sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Uma breve espreitadela em bicos de pés.

Pôrmo-nos em bicos de pés, espreitarmos o mundo de mais alto e ver mais longe... se bem que pouco sustentável, é possível.
Não fora a precariedade dessa posição exigente que rápido nos causa dor e nos leva a desistir de olhar a coisa de cima, e toda a realidade poderia mudar. A nossa, e a do mundo dessa feita vislumbrado!
De qualquer modo, tendo nós em algum momento optado por esse vislumbre - se bem que fugaz - possível, jamais seremos os mesmos! A partir daí, não podemos ignorar que, o mundo que vemos tem a ver com a forma de o olhar.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Mudar o mundo ou talvez não

A forma como o homem tem representado a vida - a realidade com que me deparo - , não é, absolutamente, aquilo que eu desejaria.
Pudesse eu esquecer a minha semelhança com o resto dos humanos e, atrever-me-ia a acreditar na possibilidade de viver-mos em paz, amor e harmonia, para sempre!... Quimeras! Talvez!
Depois do determinismo de Newton e das verdades absolutas de Lapalice, numa época em que se acreditou ser possível aceder em definitivo aos mistérios mais profundos do Universo, prever (por assim dizer) o futuro, viver em estável ordem... Poincaré, abriu a porta do caos. ...Um novo caos. A outra face - antagónica e complementar - da harmonia!
Falava do um novo mundo, composto de mudança e arbitrariedade. Um passo à frente da regra, do determinado, do esperado e até do provável. Falava que, a órbita dos planetas vai mudando e a qualquer momento o imponderável pode acontecer.
Formulou a teoria a propósito da mecânica. Os colegas estrebucharam mas, umas décadas depois percebeu-se que era aceitável na generalidade.
Para o homem, o cosmos (o micro e o macro), deixara de ser a máquina de rotinas eternas passível de ser desventrada e dar a conhecer a sua essência para premiar estudos rigorosos e sistemáticos.
O contrário da monotonia. A maior dádiva da vida! Para cada nova certeza, novas e sucessivas incógnitas desafiam o homem a rapar o fundo a um tacho que, depois de Poincaré e de Einstein, sabemos não ter fundo. Os físicos hoje, permitem-se afirmar a existência de partículas fantasmagóricas (os neutrinos)!...
Acabadas as certezas categóricas, somos tentados a dar um salto no vazio e utilizar-mos a intuição; a interacção que temos com o cosmos. Quem sabe, um dia, possamos parar de querer mudar o mundo sem mudar-mos a nós próprios...

sábado, janeiro 12, 2008

E o burro a dar-lhe com a farinha

Os economistas de serviço, esfalfam-se em fazer a bota dar com a perdigota.
A realidade galopa resfolgante. Avança à rédea solta, esporeada para dar a volta ao mundo em menos de nada e chegar a todos os lugares, a todos os lares, a todos os seres... através daquela arte do parte e reparte... na terra dos cegos e do Rei e dos que não querem ver e dos que têm mais o que fazer.
Os economistas de serviço, os que aceitam os emolumentos para maquilhar o cadáver e fazê-lo parecer vivo e saudável garantem, que segundo estudos recentes, as leis do mercado livre/a oferta e a procura, são as mais justas, e que, não há em jogo um só dado viciado.
...Estão a trabalhar. Nunca se enganam e raramente têm dúvidas! Estão de serviço para nos poupar desse incómodo de pensar.
...Nada a reflectir. Tudo a conferir: 2+2=4. Mais 21%, menos 21%.
Ninguém tem que se ralar! Mais calote polar menos calote polar.
O que interessa, verdadeiramente, é meter p'ró monte e contabilizar. Pataca aqui, pataca lá, um dó lí tá, quem está livre livre está, cara de amendoá e, pronto... um truque, um balão no ar, um coelho a saltar da cartola... mais submarino menos submarino... ilhas Caimão, charuto cubano...
Tudo na boa. Cheio de transparências...
Vai bem montada, a realidade. Molda-lhe o dorso o Mascarilha, o Zorro, o Robin dos Bosques e o cego. O pior cego...

