Vai para três anos que muitos portugueses ficaram em choque ou surpreendidos, com aquilo que se resolveu ao tempo chamar: Arrastão. Dia 10 de Junho, na praia de Carcavelos. Dois dias depois, esboçou-se coisa idêntica em Quarteira e, por essa altura, tinha ainda havido uma série de assaltos nos comboios da linha de Sintra. Tudo junto, pareceu chamar a atenção das forças de segurança e, nos dias seguintes, foram reforçados os meios. Na altura, sobre o arrastão, manifestei-me aqui e sobre a problemática em geral, aqui.
Hoje, as coisas, não continuam na mesma. Estão piores! Existem mais armas na rua e, o clima tornou-se mais periclitante. Até aqui, nada de novo. Não é?!...
...Acontece que (segundo o Expresso de 21/03/2008), na sequência destes episódios algo preocupantes, foi criado um Gabinete de Estudos Criminológicos da PSP que, lançou um projecto inédito de prevenção da criminalidade. A iniciativa, que contava com o apoio de sociólogos, ensaiou uma aproximação à realidade sócio económica dos bairros mais problemáticos, procurando compreender e, intervir na formação dos jovens sinalizados como de risco. No primeiro ano deste projecto - no balanço feito pelo subintendente Victor Rodrigues -, as expectativas tinham sido ultrapassadas, a criminalidade tinha diminuído em vários pontos percentuais (particularmente no bairro mais problemático; o "6 de Maio") e, a intenção, era estender o projecto a todos os pontos do país em que os estudos deste gabinete apontavam para a probabilidade do desenvolvimento de novos focos de violência e criminalidade.
Entretanto (continuando a citar o Expresso), a PSP dispensou a socióloga que trabalhava no projecto há três anos e o coordenador no terreno foi afastado das funções! ...Falta de verbas e outras prioridades terão sido as justificações que lhe foram dadas.
A socióloga, foi contratada pelo Centro Social do bairro 6 de Maio.
A Direcção Nacional da PSP, confirma que o projecto está em avaliação e assegura que não deixou de ser prioritário...
Parece que existem verbas para contratar mais polícias, mais equipamentos; câmaras, carros, armas e tal... os cidadãos também vão comprando, cada vez mais, armas... agora, para sanar a origem dos problemas... o que parece, é que não há vontade! ...Vá-se lá saber porquê.
Este é um espaço sem meta e sem rumo estabelecido. É fruto deste tempo em que cada vez mais de nós sabem muito de pouca coisa, muitos, sabem de tudo pouco e alguns, nos dizem o que havemos de pensar.
quinta-feira, março 27, 2008
terça-feira, março 25, 2008
Uma fissura grave num pilar fundamental
Isto de o estado investir em saúde privada, parece-me um paradoxo. Contudo, o Grupo Caixa Geral de Depósitos, é o principal accionista, com 75% dos "Hospitais Privados de Portugal - Saúde". Para não me parecer um paradoxo, a C.G.D. enquanto empresa pública com lucros que raiam a agiotagem - no mínimo -, entregaria os seus lucros ao estado ( a todos nós, que a financiamos desde que ela apareceu), sendo que assim o estado, teria mais dinheiro para investir em saúde pública. ...Mas isto, enfim, já começa a parecer surrealismo...
...Em Portugal, a saúde deixou de ser uma prioridade na estratégia de desenvolvimento e, passou a ser um negócio. Bancos e seguradoras, bem que o sabem, sendo que, vão advertindo que os prémios de seguro vão ter que aumentar!... Pelos vistos, estamos a voltar ao tempo das sangrias!
Razão, parecem ter aqueles que podiam contribuir com muito e por isso não contribuem com quase nada... é que, na hora de aflição, têm o dinheiro para recorrerem à medicina privada.
Enquanto isso, os mais obtusos, ainda vão fazendo dos médicos e restante pessoal do S.N.S., os bódes expiatórios. Mas, é curto!...
