 4.
sábado, maio 13, 2006
Quinto Império
Foram tantas as guerras, os desatinos... tantos os dramas e momentos de dor... que acabaram por se render à evidência da urgência de descobrir caminhos e entender, melhor, o amor!...
Para trás, ficaram confrontos, desencantos, cantos e ilhas, mal entendidos nascidos de histórias mal contadas, equívocos e ressentimentos... cujo significado, de tão puído, se esfumara.
Parecido perdido o tempo... tinham ganho! ...Sobrevivido a batalhas que, se às tantas perderam o sentido, não deixaram de o ter tido.
Investido o que sobrara no afecto, no querer ver a todo o custo o "outro" bem... no projecto que, de tão distante da matéria só a alma o formava... viram crescer uma razão para a vida que os animava e, se numa ou outra encruzilhada se sentiram pobres e perdidos, olhos nos olhos... mãos nas mãos dadas... se descobriram enriquecidos.
Para trás, ficaram confrontos, desencantos, cantos e ilhas, mal entendidos nascidos de histórias mal contadas, equívocos e ressentimentos... cujo significado, de tão puído, se esfumara.
Parecido perdido o tempo... tinham ganho! ...Sobrevivido a batalhas que, se às tantas perderam o sentido, não deixaram de o ter tido.
Investido o que sobrara no afecto, no querer ver a todo o custo o "outro" bem... no projecto que, de tão distante da matéria só a alma o formava... viram crescer uma razão para a vida que os animava e, se numa ou outra encruzilhada se sentiram pobres e perdidos, olhos nos olhos... mãos nas mãos dadas... se descobriram enriquecidos.
terça-feira, maio 09, 2006
Um peito cheio de vazio 2
Tudo terá começado, no preciso momento em que um antepassado longínquo descobriu (dizem uns que por mero acaso, outros que, por desígnios transcendentes), a arte de rachar cabeças com uma simples moca. Essa descoberta, parece ter sido extraordinária!... Surpreendentemente, uma mocada bem aplicada, não só acabava em menos de nada com uma rixa, disputa ou teimosia, como tornava possível a quem desferia a pancada, estabelecer objectivos e fazer cumprir regras, sem mais, nem quês!
Boquiabertos, os membros do pequeno grupo em que a descoberta aconteceu, cedo verificaram a facilidade com que podiam chegar, impôr a presença e até expulsar os outros, dos locais de abundância. E isso, que para além do mais lhes permitiu confortar o estomago a seu belo prazer, como é bom de ver, tornou-os mais fortes e robustos.
Libertos da fome, constataram com agrado terem vindo a ficar com o peito mais cheio, os ossos mais compactos e, um crâneo em que sobressaia uma fronte mais alta e larga, parecia confirmar a superioridade dessa espácie de raça que, dominante, entendia merecer sem favor cada conquista, e via a ambição crescer desmesurada, como um dever.
Boquiabertos, os membros do pequeno grupo em que a descoberta aconteceu, cedo verificaram a facilidade com que podiam chegar, impôr a presença e até expulsar os outros, dos locais de abundância. E isso, que para além do mais lhes permitiu confortar o estomago a seu belo prazer, como é bom de ver, tornou-os mais fortes e robustos.
Libertos da fome, constataram com agrado terem vindo a ficar com o peito mais cheio, os ossos mais compactos e, um crâneo em que sobressaia uma fronte mais alta e larga, parecia confirmar a superioridade dessa espácie de raça que, dominante, entendia merecer sem favor cada conquista, e via a ambição crescer desmesurada, como um dever.
quarta-feira, maio 03, 2006
Mea culpa
Num dos poucos momentos que tenho tido livres para bloggar, fui, de blog em blog, dar a um post do Alien's Corner que, alertava para o facto de que quem tem um blog, tem um mínimo de obrigação de o actualizar! A razão principal que me fez cair em mim e dar a torcer o braço, é que, quem nos visita e não é avisado da nossa indisponibilidade para blogar, anda a clicar em vão... sem necessidade!... Muito mais valia avisar da interrupção, com ou sem explicação! Coisa simples esta! Mas, confesso, nunca tinha olhado para a coisa por esse lado! Por isso, peço desculpas.
