sexta-feira, fevereiro 25, 2005

Um desafio sempre actual

Joaquim Pedro de Oliveira Martins, em jeito de conclusão, escreve na última página do seu livro "Sistemas dos mitos religiosos" o seguinte:
A impiedade do coração é a fraqueza no braço e o látego no dorso. Uma sociedade materialista em que os homens limitam a vida aos anos de gozo, perdendo o sentimento do nexo do passado e da responsabilidade para com o provir, abandonando-se ao requinte e ao delitantismo como os atenienses de outro tempo, ou à brutalidade da riqueza com que se paga o fausto e as mulheres, como os romanos do passado; uma sociedade surda pelos gemidos dos que sofrem, pelas vozes dos que clamam, está condenada a cair. No gozo vai-se a força, no optimismo ingénuo pelas «maravilhas da civilização» perde-se o sentimento do que a civilização é, identificando-a exclusivamente com o luxo de artes mercenárias ou com a grandeza de obras apenas utilitárias. Perdido o norte, obliterada a moral, ignota a caridade, a vida torna-se numa luta sem nexo, e cada homem para o seu semelhante, hostis, inimigo, como era o estrangeiro na Roma bárbara. A ciência generalizada, e desmoralizada, é um instrumento grave na mão de homens bestificados: à navalha sucede o revólver, ao revólver os venenos subtis (estriquinina, aconitina), aos venenos quem sabe? o raio produzido por pilhas portáteis, quando a electricidade tiver dito quanto pode. Matar é a regra de todo aquele que não soube viver.
Amplifique-se o quadro que nos oferecem as grandes cidades com os seus exércitos de proletários, as opulências vulgares dos seus ricos, os desvairamentos das suas Bolsas, os seus bandos de facínoras, as suas plebes depravadas, a sua promiscuidade repugnante: amplifique-se, absorvendo a população ainda ingénua dos campos, e talvez não parecam quiméricos os receios de uma nova crise como a da Antiguidade, que também ouvira Platão e obedecera a Marco Aurélio. As oligarquias dos nossos ricos pedirão como as antigas uma espada que as defenda das plebes miseráveis também ávidas de gozar e a espada será um açoite, esporas e um freio - se por ventura houver janízaros bastantes para esmagar as multidões dos novos bárbaros. Chegarão a ver-se na Europa exércitos de berberes, de índios, de turcos assoldados pela França, pela Inglaterra, pela Itália, pela Rússia? O caso não seria novo, nem a solução imprevista.
Mas no dia em que tal sucedesse, a Europa acabaria, e sobre as ruínas de uma civilização algum futuro Dante veria no ondear fúnebre das multidões barbarizadas
Le genti dolorose
Ch' hanno perduto' l ben dello'ntelletto

Oliveira Martins, viveu entre 1845 e 1894.

sábado, fevereiro 19, 2005

Um ÁS, só.

Ele era um Ás, só! Não pertencia a qualquer naipe e quando se tratava de ir à mesa, fosse ou não por isso, punham-no logo fora de jogo! Às vezes, em jogadas mais rápidas, via-se com uma carta em cima a passar por instantes despercebido, mas assim que davam por ele, gerava-se uma confusão, diziam todos à uma que a vaza era nula e ele, dava por si num canto da mesa, arredado de jogo com frieza. Descartado...
Atirado, solto com desprezo por dois dedos, via-se num voo curto e rasteiro... fora de jogo, privado da magia que a esperança de poder ganhar nos dá. Mas isso, não era para ele o mais importante. O pior, era mesmo, sentir-se privado da possibilidade de ter esperança em si. De, como qualquer outra carta do baralho, poder vir um dia a servir para alguma coisa! Não estava por isso em questão, ganhar ou não! Muitas vezes tinha assistido a derrotas gloriosas e surpreendentes de outros Ases... cortados por cartas pequenas do naipe da mesa! ...Mas, ainda assim, adivinhava-lhes o prazer de terem feito parte do jogo e lia-lhes na cara o regozijo de terem sido olhados uma e outra vez, por olhos brilhantes, tidos como carta na qual se acredita e isso, por si só, ele achava que bastava, para qualquer um conseguir aceitar uma derrota com a cabeça erguida e manterem a vontade para voltar à mesa, com o mesmo entusiasmo em cada novo jogo. Podia sentir, a vida a subir-lhes medula acima, o bater desarvorado do coração transbordante de uma alegria contagiosa, tocados por dedos hesitantes. Adivinhava-lhes o arrepio da expectativa de poderem vir a ser lançados, numa jogada triunfante.
Por vezes, outras cartas que acabavam por terem pena de o ver fora de jogo, aconselhavam-no a aderir a um naipe! Convidavam-no a aderir ao delas!... As mais desinteressadas, chegavam mesmo a dizer-lhe para aderir a um qualquer... garantiam-lhe que no fundo ia dar ao mesmo... Mas ele, insistindo em ser coerente, fiel ao que sentia, mantinha-se irredutível e afirmava até orgulho em ser um Ás sem naipe, simplesmente. Dizia, alto e bom som, que pouco tinha em comum com os paus, que não estava de acordo com as espadas e que os ouros e as copas, lhe criavam ansiedade...
Ora, como é fácil de entender, a maioria das cartas não aceitavam esta posição e, não satisfeitas com o facto de ele estar quase sempre fora de jogo, faziam de tudo para o verem definitivamente fora do baralho! Aparentemente por isso, não paravam de lhe colocar questões estilo teste americano em que lhe exigiam um sim ou um não, como se tudo fosse passível de ser resumido a uma fórmula, em que se condena ou absolve, se é bom ou mau e as reflexões profundas não servissem para nada.
Um dia, saturadas das respostas que ia dando e que normalmente começavam por: Depende... , baniram-no definitivamente do jogo por decreto que instituía a existência exclusiva de quatro naipes!
Às primeiras, o nosso Ás só, sentiu-se sozinho. Mas, à medida que se foi erguendo e se fez ao caminho, foi encontrando outras cartas sem naipe, de cores que nem conhecia e que estavam interessadas em saber, do que é que depende... a vida de cada dia. Ases e Reis, Manilhas e Duques, Ternos e Quinas, aos magotes... cartas, que nunca tinham estado na manga e que sem que se tivessem dado conta jogavam um jogo em que todas eram indispensáveis.
Bem vistas as coisas, nem todo o losango é ouro, não há espada que sempre corte e há azares... que vêm por sorte!