...Em Portugal, a saúde deixou de ser uma prioridade na estratégia de desenvolvimento e, passou a ser um negócio. Bancos e seguradoras, bem que o sabem, sendo que, vão advertindo que os prémios de seguro vão ter que aumentar!... Pelos vistos, estamos a voltar ao tempo das sangrias!
Razão, parecem ter aqueles que podiam contribuir com muito e por isso não contribuem com quase nada... é que, na hora de aflição, têm o dinheiro para recorrerem à medicina privada.
Enquanto isso, os mais obtusos, ainda vão fazendo dos médicos e restante pessoal do S.N.S., os bódes expiatórios. Mas, é curto!...
domingo, março 16, 2008
Dois pássaros a voar
"O fundamental é fazer boa viagem. O destino é um pretexto irrelevante."
Cheio de pressa de chegar, galgava caminho sem desfrutar a viagem. Preso ao passado, a uma partida... obcecado com o futuro, com uma chegada... inviabilizava continuamente estar presente no aqui e agora!... O exacto momento, em que a vida se desenrolava.
Cheio de pressa de chegar, galgava caminho sem desfrutar a viagem. Preso ao passado, a uma partida... obcecado com o futuro, com uma chegada... inviabilizava continuamente estar presente no aqui e agora!... O exacto momento, em que a vida se desenrolava.
quinta-feira, março 13, 2008
Arrogância ou lamentável atoarda?
12/3/2008 -"Foram tantas as coisas que fizemos bem, que não temos de perder tempo com o que fizemos mal."
...Vitalino Canas à comunicação social, enquanto porta voz do partido que governa com maioria...
1/2/2006 - Curiosamente, o mesmo Vitalino Canas, também como porta voz do PS, e, a propósito do processo de escolha do candidato presidencial, declarou: "Com certeza que se aprendem com os erros e certamente que quando tivermos de escolher novamente candidatos, olharemos para os erros que cometemos agora".
O Vitalino, dirá o que lhe mandam. O PS mandará o que lhe deixam. Os erros, comprometem os resultados.
...Vitalino Canas à comunicação social, enquanto porta voz do partido que governa com maioria...
1/2/2006 - Curiosamente, o mesmo Vitalino Canas, também como porta voz do PS, e, a propósito do processo de escolha do candidato presidencial, declarou: "Com certeza que se aprendem com os erros e certamente que quando tivermos de escolher novamente candidatos, olharemos para os erros que cometemos agora".
O Vitalino, dirá o que lhe mandam. O PS mandará o que lhe deixam. Os erros, comprometem os resultados.
segunda-feira, março 10, 2008
Uma proposta
Há 4,6 mil milhões de anos, num sector periférico da Via Láctea, uma estrela maciça esgotou a matéria carburante para continuar a gerar energia e brilhar.
Uma espécie de morte de uma estrela maciça.
Na realidade, esgotada de recursos, o seu coração agonizante submetido à gravidade... explodiu e projectou no espaço as suas camadas superiores numa deflagração fulgurante, enquanto se transformava em supernova; uma estrela de neutrões, com o brilho de milhares de milhões de sóis...
Em seu redor, numa cintura em que ficaram a pairar uma infinidade de partículas que foram interagindo com uma nuvem gasosa ancestral, tivera início uma dança patrocinada pela gravidade e pelo electromagnétismo, que duraria muitos milhões de anos ao longo dos quais as partículas, atraídas umas pelas outras se foram aglomerando. Diminuiam de número, aumentavam de tamanho e, a gravidade ia moldando essas massas cada vez maiores em esfera até nascerem os planetas, e o espaço livre para o seu passeio sumptuoso...
...Esta, a forma encontrada por Trinh Xuan Thuan (no livro: "O caos e a Harmonia, a fabricação do real"), para nos contar o início da história do sistema solar. Um livro a não perder, para quem quiser saber um pouco mais de onde vem e de que é composto.
Uma espécie de morte de uma estrela maciça.