...Já agora, vou contar a história de um homem, com o peito cheio de vazio:
Uns diziam que ele nascera em berço de ouro, outros, que fora com o rabo virado para a lua!
Fosse como fosse, o certo é que crescera feito senhor de propriedades, capacidades e saberes superiores e que, sem saber como, se encontrou servo de um Deus herdado que, se bem que não entendesse ou sequer lhe servisse para reflectir sobre a sua essência, ainda assim lhe chegava para acreditar ter sido O escolhido e nessa condição ter nascido, com o destino traçado, protegido, em qualquer sentido e a toda a hora inspirado, por forma a cumprir a senda que, no seu magnânimo entender era a razão da sua vida; conduzir a populaça, mantê-la mansa e ordenada.
Com base numa crença antiga, numa cantiga que fala de filhos legítimos e de bastardos, assumia ser o justo herdeiro dos tesouros conseguidos pelos seus antepassados; bárbaros guerreiros, macumbeiros, poderosos feiticeiros, ilusionistas, gente... que recorrendo a artes e maroscas, foi saindo dos terrenos pantanosos e, avançando trevas fora, lhe tornava agora possível feitos, voltas e truques, que deixavam de olhos tortos quem o fixava, e deixavam para trás quem o quizesse acompanhar!...
Segue, "Um peito cheio de vazio" 2.
...Já agora, vou contar a história de um homem, com o peito cheio de vazio:
Uns diziam que ele nascera em berço de ouro, outros, que fora com o rabo virado para a lua!
Fosse como fosse, o certo é que crescera feito senhor de propriedades, capacidades e saberes superiores e que, sem saber como, se encontrou servo de um Deus herdado que, se bem que não entendesse ou sequer lhe servisse para reflectir sobre a sua essência, ainda assim lhe chegava para acreditar ter sido O escolhido e nessa condição ter nascido, com o destino traçado, protegido, em qualquer sentido e a toda a hora inspirado, por forma a cumprir a senda que, no seu magnânimo entender era a razão da sua vida; conduzir a populaça, mantê-la mansa e ordenada.
Com base numa crença antiga, numa cantiga que fala de filhos legítimos e de bastardos, assumia ser o justo herdeiro dos tesouros conseguidos pelos seus antepassados; bárbaros guerreiros, macumbeiros, poderosos feiticeiros, ilusionistas, gente... que recorrendo a artes e maroscas, foi saindo dos terrenos pantanosos e, avançando trevas fora, lhe tornava agora possível feitos, voltas e truques, que deixavam de olhos tortos quem o fixava, e deixavam para trás quem o quizesse acompanhar!...
Segue, "Um peito cheio de vazio" 2.
segunda-feira, abril 24, 2006
Uma discórdia controlada
Ó Stanley Ho, Stanley Ho!... Quanto do teu sal... são lágrimas de Portugal!...
Uma discórdia controlada
Ó Stanley Ho, Stanley Ho!... Quanto do teu sal... são lágrimas de Portugal!...
Uma discórdia controlada
Ó Stanley Ho, Stanley Ho!... Quanto do teu sal... são lágrimas de Portugal!...
sábado, julho 09, 2005
Razões submersas
Sem saber como, foi dar com a imaginação a galope transpirando libido. Solta, ia dando corpo a saudades, dos seios aveludados em que em tempos repousara e se sentira, protegido. Seios, que acariciara sem culpa nem maldade... entregue ao puro gozo a que nesses tempos se permitia.
Sem saber porquê, deu por si constrangido, invadido por culpas sem lhes apanhar o sentido! Em conflito, à cautela, inibiu o impulso, contrariou o instinto e, reforçou a blindagem que lhe permitia viver em conformidade com a moral prevalecente como um homem de sucesso e, se bem que frustrado, ficou mais descansado, mais próximo da certeza de não ser um pervertido daqueles, que lhe habitavam o imaginário.