domingo, janeiro 06, 2008

Uma conversa chata

A incoerência passou a ser um atributo fundamental do actual homem moderno. Tanto lhe amortece-lhe a queda, como lhe promove a ascenção! Definitivamente, o "não sei quê, e tal... e coiso...", está na berra. A malta reve-se nisso. E, numa análise assim assim, encontramos fundamento!... É que, os problemas fundamentais da nossa civilização, estão mais que identificados e são de resolução inadiável. Não há volta a dar nem mais de que falar!
Todos e cada um dos individuos da sociedade ocidental ( mesmo, os do "não sei quê e tal... e coiso..."), estão conscientes da insustentabilidade da "cena" e, estão carecas de saber que isto já lá não vai com palavras e boas intenções. 5/6 da humanidade não se alimentam com essa cena... e estão-se bem cagando para que a culpa seja do Socrates ou do Bush...

domingo, dezembro 30, 2007

Um flop

Agarrem-me, que eu vou-me a eles! ...Dizia o tipo, fincando o olhar em burocratas, juízes, corruptos em geral, bancos, companhias de seguros, farmacêuticas, industrias do diagnóstico, comércio e distribuição de alimentação, lobies das obras públicas, confederações cheias de poder que, vêm em bandos com pés de veludo chupar o sangue fresco da manada...
Afinal, para além de perseguir quem o critica e de despedir quem não é subserviente - à maneira de antigamente -, anda a catar os trocos ao pequeno contribuinte.
Dir-se-ia que, nada disto é novo!... Pois, não é verdade. Desta vez, há que contar com a fantástica euforia da economia liberal neste novo contexto da globalização! Os últimos a sair, que fechem a porta, bem fechada. Pode ser que a besta lá fique trancada.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Mais vale pouco que nada ou talvez não

Mais uma vez no ar, o cheiro a sonhos. A filhoses e rabanadas, pudim de Natal e tal...
Assediam-me com pacotes promocionais de mensagens alusivas por atacado. ...Pré fabricadas. Concebidas por criativos especialistas em tirar ganho ao manter vivos sentimentos moribundos.
Pressente-se a chegada de uma golfada de ignota caridade, ternura gelatinosa...
Desesperado, o comércio tradicional aguarda quase até à consoada, esperançado em conseguir poder continuar a respirar pela palhinha. Fininha!
A maioria, barricada nos escombros do amor entre os homens, adia o estertor da família com bons votos, luzinhas intermitentes, e isso assim...
Tudo se passa rápido. Uma ou duas dúzias de horas se tanto!
Alguns, chegam a ir levantar fardos quase esquecidos, depositados em "lares" mais ou menos isentos de bactérias ou cheiro a mijo. Mais ou menos isentos de afectos.
...Outros - por falta ou excesso -, nem tanto. ...Dão lá uma passadinha no cair da tarde do 25, ou ligam de lá longe onde há neve ou sol radiante, para o telemóvel... se valer a pena. ...É que há velhos que já não entendem nada. Não reconhecem o filho, nem a nora, nem os netos, nem o mundo!... Alzheimer, portantus. ...Outros ainda, na quadra, depositam o fardo na urgência de um hospital distrital...
Os Mega Centros Comerciais - os tais, os maiores da Europa!... -, rejubilam. Sentem a crise, claro! ...Não a dos valores ou dos afectos! A outra. A que não deixa consumir de tudo até não querer mais nada.
É a comprar, que a classe emergente de endividados permanentes, artilhados até aos dentes com cartões dourados, se afirmam e têm a certeza de existir. É a trocar votos e prendinhas de natal que espiam o pecado de existir sem querer saber de nada para além do seu quintal. Transbordam optimismo e só olham em frente - é p'ra lá, a fuga -!
...Palas laterais... visão de campo reduzida... árvores de natal - as maiores da Europa - pagas por quem lhes tira a pele... nem se incomodam com efeitos colaterais do espalhafato emocial, ou coisa assim!... Aproxima-se o tempo de paz e amor. A maioria, diz que é bem melhor ser pouco, que nenhum. Opiniões!