Na realidade, esgotada de recursos, o seu coração agonizante submetido à gravidade... explodiu e projectou no espaço as suas camadas superiores numa deflagração fulgurante, enquanto se transformava em supernova; uma estrela de neutrões, com o brilho de milhares de milhões de sóis...
Em seu redor, numa cintura em que ficaram a pairar uma infinidade de partículas que foram interagindo com uma nuvem gasosa ancestral, tivera início uma dança patrocinada pela gravidade e pelo electromagnétismo, que duraria muitos milhões de anos ao longo dos quais as partículas, atraídas umas pelas outras se foram aglomerando. Diminuiam de número, aumentavam de tamanho e, a gravidade ia moldando essas massas cada vez maiores em esfera até nascerem os planetas, e o espaço livre para o seu passeio sumptuoso...
...Esta, a forma encontrada por Trinh Xuan Thuan (no livro: "O caos e a Harmonia, a fabricação do real"), para nos contar o início da história do sistema solar. Um livro a não perder, para quem quiser saber um pouco mais de onde vem e de que é composto.
segunda-feira, março 03, 2008
Uma cultura leviana
Está mais ou menos instituído que cada um de nós tem um preço! ...Uma espécie de ponto crítico a partir do qual qualquer um prescinde da sua integridade. Há até a propósito, uma espécie de anedota: um tipo, cheio de dinheiro, resolve ceder ao capricho de ir ao cú a outro. Faz-lhe a proposta e, o outro, indignado, diz-lhe que não é paneleiro. O primeiro, convencido de saber como as coisas funcionam, faz-lhe uma oferta de 50 euros! O outro, estupefacto, repete que não é paneleiro. O primeiro - cheio de dinheiro -, aumenta a parada e oferece 500 euros. Mais uma vez o outro, sem vacilar, repete que não é paneleiro. O primeiro, já quase ofendido - por um pobre e mal agradecido -, resolve encostar o teimoso à parede oferecendo-lhe 50.000 euros... o outro, repete que não é paneleiro e, diz o primeiro - o tipo cheio de dinheiro -: pá, tu não és paneleiro... tu és è estúpido!...
...Se para uns isto serve para rir, para outros, serve para reflectir...
Será a lógica contida nesta anedota, que leva muitas das chamadas "figuras públicas" a vender a sua imagem a favor do que quer que seja, a troco de uma verba estipulada?!
A meu ver, são mais putas que as putas. É que as putas, vendem o corpo! Quer dizer: ao menos vendem o que lhes pertence.
...Se para uns isto serve para rir, para outros, serve para reflectir...
Será a lógica contida nesta anedota, que leva muitas das chamadas "figuras públicas" a vender a sua imagem a favor do que quer que seja, a troco de uma verba estipulada?!
A meu ver, são mais putas que as putas. É que as putas, vendem o corpo! Quer dizer: ao menos vendem o que lhes pertence.
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
Uma breve espreitadela em bicos de pés.
Pôrmo-nos em bicos de pés, espreitarmos o mundo de mais alto e ver mais longe... se bem que pouco sustentável, é possível.
Não fora a precariedade dessa posição exigente que rápido nos causa dor e nos leva a desistir de olhar a coisa de cima, e toda a realidade poderia mudar. A nossa, e a do mundo dessa feita vislumbrado!
De qualquer modo, tendo nós em algum momento optado por esse vislumbre - se bem que fugaz - possível, jamais seremos os mesmos! A partir daí, não podemos ignorar que, o mundo que vemos tem a ver com a forma de o olhar.
Não fora a precariedade dessa posição exigente que rápido nos causa dor e nos leva a desistir de olhar a coisa de cima, e toda a realidade poderia mudar. A nossa, e a do mundo dessa feita vislumbrado!
De qualquer modo, tendo nós em algum momento optado por esse vislumbre - se bem que fugaz - possível, jamais seremos os mesmos! A partir daí, não podemos ignorar que, o mundo que vemos tem a ver com a forma de o olhar.
quinta-feira, janeiro 24, 2008
Mudar o mundo ou talvez não
A forma como o homem tem representado a vida - a realidade com que me deparo - , não é, absolutamente, aquilo que eu desejaria.