Protegido assim o Ego, couraçado, retirado dos dentes o freio à besta, partiu duro e frio, disposto a vender caro o seu desprazer, decidido a fazer-se obedecer pelos escravos que mantinha acorrentados para disfarçar instintos de que sem saber porquê, tinha vergonha!
Talvez por isso, de sabre em riste ele era o maior valente, de chicote na mão castigava quem mexia, sem dó ou piedade... na guerra, era um mestre e, no geral, a fazer sofrer é que compensava aquela frustração para a qual não encontrava saida.
À noite, com as mãos ensanguentadas dos crimes que fazia e que, esses sim, a moral prevalecente permitia... programava o futuro. Naquele dia, já tinha decidido... ia fazer rastejar as massas, mandar produzir mais canhões e, a seguir, ia matar leões, antes que se acabassem!... Já que tinha que sofrer, não iria sofrer sozinho!...
Deixava soltar um suspiro e caia docemente no sono como um anjinho, balbuciando: mamã.
Sem saber porquê, deu por si constrangido, invadido por culpas sem lhes apanhar o sentido! Em conflito, à cautela, inibiu o impulso, contrariou o instinto e, reforçou a blindagem que lhe permitia viver em conformidade com a moral prevalecente como um homem de sucesso e, se bem que frustrado, ficou mais descansado, mais próximo da certeza de não ser um pervertido daqueles, que lhe habitavam o imaginário.
Protegido assim o Ego, couraçado, retirado dos dentes o freio à besta, partiu duro e frio, disposto a vender caro o seu desprazer, decidido a fazer-se obedecer pelos escravos que mantinha acorrentados para disfarçar instintos de que sem saber porquê, tinha vergonha!
Talvez por isso, de sabre em riste ele era o maior valente, de chicote na mão castigava quem mexia, sem dó ou piedade... na guerra, era um mestre e, no geral, a fazer sofrer é que compensava aquela frustração para a qual não encontrava saida.
À noite, com as mãos ensanguentadas dos crimes que fazia e que, esses sim, a moral prevalecente permitia... programava o futuro. Naquele dia, já tinha decidido... ia fazer rastejar as massas, mandar produzir mais canhões e, a seguir, ia matar leões, antes que se acabassem!... Já que tinha que sofrer, não iria sofrer sozinho!...
Deixava soltar um suspiro e caia docemente no sono como um anjinho, balbuciando: mamã.
quinta-feira, julho 07, 2005
Continuação 7
Van Gog, chegou a não ter dinheiro para comer e, não fora o apoio do irmão, não teria pintado muito da sua obra! O que ao tempo não tinha qualquer valor, é hoje, disputado por verdadeiras fortunas! ...Que contra senso é este, que leva os homens de "sucesso" (gente com os bolsos a abarrotar de dinheiro), a comprarem por tais quantias as obras pintadas por um "louco", ou, será melhor dizer... por um doente mental?!...
No início do sec XXI, passou-se em Portugal um facto, que ilustra claramente o que pretendo dizer: em cerimónia publica, o Estado, agraciou com uma medalha de mérito, Stanley Hoo, também conhecido como, "o rei dos casinos"! Justamente ao mesmo tempo, evitou receber oficialmente o líder espiritual do povo do Tibete... um Nobel da paz, um homem de inquestionável valor que enriquece quem o ouve!... Ao que parece, o Estado Português, prisioneiro de conjunturas e estratégias políticas e económicas, seguindo absurdas regras diplomáticas, prefere, através do jogo, enriquecer (?!) sugando-se a si próprio e, como se isso não bastasse, concede a quem dá a concessão para o sugar, uma medalha de mérito e, uma bela fatia!...
Factos destes, conduzem-nos á conclusão de que, a par e passo com este progresso que temos vindo a inventar, e, por muitas confissões que façamos, por muitas orações que balbuciemos... o nosso Deus, é, cada vez mais o dinheiro... convencidos de que, com ele, podemos comprar a felicidade e dominar o mundo do qual nos sentimos donos e senhores, ao vê-lo prostrar-se aos nossos pés, quando temos um punhado de notas na mão.