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Guia prático para a construção de um moderno viveiro de marginais

1º - Escolher um terreno em que ninguém queira viver. Um sítio agreste e por isso barato, nos subúrbios de uma grande cidade.
2º - Construir lá, com pouca despesa, umas torres sem graça. Adicione-se um parque infantil com dois balouços e um bocado de areia. Não esquecer a escola para compor o complexo.
3º - Procurar famílias problemáticas, desintegradas, debilitadas ao nível físico e mental, económico e social, famílias... sem estrutura de recurso, em situações periclitantes que habitem bairros degradados, situados em terrenos com "potencial", cobiçados por construtores pontas de lança de instituições de crédito e bem relacionados com Câmaras Municipais e afins.
4º - Seleccionar os desgraçados por ordem e, em tempo útil, atribuir-lhes uma dessas casas estipulando-lhe uma renda dita simbólica.
5º - Convidar os órgãos de comunicação social para fazerem a cobertura da cerimónia oficial, em que, com pompa e circunstância, os representantes do poder político entregam as chaves aos ditos desgraçados. Promova-se uma entrevista a uma velha desdentada à qual seja ainda possível arrancar um pequeno olhar de esperança e um agradecimento convicto.
6º - Uma vez os desgraçados instalados, manter-lhes todas as premissas que os conduziram à degradação e, em lume brando, esperar que as crianças cresçam.
7º - Adicionar uma pitada de crispação dos habitantes da Vila próxima, em consequência de um ou outro acidente (vulgo roubo) que envolva pequenos grupos desses jovens sem referencias e educação e que se arrogam ao direito de possuir também, telemóveis, ténis ou roupa de marca...inconscientemente esperançados que esses artefactos, lhes permitam "ser como os outros", passar despercebidos e apagar um carimbo que trazem na testa desde que nasceram.
8º - Esperar que a revolta cresça... nos invasores e nos invadidos, nos assaltantes e nos assaltados... até que abra brecha.
9º - Juntar uns filmes de merda frequentes, ao alcançe de todos, decorar com o comércio de armas, drogas lícitas e ilícitas que engorda gente insuspeita que passa a vida a bater com a mão no peito sem dizer "mea culpa" e levar à mesa... regado com muito álcool ao qual é só puxar o fogo.

N.B. - Esta receita, deve ser confeccionada com muito cuidado, para não sair tudo queimado.

terça-feira, fevereiro 15, 2005

Um mundo colorido

Ao alcance de um botão, temos o mundo em resumo, na mão. ...Em documentários, reportagens, notícias breves. E, temos até o direito a espreitar a opinião padrão que nos aparece pré cozinhada, embalada, pronta a cair no prato, a ser engolida num trago e digerida num ápice com a tranquilidade de quem sente que o caso fica entregue e resolvido!...
Temos de tudo ao alcance; consoante a hora, o programa, o canal... Podemos entrar casa a dentro da família degradada e com falta de estrutura. Podemos olhar a miséria em grande plano... ver o tecto que abateu! Podemos imaginar o frio que alí habita... que regela e trás ranhosas as crianças mal criadas... entregues à sorte, à impotência/incompetência de um casal... que ele próprio... desde sempre... precisava, de uma restruturação geral, mas que, entretanto, por várias faltas e excessos, vive débil e dramáticamente agarrado a um "rendimento mínimo", graças à boa vontade de uma assistente social, de um ministério, de um sistema que teima em mascarar sintomas preciosos!...
... Podemos ouvir os testemunhos de uns vizinhos que lhes dão couves, ou de um padre que ainda num outro dia lhes deu cobertores. Podemos ter pena. Podemos até... zarpar para outro canal!...
...Pode parecer que temos tudo... falta-nos o essencial...