Pudesse eu esquecer a minha semelhança com o resto dos humanos e, atrever-me-ia a acreditar na possibilidade de viver-mos em paz, amor e harmonia, para sempre!... Quimeras! Talvez!
Depois do determinismo de Newton e das verdades absolutas de Lapalice, numa época em que se acreditou ser possível aceder em definitivo aos mistérios mais profundos do Universo, prever (por assim dizer) o futuro, viver em estável ordem... Poincaré, abriu a porta do caos. ...Um novo caos. A outra face - antagónica e complementar - da harmonia!
Falava do um novo mundo, composto de mudança e arbitrariedade. Um passo à frente da regra, do determinado, do esperado e até do provável. Falava que, a órbita dos planetas vai mudando e a qualquer momento o imponderável pode acontecer.
Formulou a teoria a propósito da mecânica. Os colegas estrebucharam mas, umas décadas depois percebeu-se que era aceitável na generalidade.
Para o homem, o cosmos (o micro e o macro), deixara de ser a máquina de rotinas eternas passível de ser desventrada e dar a conhecer a sua essência para premiar estudos rigorosos e sistemáticos.
O contrário da monotonia. A maior dádiva da vida! Para cada nova certeza, novas e sucessivas incógnitas desafiam o homem a rapar o fundo a um tacho que, depois de Poincaré e de Einstein, sabemos não ter fundo. Os físicos hoje, permitem-se afirmar a existência de partículas fantasmagóricas (os neutrinos)!...
Acabadas as certezas categóricas, somos tentados a dar um salto no vazio e utilizar-mos a intuição; a interacção que temos com o cosmos. Quem sabe, um dia, possamos parar de querer mudar o mundo sem mudar-mos a nós próprios...
Pudesse eu esquecer a minha semelhança com o resto dos humanos e, atrever-me-ia a acreditar na possibilidade de viver-mos em paz, amor e harmonia, para sempre!... Quimeras! Talvez!
Depois do determinismo de Newton e das verdades absolutas de Lapalice, numa época em que se acreditou ser possível aceder em definitivo aos mistérios mais profundos do Universo, prever (por assim dizer) o futuro, viver em estável ordem... Poincaré, abriu a porta do caos. ...Um novo caos. A outra face - antagónica e complementar - da harmonia!
Falava do um novo mundo, composto de mudança e arbitrariedade. Um passo à frente da regra, do determinado, do esperado e até do provável. Falava que, a órbita dos planetas vai mudando e a qualquer momento o imponderável pode acontecer.
Formulou a teoria a propósito da mecânica. Os colegas estrebucharam mas, umas décadas depois percebeu-se que era aceitável na generalidade.
Para o homem, o cosmos (o micro e o macro), deixara de ser a máquina de rotinas eternas passível de ser desventrada e dar a conhecer a sua essência para premiar estudos rigorosos e sistemáticos.
O contrário da monotonia. A maior dádiva da vida! Para cada nova certeza, novas e sucessivas incógnitas desafiam o homem a rapar o fundo a um tacho que, depois de Poincaré e de Einstein, sabemos não ter fundo. Os físicos hoje, permitem-se afirmar a existência de partículas fantasmagóricas (os neutrinos)!...
Acabadas as certezas categóricas, somos tentados a dar um salto no vazio e utilizar-mos a intuição; a interacção que temos com o cosmos. Quem sabe, um dia, possamos parar de querer mudar o mundo sem mudar-mos a nós próprios...
sábado, janeiro 12, 2008
E o burro a dar-lhe com a farinha
Os economistas de serviço, esfalfam-se em fazer a bota dar com a perdigota.
A realidade galopa resfolgante. Avança à rédea solta, esporeada para dar a volta ao mundo em menos de nada e chegar a todos os lugares, a todos os lares, a todos os seres... através daquela arte do parte e reparte... na terra dos cegos e do Rei e dos que não querem ver e dos que têm mais o que fazer.