E, ai de quem ousar olhar-nos nos olhos, fazendo-nos frente, dizendo-nos em bicos dos pés, que não se submete ao poder que (presumimos), o dinheiro nos confere!... Essa, é uma das piores afrontas! Perante isso, esquecemos o significado das palavras que balbuciamos mecanicamente nos templos em que oramos pretendendo elevar-nos espiritualmente e, mandamos às urtigas os ensinamentos dos homens a quem chamamos Mestres ou Santos e dizemos querer seguir. Despeitados, dispomo-nos a meter o insolente na ordem e chegamos até a acreditar, estarmos a cumprir desígnios Divinos arrasando-lhe qualquer réstia de altivez ou dignidade e, sem piedade alguma, abandonamo-lo à sua sorte sem pejo (qual castigo/ensinamento), com a consciência de o virmos a encontrar despedaçado, pela máquina poderosa a que, o dinheiro/poder dá acesso.
Tão verdade hoje, como o era na pré-História ou na Idade média, esta realidade, continua a ser fonte de infelicidade e origem de muitas doenças...
Continuamos hoje, como sempre, a querer acreditar em contradições. Por um lado, insistimos em dizer, que o dinheiro não dá felicidade... que a saúde é a maior riqueza... por outro, destruímos a saúde numa luta desgastante, para ganharmos mais e mais dinheiro, na ânsia de não mais precisarmos dele e podermos (um dia) descansar e ser, "boa gente"...
Perseguimos a linha do horizonte que se distancia à velocidade com que nos aproximamos, na vã ilusão de a agarrar... apressados, queremos ir mais longe e, enquanto isso, não desfrutamos do que temos no lugar em que nos encontramos. Cegos para a realidade próxima, insensíveis para com a simplicidade, não vemos, que o excesso é tão nocivo como a carência e, fazemos dessa luta, dessa tonta correria, a razão da nossa vida!
No início do sec XXI, passou-se em Portugal um facto, que ilustra claramente o que pretendo dizer: em cerimónia publica, o Estado, agraciou com uma medalha de mérito, Stanley Hoo, também conhecido como, "o rei dos casinos"! Justamente ao mesmo tempo, evitou receber oficialmente o líder espiritual do povo do Tibete... um Nobel da paz, um homem de inquestionável valor que enriquece quem o ouve!... Ao que parece, o Estado Português, prisioneiro de conjunturas e estratégias políticas e económicas, seguindo absurdas regras diplomáticas, prefere, através do jogo, enriquecer (?!) sugando-se a si próprio e, como se isso não bastasse, concede a quem dá a concessão para o sugar, uma medalha de mérito e, uma bela fatia!...
Factos destes, conduzem-nos á conclusão de que, a par e passo com este progresso que temos vindo a inventar, e, por muitas confissões que façamos, por muitas orações que balbuciemos... o nosso Deus, é, cada vez mais o dinheiro... convencidos de que, com ele, podemos comprar a felicidade e dominar o mundo do qual nos sentimos donos e senhores, ao vê-lo prostrar-se aos nossos pés, quando temos um punhado de notas na mão.
E, ai de quem ousar olhar-nos nos olhos, fazendo-nos frente, dizendo-nos em bicos dos pés, que não se submete ao poder que (presumimos), o dinheiro nos confere!... Essa, é uma das piores afrontas! Perante isso, esquecemos o significado das palavras que balbuciamos mecanicamente nos templos em que oramos pretendendo elevar-nos espiritualmente e, mandamos às urtigas os ensinamentos dos homens a quem chamamos Mestres ou Santos e dizemos querer seguir. Despeitados, dispomo-nos a meter o insolente na ordem e chegamos até a acreditar, estarmos a cumprir desígnios Divinos arrasando-lhe qualquer réstia de altivez ou dignidade e, sem piedade alguma, abandonamo-lo à sua sorte sem pejo (qual castigo/ensinamento), com a consciência de o virmos a encontrar despedaçado, pela máquina poderosa a que, o dinheiro/poder dá acesso.
Tão verdade hoje, como o era na pré-História ou na Idade média, esta realidade, continua a ser fonte de infelicidade e origem de muitas doenças...