domingo, fevereiro 13, 2005

Amor ou talvez não... como sempre

Ia ele atarefado, no meio da multidão, quando o móvel tocou.
- Tou tou?...
Do outro lado, uma voz macia, com duas palavras, abalou-lhe toda a estrutura:
- Olá, "Fontanela"...
Estremeceu! ... "Fontanela" era o nome que usava num blog que mantinha e, fosse lá pelo que fosse, nunca tinha contado essa parte da vida a ninguém!... Mal refeito da surpresa, respondeu:
- "Fontanela"?!... Mas... quem é que fala?!... Com quem é que quer falar?
- Ora... deixa-te disso! Claro que é contigo que quero falar e pouco me importa o teu nome! Sabes ou não que eu existo, que comungo das mesmas ideias e das mesmas preocupações?... Tens ou não a noção que estamos muito próximos um do outro, que somos células do embrião que se está a formar?...
Por breves momentos que lhe pareceram eternos, ficou sem saber o que dizer... talvez por isso, numa tentativa de ganhar tempo, insistiu:
- Deve aquí haver um engano... para que número é que quer falar?
Mas a mulher, com voz doce que a ele lhe parecia estranhamente familiar, não lhe abria uma pequena brecha por onde se pudesse escapar, antes o encurralava e obrigava, a encarar que sabia perfeitamente com quem estava a falar. De resto, grande parte do dia pensava nela, muito do que dizia, tinha a ver com o que ela escrevia e, já não sabia, como se tornara possível uma tal empatia com alguém que não conhecia. Estaria ele contagiado com uma peste moderna, propagada através da net que se instalava e desenvolvia no terreno fértil do imaginário dos homens sós? Mas a voz doce não lhe deu tréguas e lançou um desafio demolidor:
- Um doce... em troca do meu nome...
Ele, engoliu em seco. Pelo absurdo da situação, mas, acima de tudo pela íntima convicção de que ela, era a "Ilha submersa", a mulher a quem tinha vindo a seguir com minúcia tudo o que ela teclava e com quem frequentemente trocava comentários! Á partida não tinha qualquer lógica!... De qualquer modo, num impulso sem explicação, como num sonho, arriscou:
- És a "Ilha submersa"...
De imediato, a chamada caíu e ele, num gesto largo, afastou o telefone do ouvido e olhando desolado em redor a multidão atarefada, viu surgir direita a ele, uma mulher com um telefone na mão, que se aproximou bem pertinho e insinuante lhe disse:
- Bingo!

terça-feira, fevereiro 08, 2005

Pais desnaturados

Num sítio escuro, estreito e dito agora sem saída, vive uma criança perdida há já muito abandonada, por quem em tempos lhe dissera que a amava e a defenderia, dos papões que sem pejo lhe criava...

Tudo começou... quando pérfidos senhores da guerra, através de um velho processo de conquista, se tornaram donos da terra em que vivia, esculpindo-lhe desde logo na alma monstruosos inimigos, contra os quais lhe semearam na mente ódios cegos sem outra saída que a guerra, ao mesmo tempo que lhe impuseram a vontade que assumiram, de protegê-la de vindouros e terríveis perigos!
Feitos assim senhores de condados inventados a fio de espada, tornados novos usuários de velhos castelos, pediram-lhe em troca ajuda com a sua contribuição, para a defesa do condado... Uns produtos da horta, umas saquinhas de grãos, um tonel de vinho, um ou outro porquinho... produtos, para levar à mesa, que lhes dessem forças para a defesa...
Mais tarde, pedir-lhe-iam a própria vida, em lutas que promoviam contra esses monstros por eles criados... e a criança, vendo-se forçada a encontrar a coragem para responder ao solicitado, deu por si a subir à muralha e a dar o peito à flecha!
Depois, aproveitando as artes que os seus antepassados lhe tinha ensinado, puseram-na a fabricar latas e elmos com que a vieram a fardar, pesadas lanças e espadas mágicas com que a vieram a armar, tornando-a capaz de vencer dragões e de cortar de um só golpe, várias cabeças de um inimigo que de outra forma... nunca ninguém teria imaginado.
Umas vezes a pé, outras, montada num cavalo alado ou embarcada numa caravela, a criança, protegida por um Deus até aí desconhecido, partiu para toda a parte por medo, em busca de paz e salvação!
Foi assim que venceu e matou monstros arrepiantes, infiéis com pactos com o Diabo... gente estranha com a cabeça envolvida por turbantes, selvagens parecidos com os homens, que choravam como os macacos e que desventravam grávidas e comiam crianças... espetou bandeiras em chão longínquo, fez das tripas coração comendo o pão de cada dia retirado de saques sagrados com que cumpriu a sua missão de trazer tesouros... riquezas, que alimentaram a expansão de um novo Império! Levava na bagagem a fé, um evangelho com novas leis e rituais que tornavam possível oferecer o perdão a bárbaros e infiéis, libertá-los de velhos mitos, oferecer-lhes um Deus verdadeiro e a própria civilização...
Disseram-lhe na partida, para matar à vontade... que assim se conquista a vida...
Hoje, os ventos mudaram e muitos dos que a aclamaram são agora quem a condena! Os senhores da guerra, entretanto, foram saindo de mansinho, adoptaram novos discursos, outras roupagens, alugaram os condados a estrangeiros endinheirados, guardaram o produto dos saques em paraísos fiscais e partiram! Hoje, são eles que andam mundo fora, umas vezes na neve... outras em paraísos tropicais... Para trás, ficou uma criança abandonada num beco escuro, a lamber feridas da culpa, de costas voltadas para a saída...