domingo, novembro 25, 2007

Quem me dava ouvidos era ceguinho

Antes de saber que era psicótico e de tomar a medicação, tudo podia representar um enorme problema...
Cheguei até a pensar que, privatizar o sector público seria um paradoxo!
Hoje, graças ao "sedoxil", ao "tranquilan", ao "sem stress", ao "deixa andar e não te rales", ao "essa cenoura é minha" e mais uns outros que não me lembro... posso reconhecer que era uma besta. Um doente, vá!

quinta-feira, novembro 01, 2007

Obesidade neural

Recuando na história do chamado "Mundo civilizado", encontramos a fome, como um dos maiores males. De tal forma instituída, que o facto de trabalhar de sol a sol não garantia ficar a salvo dela.
Os mais criativos, fintavam-na à base de sopas mais ou menos deslavadas, ervas do campo com ou sem cheiro, açordas e papas e, uma vez por outra, restos de animais que os senhores feudais podiam entender como lixo.
Por via dessa miséria, a cozinha tradicional foi enriquecendo e hoje, a classe média assim assim alta, dividida entre a nostalgia e a sofisticação, esfalfa-se a galgar estrada em busca de açorda alentejana, sopa de cação, e coisas assim...
Entretanto, a maioria, os pobres do mundo rico, tiram a barriga de misérias ancestrais, esconjuram velhas estórias de sardinhas a dividir por quatro, sacos de pão duro fechados à chave... enfardando entremeada aos quilos com muita batata frita, costoletões de novilho, salsichas, hamburgueres, sobremesas... tudo com muitos molhos, em busca de certezas de se estar atestado!
A indústria alimentar, com a necessidade generalizada de produzir e vender mais, estimula e acompanha a coisa e todos os dias cria novos produtos e estimula o consumo. Pouco importa a substância. Privilegia-se o sabor, a abertura fácil, a preparação instantânea.
Aumentam os obesos, os diabéticos, os hipertensos, os cardíacos, os fígados hipertrofiados, as industrias do diagnóstico, as salas de cirurgia. Lipoaspira-se, desentope-se, corta-se e encolhe-se. A industria farmacêutica não tem mãos a medir...
Vêm isto a propósito, da obesidade neural. ...É que a doida correria para fazer dinheiro chegou à cultura, à informação, à formação!...
Alimenta-se o neurónio com carradas de substâncias de todos os sabores e cores, mas, sem substância. E a oferta é tal que o neurónio atarantado de tanta fartura, habituado a consumir sem questionar... encharca-se em não notícias, sem mastigar, coisas vindas do nada para vender, deixar um gostinho na boca (do neurónio) e, sabe-se lá que mais. E ele é livros e filmes, documentários publicitários, teorias de esquina atestadas por cientistas de serviço...
Depois, claro... o neurónio incha, fica enfartado, esgotado, sem espaço para mais nada...
Dir-se-à, que tudo isto tem a ver com manipulação, interesses mais ou menos obscuros, golpes baixos da política económica e tal... mas, não será chegado o tempo de começar a verificar o que se leva à boca? De mastigar mais devagar?
È que, se esperamos que quem nos vende frangos de aviário - cada vez mais baratos e tenrinhos -, vá deixar de o fazer por ter metido a mão na consciência... bem podemos esperar sentados.

