quarta-feira, abril 10, 2013

Um pouco de tudo


                
                                    A vermos bem as coisas
                                                                    
                                                      entre branco e negro
                                                               entre tudo ou nada
                                                                                         
                                                                                         estamos nós
                                                                                                  a cores

sábado, fevereiro 25, 2012

Tudo a ver com tudo

O homem chegou e estacionou. Em cima da passadeira. Vinha chateado deprimido. De tanto ter ouvido e pelo pouco que conseguia destrinçar tinha chegado à conclusão de que o Mundo estava uma bagunça. ...Por causa do governo, dos mercados, dos especuladores. ...Por causa dos senhores do mundo, dos bilderberg, dos agiotas. ...Dessa corja que não hesita em atear uma guerra para atafulhar os bolsos. E no seu entender pouco ou nada haverá para fazer. Eu, permito-me discordar. ...É que assim, visto de fora, o homem poderia aprender a estacionar.  Era um começo. ...Em vez de um espectador ressentido desta falta de respeito que uns têm para com os outros, poderia ser um protagonista. Daqueles que respeitam o meio em que circulam e estacionam em sítios apropriados.

sexta-feira, janeiro 20, 2012

Prenúncio de alvorada em noite cerrada

Poderemos, indefinidamente, persistir no modelo que nos leva a acreditar sermos maquiavélicamente manipulados. Vitimizados por gente sem escrúpulos senhores e escravos do capital. ...Gente, que doentiamente crónicamente, depende urgentemente de aumentar o seu pecúlio à custa do que for!...
Não estaremos completamente enganados. ...Ele, há de tudo, neste mundo! Contudo, nunca como hoje foi tão clara a preponderância do papel que cada um de nós desempenha neste produto final a que chamamos realidade.

sábado, outubro 15, 2011

Yes

Yes we can, já correu mundo. Yes we will, também. Sobre o how, muitos emitem mais ou menos respeitáveis opiniões. Contudo permanecemos num impasse embaraçoso: a esmagadora maioria está endividada para com uns quantos a quem não sabe como ou quando poderá pagar. Estes, por sua vez, trocam, compram ou vendem dívidas entre eles e, vão subindo juros à medida que dificultam os empréstimos segundo leis do mercado verdadeiramente transparentes; quanto pior estiveres mais pagas! O que poderia - numa outra lógica de mercado, ou mesmo numa outra lógica de vida -, parecer paradoxal, é afinal, nesta, perfeitamente lógico.

quinta-feira, abril 21, 2011

Os fins e os meios

Os chamados meios de comunicação social disseram que os Americanos mataram o Bin Laden. ...Ora, o que se deveria fazer com o corpo do Bin Laden? ...Entregá-lo à família? Enviá-lo para a proveniência, para a terra dele? ...Não! Embrulha-se segundo os preceitos funebres da circunstância e atira-se ao mar! Para que não restem dúvidas.
Teria sido possível deter o Bin Laden e levá-lo a tribunal? Ouvir o que tinha para dizer? Ao que parece não! Tiveram mesmo que matar o Bin Laden e lançá-lo ao mar. Livrarem-se do bicho.
Depois, foi só manter um alerta elevado até ver no que a coisa iria dar.
...Independentemente da qualidade do bicho uma coisa fica clara: se não quiser que os americanos lhe entrem casa dentro, providencie para não ter bicho em casa. Acautele-se até, com o eventual bicho que possa haver em sí.

sábado, fevereiro 12, 2011

Uma actualidade velha

«Andai, ganha-pães, andai; reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. No fim de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas dúzias de homens ricos. E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar a miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?»

Almeida Garrett: Viagens na Minha Terra, 1846.

Vem isto a propósito da displicência com que o FMI vai sugerindo (não só a Portugal!...) que o SNS vá sendo substituído por um serviço de saúde privado. Aponta as seguradoras e outras entidades financeiras privadas. Com pés de veludo, manda para o lixo os valores mais básicos por que a humanidade em geral tem vindo a lutar para tornar uma realidade. Aponta assim para a rentabilização dos cuidados de saúde.
A doença como fonte de lucro, parece abominável, mas, na lógica empresarial de um hospital privado... faz todo o sentido. Se não o ùnico!
http://uivomania.blogspot.com/2006/11/formas-de-ver-as-coisas.html
O FMI, senta-nos nos joelhos (...) e dá-nos conselhos e, a maioria parece até, gostar.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

O insustentável peso do ter


Foi já no reino da abundância, que descobriu em si buracos sem fundo! Para trás, tinham ficado a sardinha a dividir por quatro, nacos de broa rija esfarelada na sopa para aconchegar o estômago, desejos de um dia ver o mar ...sair da "santa terrinha".
Afoito, sedento, migrou p'ró litoral. Tornou-se um genuíno metropolitano cheio de jogo a par das modas e tendências. Aprendeu a construir sem licenciamento, a corromper fiscais, a opinar, a ter preferências, também quis provar caviar e tudo o mais de que só tinha ouvido falar.
Quando lhe disseram que tinha conquistado a liberdade... não sabia o que dizer ou pensar! ...Na essência, parecia-lhe bem! ...Livre! ...Para comer fartas sardinhadas, puxar a brasa à sua sardinha e, reenvindicar direitos alinhavados à pressa com o poder de imputar culpas a quem lhe entravava a marcha. ...Definitivamente, era "música para os seus ouvidos". ...Ruídos?!
...Tomar em mãos as rédeas da sua vida sem ter que se dobrar, reflectir, não aceitar o cavalo sem lhe olhar o dente, tirar os olhos do umbigo e ver-se impelido a encontrar em cada esquina um amigo... um irmão... tem-lhe consumido o neurónio de tal forma, que não só se encontra deprimido... ...abandonado ...traído... como, em face da relativa incompetência para ser, encontrou o comprimido. O paliativo para os impropérios da alma! A forma de suportar o tanto ter e as ganas de continuar a desejar ter mais.

terça-feira, novembro 16, 2010

O seu a seu dono

A propósito de uma cimeira da nato que reúne 54 chefes de estado e de governo, as forças de segurança portuguesas, demonstram que - para além de toda a contenção orçamental - podem reunir os meios e assumem as competências para tornar Lisboa uma cidade segura! Pena que, a essa bolsa de segurança, que como que por magia se está a formar... os cidadãos comuns, não lhe tenham acesso. ...Se bem que a tenham que pagar.
A polícia admite que tem em mãos o maior desafio de segurança de sempre! Quanto a isto não estou de acordo; é que, cá, a criminalidade continua a aumentar e a polícia tem vindo a dizer que não tem meios para a contrariar!...
Portugal, enquanto um dos PIGS (ou PIIGGS?), não quis entregar os galões. Perdeu a oportunidade de mostrar que está a aprender a lição: cada um deve viver com o que tem. E enquanto a criminalidade em Portugal continuar a crescer perante a impotência dessa mesma polícia, quem quiser as costas quentes tem que as aquecer num outro lugar qualquer. E já agora, esta coisa de todos os espaços de restauração terem de trabalhar a tempo inteiro para a cimeira sem que mais ninguém possa aceder a esta área... confirma-me que, se bem que o parque das nações esteja a ser pago por nós todos até que deus queira... ele, não é nosso. É que naquilo que é meu, eu entro e saio quando quero, seguro, por forças pagas para me garantirem segurança.