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

O meu sentir à família Cabral

Ele nunca foi presidente de coisa nenhuma e a palavra que botava, raramente ia além do seu quintal, desde sempre modesto. Nunca lhe deram medalhas... todas as batalhas que ganhou, ganhou-as em recato e de tão pouco espalhafato dir-se-ia, que o voto que teve na vida foi quase nulo.
Passou-lhe ao lado, essa coisa de ser um profissional de sucesso, investiu quanto tinha em ser Homem e nunca entendeu muito bem o que eram essas cruzes que alguns ostentam ao peito... as rosa cruzes, as cruzes de Malta as cruzes da ordem do cavaleiro...
Ele tinha uma cruz, que carregava em silêncio e sem queixume e bem vistas as coisas, ninguém sabia se, ou quanto, ela lhe pesava.
Escolhera há muito, ser membro inteiro daquela família, amigo e companheiro, cúmplice até à medula... e isso, pouco a pouco, foi-se tornando incompatível com a realização profissional e com as conquistas noutros horizontes com que os homens crescidos sonham...
Viam-no, a fazer quase nada! ... As compras para casa, as visitas regulares ao centro de saúde, uma ou outra incursão ao mundo da assistência social em busca de sentido e de justiça... sempre com a sua Paulinha! A sua filha, a sua grande amiga e companheira com que se aventurava culinária afora, viajando pelo mundo dos sabores, uns mais, outros menos exóticos... na invenção de uma doçaria... de uns salgados com o toque de uma especiaria...
Quando se tornava possível iam à pesca ( o mar, para esta família sempre se tornou um pouco longe!... )! A Paulinha, embora já adulta, não tinha a destreza suficiente para colocar o isco no anzol... e ele ajudava... explicava mais uma vez como se fazia... Depois, com a cana na mão, falavam da vida, do mar, do céu e sabe-se lá, do que mais! A Paulinha, escutava com atenção e ia entendendo o mundo, melhor que muita gente que há por aí com o peito cheio de gran cruzes e medalhas! Falar, falava com mais dificuldade, porque lhe custa articular as palavras, mas ele, compreendia-a na perfeição.
Talvez, que se ela não tivesse nascido com o cordão umbilical enrolado ao pescoço, nunca se tivessem entendido tão bem e muitos dos momentos felizes que passaram não tivessem acontecido!...
Amanhã, o Srº Cabral, tem direito a funeral! Ninguém lhe vai erigir uma estátua e adivinho que não vai ficar com o nome na História... mas no meu entender, o Srº Cabral, foi um herói maior que muitos, que ostentam as tais cruzes ao peito e têm direito a estátua... na verdade, não são estes que fazem a História! Ela, é feita, por muitos homens como o Srº Cabral, que nunca ganharam uma medalha nem quizeram lutar por isso... a sua luta, era outra!...

sábado, janeiro 29, 2005

Doce amargo

A vida tem marés, tal qual o mar.
O mar, umas vezes parece irado! Bruto e revoltado eriça e revolve o fundo, agita a superfíce e bate na rocha dura até a transformar em areia grossa. Outras vezes, de tão calmo e espelhado, reflecte a tranquilidade que ele próprio assim transmite e que nos pode até levar a pensar, que essa é uma situação, que nunca irá mudar!
Ou, de outra maneira, se quiserem... a vida tem fases, como a lua. Umas vezes cresce brilha e alumia, enquanto noutras... escurece e mingua, quase que desaparece e até parece ter entrado em período de tréguas com as trevas.
A vida, de qualquer modo, é uma doida varrida, fogosa, que nos cavalga aos ombros e nos maneja as rédeas... que nos puxa, ou alivia, o freio. Tanto nos espicaça como deixa à rédea solta. Umas vezes pesa e outras nos eleva...

sexta-feira, janeiro 28, 2005

O penitente

Ele era uma pessoa normal. Temente a Deus, católico não praticante por tradição, apostólico sem saber porquê, romano porque era latino, baptizado em pequenino e até já casado pela igreja, para não desgostar a família!...
Aprendera entretanto... que no prazer se escondia o pecado, que da dor, da miséria e do sofrimento, vinha a redenção e que, era mais fácil um camelo passar pelo buraco do cú de uma agulha, do que um rico entrar no reino dos céus!... Temer a Deus... enfim!...
Paradoxalmente, tinha imensa pena dos"pobres" e das gentes em agonia... o que fazia com que, à noite, depois de se deitar, de se aconchegar e aquecer, nunca se esquecesse de orar a Deus; pedia, cheio da esperança possível, para que Ele fizesse justamente o que ele não fazia no seu dia a dia... e tornasse mais suportável o peso da cruz ao miserável.
...Esta pretensão (fruto de uma reflexão sonambula), tinha no entanto um senão que tornava este pobre crente num coitado quase arrependido de ter orado e pedido!... É que, ao pedir a Deus para amenizar a dor ao sofredor, sentia-se a dificultar-lhe a entrada no reino a que ele próprio (assim com'assim...) aspirava!
...Um dia, mal acordado, estremunhado, com a alma cheia de culpas e a consciência pesada pelo mal que por bem tinha vindo (ainda que só...) a pensar, resolveu penitenciar-se. Libertar-se da piedade que fazia dele um egoísta e, decidido a disfrutar de prazeres e riquezas, procurou compensar todos de quem tinha tido outrora imensa pena, explorando-os até ao tutano, infligindo-lhes sofrimento, atingindo-os na outra face... tudo, por forma a não terem tanta dificuldade a entrarem no tal reino, de que ele tinha descoberto a chave...