Continuamos hoje, como sempre, a querer acreditar em contradições. Por um lado, insistimos em dizer, que o dinheiro não dá felicidade... que a saúde é a maior riqueza... por outro, destruímos a saúde numa luta desgastante, para ganharmos mais e mais dinheiro, na ânsia de não mais precisarmos dele e podermos (um dia) descansar e ser, "boa gente"...
Perseguimos a linha do horizonte que se distancia à velocidade com que nos aproximamos, na vã ilusão de a agarrar... apressados, queremos ir mais longe e, enquanto isso, não desfrutamos do que temos no lugar em que nos encontramos. Cegos para a realidade próxima, insensíveis para com a simplicidade, não vemos, que o excesso é tão nocivo como a carência e, fazemos dessa luta, dessa tonta correria, a razão da nossa vida!
sexta-feira, julho 01, 2005
Três em um
Ao que tudo leva a crer, a biomassa é uma fonte de energia que está a ser desperdiçada e para a aproveitar bastava limpar as matas abandonadas.
A limpeza das matas contribuiria para diminuir o desemprego, os fogos e quiçá, acabar com um negócio de aluger de aeronaves que a mim, me cheira mal.
A limpeza das matas contribuiria para diminuir o desemprego, os fogos e quiçá, acabar com um negócio de aluger de aeronaves que a mim, me cheira mal.
quarta-feira, junho 29, 2005
O circo
O artista, pôs-se em risco sem temor! Dando o corpo ao manifesto, avançou para a pista, sem uma ideia cozinhada, uma cambalhota preparada, uma só palavra que fosse... na ponta da língua!
À ultima da hora, mandaram-no avançar para o centro e a única coisa que lhe garantiram foi, que os holofotes o iriam iluminar, fazendo-lhe notar que essa, seria uma bela oportunidade de brilhar, de mostrar o que valia a entreter e fazer rir, ou até, e porque não... a fazer chorar!...
Havia, no fundo, que entreter a malta, não fosse ela começar a patear, o que era muito mau, atendendo à fragilidade da estrutura das bancadas.
Socorreram-se dele, porque, o artista de serviço, com um número bem estudado, ao ver-se enleado nas cordas e argolas que tinha largado, sentiu o arame a fugir debaixo dos pés e, sem cerimónias, desenleou-se e lançou-se, seguro pelo guincho que o livrava de se estatelar e partiu, para actuar, num circo internacional.
...Surpreendentemente, o espectaculo ganhou cor com este artista que ficou e que tocava os sete instrumentos, dava cambalhotas direitas e tortas e, destemido, entrava no canhão pronto a fazer de bala humana, mas... os acrobatas que o acompanhavam, incapazes de lhes seguir os passos, os golpes de rins e os voos sem rede, cedo deitaram o número a perder... uma após outra vez, falharam uma recepção, um compasso, largaram uma corda, deixaram cair ao chão uma argola e, por último, os que brincavam a cuspir fogo, acabaram por se incendiar uns aos outros e causar, o pânico!
Hoje, o espectáculo está mais pobre! Dizem, que é para ser mais seguro... Só há um ilusionista, que tira da cartola uma sacola vazia com que se dirige ao público a quem pede para a encher... um número de ovelhas amestradas, que são tosquiadas na pista com as orelhas em baixo... e, claro... uma parelha de palhaços!... O rico... e o pobre, que, como sempre, passa o número a levar estaladas, e tão depressa chora baba e ranho... como salta, ri e toca a concertina... feliz de esperançado, em vir a receber um rebuçado!...
À ultima da hora, mandaram-no avançar para o centro e a única coisa que lhe garantiram foi, que os holofotes o iriam iluminar, fazendo-lhe notar que essa, seria uma bela oportunidade de brilhar, de mostrar o que valia a entreter e fazer rir, ou até, e porque não... a fazer chorar!...
Havia, no fundo, que entreter a malta, não fosse ela começar a patear, o que era muito mau, atendendo à fragilidade da estrutura das bancadas.
Socorreram-se dele, porque, o artista de serviço, com um número bem estudado, ao ver-se enleado nas cordas e argolas que tinha largado, sentiu o arame a fugir debaixo dos pés e, sem cerimónias, desenleou-se e lançou-se, seguro pelo guincho que o livrava de se estatelar e partiu, para actuar, num circo internacional.