sábado, outubro 20, 2007

Saúde a maior riqueza

Em crise aguda psicótica, entendia a U.E como uma boa ideia inquinada por um pequeno grupo de burocratas com acesso às máquinas de fazer dinheiro do F.M.I e do B.M. Achava que os cidadãos europeus e do resto do mundo, eram manipulados por processos mais ou menos maquiavélico de modo a não perturbarem o curso das coisas imprimido por gente sem rosto sentada em cadeirões feitos de molhos de notas e que, - qual tio patinhas - se regozijam a nadar em dinheiro com tal deleite, que chegam a confundir a realidade com a ficção, apoiados em velhas teorias com que se auto desculpam e livram de qualquer remorso! Enfim... insensíveis loucos perigosos, mais a mais... sem qualquer objectivo para além de verem números a crescer e o consequente pressuposto poder que os ilude quanto ao que lhes circula nas tripas.
Revoltava-me, por julgar ver perfídia nos políticos eleitos por gente iludida no chamado mundo livre, e que, a soldo desses misteriosos personagens, se dispunham a vender a alma e a conduzir ao engano multidões para precipícios, becos sem saída... sem uma pinga de vergonha na cara.
Inconformado, indignava-me ver crescer o individualismo, o mutismo, a cegueira e a surdez, a nova ordem para o entretenimento global estéril!
Paralisados por medos injectados em inocentes séries televisivas... restaria apenas à multidão ter fé em ser defendida pelos bons e entregar-lhes o pecúlio?!
Depois, claro, inquieto, pus-me a uivar! ...Julgava eu estar a alertar a alcateia!...
Mal eu sabia, que a malta já estava muito à frente. Alertada para a gripe das aves já comprara a vacina, a pau com a escrita, via a justiça ser feita e vaticinava os culpados no processo casa pia, sabia a vida da Merche e do Ronaldo, inscrevia-se em concursos televisivos e aproveitava novas oportunidades para ganhar a vida, enquanto eu, macilento, inquieto, martirizava-me a ver a banda passar imaginando que iam dar ao precipício... maldita doença!
Hoje graças a terapêutica instituída pelo meu médico de família, se bem que ainda tenha umas continhas por pagar já não me ralo. É que para já, descobri meia dúzia de concursos nos vários canais televisivos, em que basta telefonar para receber 50 euros e, se responder certo às perguntas ainda ganho uma pipa de massa.
Passa a mensagem e ao invés de andares inquieto, deixa-te estar quietinho que as novas oportunidades vêm ter contigo a casa. Vai um brinde com Murganheira?

sábado, outubro 13, 2007

Lobotomia sistémica ou a forma de não enxergar para além do quintalinho

Queridos amiguinhos, por ora, estou dado como curado. De momento, basta-me tomar a medicação!
...Com ela, posso encarar a perfídia serenamente. Entender a crueldade como uma forma de nobreza, a indiferença perante a agonia como um estado de alma superior, a leviandade como a forma leve e sábia de levar a vida.
...Com a medicação, acabou-se a inquietude.
Pensamento positivo e... claro, o comprimido...

quinta-feira, junho 14, 2007

Por hoje é tudo.

Revisão de fundo a Hermann Hesse...

O grande irmão está a ficar um matulão... ou, talvez seja chegada a hora de eu próprio aceitar a condição de psicótico! Enfim, razões de sobra para estar calado!

sábado, maio 26, 2007

Querer ou não, aprender a nadar.

Como um doido em euforia esbracejava tresloucado naquele mar de liberdade a que lhe custava habituar. ...E corria até o perigo, de se vir a afogar, com a àgua pelo joelho!

"O meu Tio" realizado por Jacques Tati, lembra-nos a vanidade da vida, coisas que bem podiamos esquecer e a enorme importancia de estender a mão a alguém.

quarta-feira, maio 16, 2007

Vai lá vai, e não leves a manta...

Tenho andado numa lástima! Os sonhos são pesadelos, a mania, ganha em mim terreno e a teoria da conspiração ganha contornos de esquizofrenia a que só muito raramente consigo escapar. Desiludido com o estado - o meu e o deles (nestas doenças, há sempre, eles...) - lá me vou arrastando alucinado pela realidade, ainda que conserve uma pontinha de esperança de que tudo não passe de um desregule passageiro!...
Hoje por exemplo, acordei com o coração aos pulos no meio de um pesadelo desconcertante: vejam bem, que o Rui Teixeira (aquele juiz que se pôs para aí a prender pessoas que estavam acusadas de pedofilía lá naquele longuínquo processo da Casa Pia), estava no banco dos réus num tribunal em que o juiz era o Pinto da Costa. O advogado do M.P. que o acusava, era o Embaixador Rito e o de defesa era o Bi Bi! Havia um sururu enorme no tribunal e passava de boca em boca que o Presidente da Iberdrola ainda havia de ser ministro.
Subitamente, a Morgado entra no tribunal a segurar pelos cabelos uma cabeça degolada! Gritava: Comigo, a justiça não tarda! O diamante é de ouro e os apitos são para sempre!...
Enquanto isso, levanta-se da mesa dos jurados o Paulinho que, era ao mesmo tempo a Caterine e, avançou em direcção à cabeça com o dedo esticado gritando eufórico: o que tu querias, eram submarinos! ...A cabeça, era a minha!...
O Pinto da Costa bateu com o martelo na mesa, pediu silêncio e com toda a calma, disse: se alguém tem algo contra este casamento, que fale agora ou se cale para sempre e, eix que entrou de rompante no tribunal o Belmiro com o espírito do Pinto de Magalhães a ronda-lo. O Socrates, que vinha atrás com um detonador na mão passou para a frente do Belmiro, ajoelhou, mas não rezou... detonou!... No atrio do antes tribunal e agora igreja, do meio dos escombros saiu o Valentim Loureiro a gritar: Fátima Felgueiras à Cãmara de Lisboa, já!... Eu, sobressaltado, acordei. E podia jurar que ouvia palmas.