quarta-feira, janeiro 26, 2005

O gigante assustador

O Adamastor, era um gigante assustador pelo medo plantado num cabo, que ninguém sabia se por Deus ou pelo Diabo e que teimava, em criar dificuldades e tormentas a quem o quisesse dobrar. Muitos dos que partiram, embarcaram nessa aventura quase ou mesmo obrigados. Uns, por falta de alternativa, outros, saturados da miséria. Ambos levavam no peito a ânsia de chegar a terras da boa esperança em que o mel fosse mais doce, não houvesse fel e o ouro brilhasse mais. Alguns... poucos, foram pela aventura, almejando vencer medos desbravando mares ou até com fé de encontrarem, partes de si por aí espalhadas, que lhes pudessem encher vazios que os traziam incompletos.
Partiam por levas, uma e outra vez... e eram os poucos que voltavam, vencidos por esse gigante arrepiante plantado no cabo, que contavam da sua assustadora monstruosidade, da sua grandeza e enorme ferocidade. Uns, tinham-lhe visto claramente vistos os olhos imensos, ameaçadores e faiscantes, outros, tinham ouvido ensurdecedores bramidos trovejantes e outros ainda, por forças misteriosas petreficados, impedidos de ver e ouvir pela própria tempestade, puderam ainda assim com muita certeza adivinhar, por entre chuva e rajadas de vento sobrenaturais, o gigante a lançar certeiro raios e vagas aterradoras, de que só se salvavam os mais cobardes ou aqueles que por mister ou destino lhes cabia vir mais atrás e, claro, os outros a quem Deus, por razões que o homem desconhece, decidira "deitar a mão"!
Os que tinham ficado, os que participaram à força de braços, de sangue, suor e lágrimas, na construção das naus agora feitas destroços, desanimaram... ouvindo relatos sobre a altura e a força do gigante... imaginando os seus bramidos e poderes devastadores! ...Mas já na enxerga, enquanto recuperavam forças, viam o desânimo transformar-se em raiva, o medo transformar-se em revolta contra o dito e era daí que nascia a vontade e a determinação, para cada um à sua maneira, apurando a sua arte, continuar a construir naus, cada vez melhores, mais fortes e até... mais belas.
Apurou-se a arte de navegar, agigantou-se o sonho e a aventura e todos prosseguiram as suas tarefas em sintonia, perseguindo o objectivo que era: Dobrar o gigante!
Hoje o gigante, feito rochedo desde a altura em que foi dobrado, esvai-se em areia fina... Nacionalismo à parte (porque isto tem mais a ver com a vontade dos homens e ele há-os por todo o lado), parece-me uma bela história...

sábado, janeiro 22, 2005

Défice

Os portugueses, andam desanimados... ombros caídos... olhos no chão... sentem-se traídos e vão ressentidos, arrastando-se penosamente na vida, em busca de terra firme ou, na sua falta... de culpados, que lhes tirem algum peso dos ombros! Sentem-se perdidos e sem rumo, neste país caravela desde sempre por vagas lambido. Ora contra, ora ao sabor do vento, da corrente e ainda que por vezes, com as velas esfarrapadas e o casco cheio de rombos das tormentas... vai... este povo, enfrentando os medos, os monstros e gigantes... e com essa matéria fabricando o seu destino.
Mas... há um défice! Um défice enorme de esperança... de coragem e garra, de vontade e determinação de chegar a bom porto. E esse défice, é bem pior do que o outro, de que tanto se tem falado. Não se resolve com teorias de economia de mercado, com operações de cosmética contabilistica, ou golpes de rins da engenharia financeira!
Há um défice. Agigantou-se agora mais uma vez o nacional fatalismo e já pouco interessa de quem é a culpa. Isso é passado!
Urge sacudir do pelo o ressentimento e o queixume, aceitar cada problema como um novo desafio, desatar cada nó que nos tolhe, bradar cada vez mais alto a liberdade e bater cada vez mais forte o pé à desdita, destemidos.
Urge sair do marasmo, pelos filhos, pelos avós e por nós. Sair da conversa de ir ao pipi, que anda à roda... à roda... não dá nada e que espremida, não deita uma gota.
Urge acabar com a inveja e a cuscuvilhice, com a crítica da política do bota a baixo e com a lógica de que é isso que nos põe em cima, sem sequer tentarmos elevar-nos para não corrermos o risco de fracassar.
Urge cultivar a excelência, a perfeição no pormenor, a gentileza escorreita, o olhar e o gesto solidário. O resto são tretas embrulhadas em papel de seda!
Urge mandar às urtigas os medos, chamar os bois pelos nomes e acabar de vez com o servilismo hipócrita e sem sentido.
Urge alcançar o máximo de humildade, com doses q.b. de auto estima que sempre jorra da solicitude enquanto vontade de ser útil.
E... quando com vozes melosas nos disserem: vêm por aqui... urge, analisar-mos muito bem, com a nossa própria cabeça, se é isso mesmo que nos convém.

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Numeros redondos

770 milhões de euros - submarinos
252 milhões de euros - helicópteros
480 milhões de euros - aviões
334,2 milhões de euros - blindados

Total - 1.836,2 milhões de euros.

O hospital de Évora (por exemplo), tem vindo a fazer notar a necessidade de uma unidade de radioterapia. Custa 5 milhões de euros e evita a deslocação sistemática de 1000 doentes, do Alentejo até Lisboa.

quinta-feira, janeiro 20, 2005

Como vender um andar à filha em segurança ou como comprar um andar ao pai sem lhe ficar a dever nada