Os economistas de serviço, os que aceitam os emolumentos para maquilhar o cadáver e fazê-lo parecer vivo e saudável garantem, que segundo estudos recentes, as leis do mercado livre/a oferta e a procura, são as mais justas, e que, não há em jogo um só dado viciado.
...Estão a trabalhar. Nunca se enganam e raramente têm dúvidas! Estão de serviço para nos poupar desse incómodo de pensar.
...Nada a reflectir. Tudo a conferir: 2+2=4. Mais 21%, menos 21%.
Ninguém tem que se ralar! Mais calote polar menos calote polar.
O que interessa, verdadeiramente, é meter p'ró monte e contabilizar. Pataca aqui, pataca lá, um dó lí tá, quem está livre livre está, cara de amendoá e, pronto... um truque, um balão no ar, um coelho a saltar da cartola... mais submarino menos submarino... ilhas Caimão, charuto cubano...
Tudo na boa. Cheio de transparências...
Vai bem montada, a realidade. Molda-lhe o dorso o Mascarilha, o Zorro, o Robin dos Bosques e o cego. O pior cego...
A realidade galopa resfolgante. Avança à rédea solta, esporeada para dar a volta ao mundo em menos de nada e chegar a todos os lugares, a todos os lares, a todos os seres... através daquela arte do parte e reparte... na terra dos cegos e do Rei e dos que não querem ver e dos que têm mais o que fazer.
Os economistas de serviço, os que aceitam os emolumentos para maquilhar o cadáver e fazê-lo parecer vivo e saudável garantem, que segundo estudos recentes, as leis do mercado livre/a oferta e a procura, são as mais justas, e que, não há em jogo um só dado viciado.
...Estão a trabalhar. Nunca se enganam e raramente têm dúvidas! Estão de serviço para nos poupar desse incómodo de pensar.
...Nada a reflectir. Tudo a conferir: 2+2=4. Mais 21%, menos 21%.
Ninguém tem que se ralar! Mais calote polar menos calote polar.
O que interessa, verdadeiramente, é meter p'ró monte e contabilizar. Pataca aqui, pataca lá, um dó lí tá, quem está livre livre está, cara de amendoá e, pronto... um truque, um balão no ar, um coelho a saltar da cartola... mais submarino menos submarino... ilhas Caimão, charuto cubano...
Tudo na boa. Cheio de transparências...
Vai bem montada, a realidade. Molda-lhe o dorso o Mascarilha, o Zorro, o Robin dos Bosques e o cego. O pior cego...
domingo, janeiro 06, 2008
Uma conversa chata
A incoerência passou a ser um atributo fundamental do actual homem moderno. Tanto lhe amortece-lhe a queda, como lhe promove a ascenção! Definitivamente, o "não sei quê, e tal... e coiso...", está na berra. A malta reve-se nisso. E, numa análise assim assim, encontramos fundamento!... É que, os problemas fundamentais da nossa civilização, estão mais que identificados e são de resolução inadiável. Não há volta a dar nem mais de que falar!
Todos e cada um dos individuos da sociedade ocidental ( mesmo, os do "não sei quê e tal... e coiso..."), estão conscientes da insustentabilidade da "cena" e, estão carecas de saber que isto já lá não vai com palavras e boas intenções. 5/6 da humanidade não se alimentam com essa cena... e estão-se bem cagando para que a culpa seja do Socrates ou do Bush...
Todos e cada um dos individuos da sociedade ocidental ( mesmo, os do "não sei quê e tal... e coiso..."), estão conscientes da insustentabilidade da "cena" e, estão carecas de saber que isto já lá não vai com palavras e boas intenções. 5/6 da humanidade não se alimentam com essa cena... e estão-se bem cagando para que a culpa seja do Socrates ou do Bush...
domingo, dezembro 30, 2007
Um flop
Agarrem-me, que eu vou-me a eles! ...Dizia o tipo, fincando o olhar em burocratas, juízes, corruptos em geral, bancos, companhias de seguros, farmacêuticas, industrias do diagnóstico, comércio e distribuição de alimentação, lobies das obras públicas, confederações cheias de poder que, vêm em bandos com pés de veludo chupar o sangue fresco da manada...