sábado, abril 21, 2007

O pior cego...

O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, dizem que estão preocupados com a pobreza.
É bom que se preocupem porque tresanda a merda!
...Diminuir as assimetrias, esbater as diferenças, combater a miséria com os impostos sacados aos pobres do mundo rico. Eis a fórmula!
Entretanto, escassas centenas de famílias detêm qualquer coisa como 70% da riqueza mundial. Dominam políticos, países, mercados... e, é pedido a 1/6 da humanidade para partilhar. Aceitarem ver reduzidos os direitos que julgaram adquiridos, e prescindirem do sonho de uma melhor qualidade de vida, num gesto nobre para acabar com a miséria.
A partilha é urgênte. É comovente ver as manobras de bastidores para que os pobres dos países ricos partilhem com os miseráveis dos países pobres e se esbatam as diferenças.
Revoltante, é que fora destas nobres andanças, fiquem essas escaças centenas de famílias que detêem 70% da riqueza mundial e, directa e indirectamente exerçam 100% do poder.
Chato, é que pela lógica do dinheiro fazer dinheiro, ainda vão ficar mais ricos... sem necessidade.
Estúpido, é que não entendam que estão acometidos da doença da avareza e que as consequências, também para eles, é merda com fartura. Doentes como estão, não entendem os sinais. Mas, que os há... há. E que a pobreza alastra... alastra.

sábado, abril 14, 2007

O massacre dos imbecis

Sendo que, o imbecil é tolo, um ser fraco e debilitado e que, o massacre pode ser maçar com conversa insulsa, concluo que o imbecil, está a ser massacrado! Senão vejamos: Está o dito com o neurónio paralisado, afogado em papelada para prencher ao ponto de se ver obrigado a entregar a tarefa a um contabilista que faz a ponte entre ele e o estado e lhe papa o décimo, está o homem... sem saber se há-de ou não assinar a proposta de adesão ao novo plano tarifário da rede móvel, o novo formato do contrato entre ele e a EDP, se há-de ou não trocar a PT pela ONI, embarcar num seguro de saúde e por via das dúvidas que lhe vão plantando no neurónio doente , fazer um PPR... está ele, dizia eu, entre vacinar-se contra a gripe das aves ou tomar antioxidantes... entre consultar um advogado para se salvaguardar de perigos que lhe ameaçam e paralizam o neurónio e que, por isso mesmo nem consegue imaginar, e a outro passo de não o consultar para salvaguardar o pecúlio... hesitante em se deixar ou não lipoaspirar, tomar nicotina em pó, colocar a banda gástrica e fazer uma limpeza de artérias pelo particular... eis senão quando... lhe veem, mais uma vez, com conversa insulsa. Desta vez, a propósito da qualidade e da idoneidade das instituições do ensino em Portugal no seguimento das suspeitas levantadas sobre a licenciatura do P. M.!
E, digo que o imbecil está a ser massacrado, porque com tanta conversa, ninguém lhe explica que o estado (neste caso) do ensino, é reflexo dele próprio.

sexta-feira, março 30, 2007

Viver: a extraordinária aventura de querer chegar a algum lugar!