...Surpreendentemente, o espectaculo ganhou cor com este artista que ficou e que tocava os sete instrumentos, dava cambalhotas direitas e tortas e, destemido, entrava no canhão pronto a fazer de bala humana, mas... os acrobatas que o acompanhavam, incapazes de lhes seguir os passos, os golpes de rins e os voos sem rede, cedo deitaram o número a perder... uma após outra vez, falharam uma recepção, um compasso, largaram uma corda, deixaram cair ao chão uma argola e, por último, os que brincavam a cuspir fogo, acabaram por se incendiar uns aos outros e causar, o pânico!
Hoje, o espectáculo está mais pobre! Dizem, que é para ser mais seguro... Só há um ilusionista, que tira da cartola uma sacola vazia com que se dirige ao público a quem pede para a encher... um número de ovelhas amestradas, que são tosquiadas na pista com as orelhas em baixo... e, claro... uma parelha de palhaços!... O rico... e o pobre, que, como sempre, passa o número a levar estaladas, e tão depressa chora baba e ranho... como salta, ri e toca a concertina... feliz de esperançado, em vir a receber um rebuçado!...
sábado, junho 25, 2005
Uma crença de mau gosto
Confia em mim!... Dizia o mastodonte ao brutamontes sem saber o porquê do que estava a dizer! Mas era escusado. O mal estava feito e iria continuar a ser feito, porque qualquer deles não tinha jeito... nenhum, para acautelar o bem do outro.
Confia em mim... dizia o bruto. O que achava, saber a razão da sua existência e teimava, em não dar o braço a torcer, enquanto não lhe estivesse a doer.
Confia em mim... dizia um, a quem... o quisesse ouvir. Mas já ninguém lhe dava ouvidos... Todos os passos tinham sido perdidos em labirintos reluzentes de palácios distantes e, a noitada, ainda agora tinha começado.
Falava-se... na altura, de profecias e conjecturas de sociedades secretas, de conjuras e medos, conspirações e segredos guardados, verdades antigas... perdidas... por gente tola e descuidada.
...Só que isso... não servia de nada! A realidade, construída por todos e cada um, implacável, impunha-se forte como se fora um megálito de chumbo sem dono. Um monumento ao qual... qualquer deles, cobardemente se dobrava, esperançado em obter respostas para perguntas que não tinha... e, subserviente, pelo medo do desconhecido... preferia aquela espécie de adoração, em vez de criar outra realidade a viver a própria vida!...
Confia em mim... diziam, um ao outro, com a mão cheia de nada que de tão vazia os iludia e levava, a fecha-la com a força de brutos que eram, teimando em acreditar lá estar encerrada, uma tal maravilha... que não dava para usar ou abrir mão dela!
Confia em mim... dizia o bruto. O que achava, saber a razão da sua existência e teimava, em não dar o braço a torcer, enquanto não lhe estivesse a doer.
Confia em mim... dizia um, a quem... o quisesse ouvir. Mas já ninguém lhe dava ouvidos... Todos os passos tinham sido perdidos em labirintos reluzentes de palácios distantes e, a noitada, ainda agora tinha começado.
Falava-se... na altura, de profecias e conjecturas de sociedades secretas, de conjuras e medos, conspirações e segredos guardados, verdades antigas... perdidas... por gente tola e descuidada.
...Só que isso... não servia de nada! A realidade, construída por todos e cada um, implacável, impunha-se forte como se fora um megálito de chumbo sem dono. Um monumento ao qual... qualquer deles, cobardemente se dobrava, esperançado em obter respostas para perguntas que não tinha... e, subserviente, pelo medo do desconhecido... preferia aquela espécie de adoração, em vez de criar outra realidade a viver a própria vida!...
Confia em mim... diziam, um ao outro, com a mão cheia de nada que de tão vazia os iludia e levava, a fecha-la com a força de brutos que eram, teimando em acreditar lá estar encerrada, uma tal maravilha... que não dava para usar ou abrir mão dela!
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