Afinal, para além de perseguir quem o critica e de despedir quem não é subserviente - à maneira de antigamente -, anda a catar os trocos ao pequeno contribuinte.
Dir-se-ia que, nada disto é novo!... Pois, não é verdade. Desta vez, há que contar com a fantástica euforia da economia liberal neste novo contexto da globalização! Os últimos a sair, que fechem a porta, bem fechada. Pode ser que a besta lá fique trancada.
Afinal, para além de perseguir quem o critica e de despedir quem não é subserviente - à maneira de antigamente -, anda a catar os trocos ao pequeno contribuinte.
Dir-se-ia que, nada disto é novo!... Pois, não é verdade. Desta vez, há que contar com a fantástica euforia da economia liberal neste novo contexto da globalização! Os últimos a sair, que fechem a porta, bem fechada. Pode ser que a besta lá fique trancada.
quinta-feira, dezembro 20, 2007
Mais vale pouco que nada ou talvez não
Mais uma vez no ar, o cheiro a sonhos. A filhoses e rabanadas, pudim de Natal e tal...
Assediam-me com pacotes promocionais de mensagens alusivas por atacado. ...Pré fabricadas. Concebidas por criativos especialistas em tirar ganho ao manter vivos sentimentos moribundos.
Pressente-se a chegada de uma golfada de ignota caridade, ternura gelatinosa...
Desesperado, o comércio tradicional aguarda quase até à consoada, esperançado em conseguir poder continuar a respirar pela palhinha. Fininha!
A maioria, barricada nos escombros do amor entre os homens, adia o estertor da família com bons votos, luzinhas intermitentes, e isso assim...
Tudo se passa rápido. Uma ou duas dúzias de horas se tanto!
Alguns, chegam a ir levantar fardos quase esquecidos, depositados em "lares" mais ou menos isentos de bactérias ou cheiro a mijo. Mais ou menos isentos de afectos.
...Outros - por falta ou excesso -, nem tanto. ...Dão lá uma passadinha no cair da tarde do 25, ou ligam de lá longe onde há neve ou sol radiante, para o telemóvel... se valer a pena. ...É que há velhos que já não entendem nada. Não reconhecem o filho, nem a nora, nem os netos, nem o mundo!... Alzheimer, portantus. ...Outros ainda, na quadra, depositam o fardo na urgência de um hospital distrital...
Os Mega Centros Comerciais - os tais, os maiores da Europa!... -, rejubilam. Sentem a crise, claro! ...Não a dos valores ou dos afectos! A outra. A que não deixa consumir de tudo até não querer mais nada.
É a comprar, que a classe emergente de endividados permanentes, artilhados até aos dentes com cartões dourados, se afirmam e têm a certeza de existir. É a trocar votos e prendinhas de natal que espiam o pecado de existir sem querer saber de nada para além do seu quintal. Transbordam optimismo e só olham em frente - é p'ra lá, a fuga -!
...Palas laterais... visão de campo reduzida... árvores de natal - as maiores da Europa - pagas por quem lhes tira a pele... nem se incomodam com efeitos colaterais do espalhafato emocial, ou coisa assim!... Aproxima-se o tempo de paz e amor. A maioria, diz que é bem melhor ser pouco, que nenhum. Opiniões!
Assediam-me com pacotes promocionais de mensagens alusivas por atacado. ...Pré fabricadas. Concebidas por criativos especialistas em tirar ganho ao manter vivos sentimentos moribundos.
Pressente-se a chegada de uma golfada de ignota caridade, ternura gelatinosa...
Desesperado, o comércio tradicional aguarda quase até à consoada, esperançado em conseguir poder continuar a respirar pela palhinha. Fininha!
A maioria, barricada nos escombros do amor entre os homens, adia o estertor da família com bons votos, luzinhas intermitentes, e isso assim...
Tudo se passa rápido. Uma ou duas dúzias de horas se tanto!