É do caos que emana a ordem e tudo se passa ao contrário.
Levar mais longe a vida... fugir a sete pés da não existência... parece ser a condição básica de qualquer ser vivo!
Sobreviver, que tantas vezes se representa como um arrastar de fardo que mais parece um apego dos sentidos a lugares já conhecidos, uma fuga ao desprazer que aceita o sofrimento como porta meia entrada para a utopia de viver esperançado em vir a ser feliz... apresenta-se como um imperativo e até como... a suprema razão da vida.
Há quem diga que é por medo! ...Da morte, do desconhecido!... Eu, acho que não, e que tudo tem a ver com o pulsão, que se por um lado nasce da dinâmica entre o caos e a ordem, por outro, lhe está na origem e constitui a essência do Universo.
Nascido então o pulsão dessa coisa vaga que é o nada; esse antagónico complementar do tudo, que nos deixa aparvalhada a razão e sem resposta para o que teimamos em classificar de "fundamental", resta-nos prolongar a existência - numa esperança quiçá vã - para encontrar coerência para este paradigma de querer chegar a algum lugar, alheados do caminho.

quarta-feira, março 14, 2007

A fuga p'rá frente

Pede-se a maturidade ao consumidor. Ao que paga para existir porque outros antes de ele nascer se lembraram de tomar conta do que havia, pôr tudo à venda e de, o pôr até a inventar necessidades, de coisas que depois fabrica e quer comprar para se sentir realizado...

Pede-se a maturidade ao consumidor, em favor da sustentabilidade da coisa!... Ele, que veja bem o que anda a fazer! Se não anda a estragar... a desequilibrar ecosistemas, a desperdiçar recursos, a esbanjar e a poluir sem consciência...
...Quer dizer: antes, ele ouvia da boca de génios da economia que o segredo estava em consumir p'ra a frente que p'ra frente é que era o caminho e que quanto mais se consumia mais se tinha que fabricar, e que quanto mais se fabrica-se mais se ganhava e que quanto mais se ganha-se mais se podia consumir e que quem mais consumia mais feliz seria...

Depois, vieram as florestas a torcer o nariz à coisa, os níveis incomunicáveis de ozono a vender a cortisona, os peixes carregados de mercúrio, chumbo e cádmio, as aves tresloucadas engripadas de tanto antibiótico no ar, as vacas loucas de tanto carneiro ruminado, as pandemias inventadas para vender e manter tudo como dantes (pianinho, debaixo da asa do grande chefe, do pai protector que cuida de tudo e mantem a riqueza concentrada) e quase mandaram à merda os génios da economia de outrora que, agora, andam aí de cú p'ro ar, como aquele génio do futebol andou... à procura do brinco!...

Pede-se a maturidade ao consumidor! Para equilibrar assimetrias e travar os esfomeados à porta destes condados de orgias multiplas alimentados por rotas que (não da seda, da canela ou do ouro), ainda não têm nome.
Cruzam-se no ar, medicamentos fora de prazo com madeira e pássaros exóticos, farinhas altamente refinadas reforçadas com melhorante e com o gorgulho peneirado, com diamantes em bruto...

Os pontas de lança dos economistas que teimam em procurar o brinco, calcorreiam o mundo em busca de mais valias e há muito que esqueceram o brilhantismo do espectáculo! Nunca chegaram a entender que o verdadeiramente importante é o jogo em sí. Limpo. Querem, a qualquer custo, defender o resultado e mandam-se para o chão sem ninguém lhes tocar, fazem faltas feias e há quem diga que compraram o àrbitro!

Pede-se maturidade ao consumidor, ouve-se nas esquinas para comprar Levis em vez de ir comprar ao Chinês. Pede-se-lhe para colaborar e manter postos de trabalho nos países em que os direitos conquistados são respeitados... Depois, vai-se a ver, e as Levis são feitas no Paquistão... o Ikea vende cortinados feitos na China, a televisão tem peças feitas no mundo inteiro... se bem que entretenha muito!
Estamos em plena era da globalização!
A maturidade dá uma trabalheira que não se aguenta!
A bem ver... o que a malta quer é ser adepto de um clube que ganhe e marque muitos golos. O resto que se dane! A menos, que dê um tiro no pé!