Com os filhos todos casados, os pais viviam agora numa casa demasiado grande e como em tempos tinham comprado um andar para alugar, agora devoluto, resolveram, por ser mais pequeno, mudar-se para lá!
Como o negócio do arrendamento se tinha revelado aquém das expectativas, sem falar das chatices que lhes tinham criado... resolveram vender o apartamento maior e pôr o dinheiro a render... no banco!
Uma filha agora a viver num andar demasiado pequeno por via de ter tido dois filhos, pensou em comprar o andar aos pais! Pôs a casa pequena à venda, pagou ao banco a hipoteca e negociou um novo empréstimo para comprar a pronto a casa aos pais que ficou por sua vez hipotecada. Os pais, meteram o dinheiro no banco a render numa conta a prazo e vivem agora dos juros.
Entretanto hoje, tanto a filha como os pais se queixam do banco. O pai, diz que recebe pouco e a filha que paga demais!...
Eu, depois de ouvir o que um paga e o que o outro recebe, não resisti a levantar a hipótese de terem feito o negócio entre eles: A filha vendia o andar pequeno, pagava a hipoteca ao banco e dava o dinheiro que sobrasse aos pais. Depois, era simples... a filha ia viver para o andar grande e ficava tudo em família. Em vez de pagar a prestação ao banco, pagava aos pais. Os pais, em vez de receberem do banco, recebiam da filha. Um pagaria menos e o outro receberia mais!... Mas disseram-me logo: Ó pá, isso assim, dava uma enorme complicação e se calhasse ainda se arranjavam chatisses!... E eu acredito! ...E dizem eles mal dos bancos!

terça-feira, janeiro 18, 2005

Querida ONU:
Escrevo-te, julgo eu oportunamente! Nem sei se tão depressa vai surgir um momento tão oportuno! É que os Americanos estão muito sossegados e eu pensei que talvez fosse de aproveitar a ocasião e mandar lá à América uns inspectores! ... Desses... das armas de destruição maciça! Sugiro-te esta acção, porque tenho fortes razões para acreditar que os tipos, com a mania das grandezas que têm, acabam por ser uma ameaça para o mundo! Não é que eles façam por mal! Talvez! Eles até têm explicado muito bem que nos estão a proteger a todos uns dos outros e olha que bem precisamos, porque tu por vezes parece que andas distraida!... Mas é que já não é a primeira vez, que eles ameaçam destruir e destroem mesmo e outras vezes em segredo e sem avisar. Cá para mim, desde que eles fizeram lá aquilo das bombas nucleares em Hiroshima e Nagasaki, confesso, fiquei sempre com um pé atrás!... (destruição maciça, mesmo... foi aquilo!)
Julgo que seria uma bela medida porque ao que parece os homens andam a brincar com o fogo e então mais vale tirar-lhes o fogo das mãos, não vão eles deitar fogo ao que ainda não está a arder! E já agora, eles que se deixem de tretas e assinem o tratado de Quioto que se faz tarde!... Senão... (podes dizer-lhes que fui eu que disse) não vejo nem mais um filme americano. Eles que vão vender a realidade a outro!

segunda-feira, janeiro 17, 2005

Ladrões e polícias

Perdoem-me os ladrões e os polícias! Esta história não pretende retratar qualquer situação real. Apenas tem por objectivo, ombrear com esses programas de entertenimento que alcançam enormes audiências e divertir, entreter e bem dispor! Se bem que não tenha a certeza de que esse objectivo possa vir a ser alcançado, espero com sinceridade, que não venha a ter o efeito contrário. Faço notar contudo, que a continuar a ler estas humildes linhas, o leitor, deve ter em consideração de que esta, é uma história sem pés nem cabeça, que faculta à pessoa que a lê a possibilidade de não pensar durante algum tempo, em coisas sérias da vida que só lhe trazem é ralações, mas... mantem contudo intacta, a liberdade que o leitor tem, de pensar no que lhe der na gana e melhor lhe convier!

- Achas... que eu deva vir a ser polícia ou ladrão? Perguntava a criança à mãe, olhando para o mundo da forma simples e com o espírito pragmático próprio das crianças, que reduzia as escolhas a estes dois extremos opostos, como se entre eles , não existissem bombeiros, pilotos de aviões, médicos ou maquinistas de comboio!... A mãe, posta assim perante a questão, estilo teste americano de sim ou não, isto ou aquilo... claro... respondeu, o que em princípio qualquer outra mãe responderia. -Ó filho, eu acho melhor tu vires a ser polícia. Não pondo sequer a hipótese de sugerir outras alternativas... achou piada à pergunta, contou à noite ao marido e esqueceu o assunto. E foi assim, que com inocente e inconsciente leviandade, marcou o carácter do filho para sempre, sem lhe passar pela cabeça, as voltas que a vida pode dar e quanta ironia o destino nos pode reservar!...

O filho, ao que tudo hoje em dia indica, olhando a coisa à distância, herdara no código genético, a tendência para ladrão, mas, por um complexo de Édipo submerso, nunca se tinha assumido, para não desagradar à mãe. Escolhera optar pela carreira de polícia, numa tentativa velada para a seduzir!
Aguentou viver frustrado uma parte da vida, até ao dia em que os génes gritaram mais alto que a razão e, perante a necessidade de internar a mãe, velha e doente, num "lar" "decente", se viu envolvido, num processo de corrupção.

Hoje, ladrão assumido, vive liberto preso, com a certeza de ter feito o seu melhor, feliz, entre gente que o compreende. A mãe, em consequência deste acontecimento, vive hoje na dispensa de uma tia afastada que tem vivido na miséria e a quem, a pequena pensão que a sobrinha aufere lhe faz um jeitão. Para além de física e materialmente estar impossibilitada de visitar o filho, vive amargurada, sem conseguir libertar-se do complexo de culpa, por ter dado aquele conselho ao filho e angustiada, com a dúvida, de se não teria sido melhor tê-lo aconselhado, a ser ladrão!