quarta-feira, março 07, 2007

O direito à balela

Em primeiro lugar, serve o presente (post), para confirmar que eu existo. Não porque penso! Isso era lá coisa do Descartes que, não contente em acreditar que o facto de pensar lhe confirmava a existência, ainda se deu ao trabalho de criar a célula embrionária do liberalismo (mal ele sabia o que isso ia dar...)!
O Damásio, diz agora que ele estáva errado, que as coisas são ao contrário, que o facto de existir implica multidões de células que tendo em vista manter a vida, determinam os pensamentos e não sei quê dos quânta, enfim...
...Ao afirmar que existo, em simultãneo, acredito e admito que não penso! ...Quer dizer: enquanto individuo, sou um mero instrumento que articula palavras, tecla letrinhas e dá azo à expressão de 600.000 biliões de células que me compõem a existência, animada por uma energia que me transcende. Quer dizer: existo, mas não penso. Cabe-me escutar essa multidão, as suas necessidades e anseios e, reduzindo-me à minha magnânima insignificância, seguir para onde a voz que ouço me aconselha.
Não será isto, que os pressupostos donos do Mundo, deveriam fazer?!

terça-feira, fevereiro 27, 2007

O direito à escravidão

Depois de duras batalhas, tinha conquistado o direito à escravidão!
Agora, finalmente, era escravo de um cartão... dourado, e não cabia em si de contente por finalmente se sentir gente com crédito, quase ilimitado!
Era um escravo consciente. Sabia perfeitamente o preço a pagar para poder contar com o ovo no cú da galinha. E dispunha-se a trocar as loucas euforias do consumo com que se afirmava como gente e fazia babar de inveja uns quantos, por previsíveis maus momentos em que sentia a ansiedade a disparar ao ver acumular uma mensalidade após a outra, juros altíssimos, comissões de atraso absurdas, impostos de selo...
O que mais lhe custava, eram os telefonemas inconvenientes daqueles agentes de call center que iam endurecendo o discurso e lhe apertavam o cerco asfixiando-lhe o ego!... Agentes de palavra dura e fria a raiar a má criação, assalariados de gente mesquinha que só pensa em dinheiro, de agiotas maquievélicos que contam com os imprevistos de quem conquistou o direito a ser escravo de um cartão dourado.
Nesses momentos, insurgia-se, revoltava-se, ficava ressentido, sentia-se injustiçado por saber já ter pago o dobro do que tinha gasto, em comissões de atraso. Fechava os olhos, e pensava para consigo se não haveria quem pusesse ordem nesta agiotagem. Depois... depois, foi o milagre! Abriu a carta... e... lá dentro, vinha um cartão de platina!...

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

O revesso da folha virada

Anda por aí muita gente em delírio a imaginar negócios onde os não há! Gente que só pensa no lucro, não estuda a fundo os mercados, e depois é o que se sabe!... E isto, não é só em Portugal! Desta feita, não é um Português, trisneto de conde ou marquês, a quem, por estar bem relacionado e inscrito no partido em que a coisa está a dar, lhe saiu na rifa um subsídio para pôr em marcha uma pata choca que não sai do lugar! Afinal, também aquí na vizinha Espanha, existem imbecis! Senão, vejamos: então agora que o crime não tem pena e que o Correia de Campos já disse que mediante uma taxa moderadora o SNS está em condições de fazer abortos às grávidas que não estiverem satisfeitas com o estado ( o seu, delas...), as clínicas Espanholas especializadas em fazer abortos vêem abrir filiais em Portugal?! Estranho! Não?!
Então, esta gente não entende que vão ficar às moscas? Que quem quiser abortar vai concerteza recorrer ao SNS, em que a troco de uma taxa moderadora vai ter tudo o que tem direito, incluíndo acompanhamento psicológico, assistência social, periodo de reflexão, assistência médica condigna com assépcia total e no geral, um "tratamento" exemplar!
...Ou, será que os nossos irmãos, estão a adivinhar que muito do que se disse não passa de retórica e que vai sobrar muito trabalhinho que o estado lhes vai pagar para fazerem?