Conclusão: Se amar verdadeiramente a sua mãe e possa existir a probabilidade de ela um dia, poder vir a precisar da sua ajuda para ser admitida num "lar" "decente"... se a sua sensibilidade lho permitir e você sentir, desde sempre, vocação para ladrão... prepare-se para a vida... e nunca escolha ser polícia!

domingo, janeiro 16, 2005

Domingo, Janeiro 16, 2005

Apelo para a Humanidade

Tivemos a tristeza de ver recentemente o Tsunami, causando uma grande destruição e vitimando um número inconcebível de pessoas em sete países da Ásia. Sabemos que esse tipo de facto é um acontecimento natural, porém havemos de analisar e acrescentar que a intensidade desse tsunami mostra-nos claramente que o desequilíbrio ambiental é, incontestavelmente, potencializador de forças naturais deste porte. Cabe a nós, definitivamente, uma reflexão séria sobre o assunto e buscarmos maneiras mais correctas de lidarmos com o espaço que vivemos, para que não sejamos nós os responsáveis por catástrofes desta natureza.

Nós blogueiros, propomos desde já, unirmo-nos em um alerta para a humanidade, e implantarmos cada um de nós, a nosso modo e em nosso ambiente, medidas práticas de mudanças!

É tempo de se falar abertamente. É tempo de se abordarem as questões em profundidade e não de forma restritiva. É tempo enfim, de se falar a sério sobre a questão ambiental e ecológica. Sobre a humanidade!

E com razão. É que cada vez mais se toma consciência de que o combate pela preservação, não tem fronteiras, não é regionalizável e de que a resposta ou é global ou não será resposta.

As chuvas ácidas, o efeito de estufa, a poluição dos rios e dos mares, a destruição das florestas, não têm azimute nem pátria, nem região. Ou se combatem a nível global ou ninguém se exime dos seus efeitos.

As pessoas ainda respiram. Mas por quanto tempo?

Os desertos ainda deixam que reverdejem alguns espaços estuantes de vida. Mas vão avançando sempre.

Ainda há manchas florestais não decepadas nem ardidas. Mas é cada vez mais grave o deficit florestal.

Ainda há saldos de crude por extrair, de urânio e cobre por desenterrar, de carvão e ferro para alimentar as grandes metalurgias do mundo. Mas à custa de sucessivas reduções de reservas naturais não renováveis.

Na sua singeleza, o caso é este:

Até agora temos assistido a um modelo de desenvolvimento que resolve as suas crises crescendo cada vez mais. Só que quanto mais se consome, mais apelo se faz à delapidação de recursos naturais finitos e não renováveis, o que vale por dizer que não é essa uma solução durável, mas ela mesma finita em si e no tempo que dura. Por outras palavras: é ela mesmo uma solução a prazo.

Significa isto que, ou arrepiamos caminho, ou a vida sobre a terra está condenada a durar apenas o que durar o consumo dos recursos naturais de que depende.

Não nos iludamos. A ciência não contém todas as respostas. Antes é portadora das mais dramáticas apreensões.

O que há de novo e preocupante nos dias de hoje, é um modelo de desenvolvimento meramente crescimentista – pior do que isso, cegamente crescimentista – que gasta o capital finito de preciosos recursos naturais não renováveis, que de relativamente escassos tendem a sê-lo absolutamente. E se podemos continuar a viver sem urânio, sem ferro, sem carvão e sem petróleo, não subsistiremos sem ar e sem água, para não ir além dos exemplos mais frisantes.

Daí a necessidade absoluta de uma resposta global. Tão só esta necessidade de globalização das respostas, dá-nos a real dimensão do problema e a medida das dificuldades das soluções. Lêem-se o Tratado de Roma, O Acto Único Europeu e mais recentemente as conclusões da Conferência de Quioto, do Rio de Janeiro e Joanesburgo, onde ficou bem patente a relutância dos países mais industrializados, particularmente dos Estados Unidos, em aceitar a redução do nível de emissões. Regista-se a falta de empenhamento ecológico e ambiental das comunidades internacionais e dos respectivos governos, que persistem nas teses neoliberais onde uma economia cega desumanizada e sem rosto acabará por nos conduzir para um beco sem saída.

Por outro lado todos temos sido incapazes de uma visão mais ampla e intemporal. Se houver ar puro até ao fim dos nossos dias, quem vier depois que se cuide!... e continuamos alegremente a esbanjar a água do cantil.

Será que o empresário que projectou a fábrica está psicológica ou culturalmente preparado para aceitar sem sofismas nem reservas as conclusões de uma avaliação séria do respectivo impacto ambiental?
Mesmo sem sacrificar os padrões de crescimento perverso a que temos ligados os nossos hábitos, há medidas a tomar que não se tomam, como por exemplo:

  • Levar até ao limite do seu relativo potencial o uso da energia solar e da energia eólica.
  • Levar até ao limite a preferência da energia hidráulica sobre a energia térmica.
  • Regressar à preferência dos adubos orgânicos sobre os adubos químicos.
  • Corrigir o excessivo uso dos pesticidas.
  • Travar enquanto é tempo a fúria do descartável, da embalagem de plástico, dos artigos de intencional duração.
  • Regressar ao domínio do transporte ferroviário sobre o rodoviário.
  • Repensar a dimensão irracional do transporte urbano em geral e do automóvel em particular.
  • Repensar, aliás, a loucura em que se está tornando o próprio fenómeno do urbanismo.
  • Reformular a concepção das cidades e das orlas costeiras


  • Dito de outro modo: a moda política tende a ser, um constante apelo às terapêuticas de crescimento pelo crescimento. È tarde demais para desconhecermos que, quando a produção cresce, as reservas naturais diminuem.

    Há porém um fenómeno que nem sempre se associa ás preocupações da humanidade. Refiro-me à explosão demográfica.

    Com mais ou menos rigor matemático, é sabido que a população cresce em progressão geométrica e os alimentos em progressão aritmética. Assim, em menos de meio século, a população do globo cresceu duas vezes e meia !...
    Nos últimos dez anos, crescemos mil milhões!... Sem grande esforço mental, compreendemos aonde nos levará esta situação.

    Se é de um homem mais sensato e responsável que se precisa, um homem que olhe amorosamente para este belo planeta que recebeu em excelentes condições de conservação e está metodicamente destruindo; de um homem que jure a si mesmo em cadeia com os seus semelhantes, fazer o que for preciso para que o ar permaneça respirável, que a água seja instrumento de vida e dela portadora, e os equilíbrios naturais retomem o ciclo da auto sustentação, empenhemo-nos desde já nessa tarefa, com persistência e determinação.

    Se é a continuação da vida sobre a terra que está em causa, e em segunda linha a qualidade de vida, para quê perder mais tempo?...

    Por isso apelamos a todos quantos se queiram associar a este movimento pela preservação Natureza, pela Paz e pelo desenvolvimento harmonioso da Humanidade, para subscreverem este Apelo.

    Ao fazê-lo estamos a afirmar a nossa cidadania, enquanto pessoas livres, que olham com preocupação o futuro da Humanidade, o futuro dos nossos filhos!

    Tudo está explicado em Fraternidade

    sábado, janeiro 15, 2005

    O cérebro da galinha

    Na sequência do post de 9 de Dezembro de 2004, "Metodo para apanhar uma galinha gordinha" e a pedido de uma família amiga, retorno ao assunto, sem malícia... ainda que com alguma ironia, em jeito de tempero!

    A galinha, dá uma bela canjinha (obrigado Ana, nunca é demais lembrar). Isso é ponto assente e se alguns não gostam da galinha em si, raros são os que não gostam, da sua canjinha!
    Vem isto aqui a propósito, de se ter vindo a dizer, que a galinha é estúpida e só cacareja, que a galinha é porca e debica em tudo o que mexe ou não, em tudo o que aparenta viver ou apodrece, que mete o bico onde não é chamada e passa a vida aturdida, em luta cerrada para sobreviver! E tudo, no fundo... para corresponder, ao que todos esperam dela!
    Eu acho, que isto é injusto e que não devia ser dito, principalmente por quem lhe chupa os ossos!

    Quer dizer... anda a galinha disposta a sujeitar-se a comer o que lhe aparecer, fugindo a qualquer custo espavorada, ao raquitismo... para, assim que engorda um pouquinho, ser apanhada em malha apertada e comida, por quem não se cansa de bradar aos sete ventos, muito "elegantemente"... impropérios sobre a galinha!...

    Que fariam os apreciadores de canjinha, se a galinha revoltada, se lhe metesse na cabeça pequenina, aprender a tocar piano e a falar francês, e se recusasse, a esgravatar ou até a comer a porcaria da farinha, que os aperciadores de canjinha lhe põem no prato?

    Qual o futuro, desses "apreciadores", se o cérebro da galinha crescesse, se lhe rasgassem os olhos, e sem medo de emagrecer, não mais fosse em conversas e não se deixa-se apanhar, por aquele velho método, de "como apanhar uma galinha gordinha?...

    Talvez então, tivessem um pouco mais de respeito pela galinha... e esta, de mais respeitada, viesse a entender que é no dar que está o ganho e passa-se a oferecer de bom grado, um ovo ou outro, que não estivesse galado!

    quinta-feira, janeiro 13, 2005

    Abdel e Branbila

    Abdel no mundo Árabe e Branbila na Itália, são nomes tão comuns como Silva em Portugal.
    Na sequência de um estudo levado a cabo na Itália, chegou-se à conclusão de que estão registadas neste país, mais pequenas e médias empresas de construção civil e reparações, mercearias de bairro, empresas de limpezas e de serviços e do sector terciário em geral, em nome de Abdel, do que de Branbila!

    Apresentado isto como um facto em que devemos reflectir, poderemos chegar a alguma destas conclusões? :

    A - Bin Laden, apesar dos esforços do auto proclamado protector do mundo ocidental, o desempoeirado Bush, insiste, persiste e não desiste da sua luta, invadindo o ocidente, agora de modo subtil e neste caso, infiltrando agentes com armas (mãos) de "construção" e limpeza, maciças. Estes agentes, que trabalham a coberto do papel do emigrante "coitadinho", obrigam neste caso o Italiano (em Portugal os agentes infiltrados são mais Brazileiros), a aceitar a sua mão de obra barata, com o verdadeiro objectivo de roubar postos de trabalho, de perverter o modelo económico em vigor, a cultura ocidental e de comprometer definitivamente a tão desejada globalização, partilha de mercados e encontro de culturas.

    B - Muitos Árabes, particularmente do norte de África, face à miséria escandalosa em que vivem, aceitaram como inevitável, a necessidade de emigrarem e de se sujeitarem a condições de vida e de trabalho, a que os Europeus torcem o nariz e a que não querem (e que podem não querer!) sujeitar-se, optando por aproveitar-se da miséria e necessidade destes emigrantes acossados, usufruindo de serviços a que, em alguns casos até, de outro modo não teriam acesso, alimentando assim, com mais ou menos consciência, a existência destes escravos dos tempos modernos, recrutáveis um pouco por todo o mundo.

    C - Outras conclusões...