Alguns, chegam a ir levantar fardos quase esquecidos, depositados em "lares" mais ou menos isentos de bactérias ou cheiro a mijo. Mais ou menos isentos de afectos.
...Outros - por falta ou excesso -, nem tanto. ...Dão lá uma passadinha no cair da tarde do 25, ou ligam de lá longe onde há neve ou sol radiante, para o telemóvel... se valer a pena. ...É que há velhos que já não entendem nada. Não reconhecem o filho, nem a nora, nem os netos, nem o mundo!... Alzheimer, portantus. ...Outros ainda, na quadra, depositam o fardo na urgência de um hospital distrital...
Os Mega Centros Comerciais - os tais, os maiores da Europa!... -, rejubilam. Sentem a crise, claro! ...Não a dos valores ou dos afectos! A outra. A que não deixa consumir de tudo até não querer mais nada.
É a comprar, que a classe emergente de endividados permanentes, artilhados até aos dentes com cartões dourados, se afirmam e têm a certeza de existir. É a trocar votos e prendinhas de natal que espiam o pecado de existir sem querer saber de nada para além do seu quintal. Transbordam optimismo e só olham em frente - é p'ra lá, a fuga -!
...Palas laterais... visão de campo reduzida... árvores de natal - as maiores da Europa - pagas por quem lhes tira a pele... nem se incomodam com efeitos colaterais do espalhafato emocial, ou coisa assim!... Aproxima-se o tempo de paz e amor. A maioria, diz que é bem melhor ser pouco, que nenhum. Opiniões!
domingo, novembro 25, 2007
Quem me dava ouvidos era ceguinho
Antes de saber que era psicótico e de tomar a medicação, tudo podia representar um enorme problema...
Cheguei até a pensar que, privatizar o sector público seria um paradoxo!
Hoje, graças ao "sedoxil", ao "tranquilan", ao "sem stress", ao "deixa andar e não te rales", ao "essa cenoura é minha" e mais uns outros que não me lembro... posso reconhecer que era uma besta. Um doente, vá!
Cheguei até a pensar que, privatizar o sector público seria um paradoxo!
Hoje, graças ao "sedoxil", ao "tranquilan", ao "sem stress", ao "deixa andar e não te rales", ao "essa cenoura é minha" e mais uns outros que não me lembro... posso reconhecer que era uma besta. Um doente, vá!
quinta-feira, novembro 01, 2007
Obesidade neural
Recuando na história do chamado "Mundo civilizado", encontramos a fome, como um dos maiores males. De tal forma instituída, que o facto de trabalhar de sol a sol não garantia ficar a salvo dela.
Os mais criativos, fintavam-na à base de sopas mais ou menos deslavadas, ervas do campo com ou sem cheiro, açordas e papas e, uma vez por outra, restos de animais que os senhores feudais podiam entender como lixo.
Por via dessa miséria, a cozinha tradicional foi enriquecendo e hoje, a classe média assim assim alta, dividida entre a nostalgia e a sofisticação, esfalfa-se a galgar estrada em busca de açorda alentejana, sopa de cação, e coisas assim...
Entretanto, a maioria, os pobres do mundo rico, tiram a barriga de misérias ancestrais, esconjuram velhas estórias de sardinhas a dividir por quatro, sacos de pão duro fechados à chave... enfardando entremeada aos quilos com muita batata frita, costoletões de novilho, salsichas, hamburgueres, sobremesas... tudo com muitos molhos, em busca de certezas de se estar atestado!
A indústria alimentar, com a necessidade generalizada de produzir e vender mais, estimula e acompanha a coisa e todos os dias cria novos produtos e estimula o consumo. Pouco importa a substância. Privilegia-se o sabor, a abertura fácil, a preparação instantânea.
Aumentam os obesos, os diabéticos, os hipertensos, os cardíacos, os fígados hipertrofiados, as industrias do diagnóstico, as salas de cirurgia. Lipoaspira-se, desentope-se, corta-se e encolhe-se. A industria farmacêutica não tem mãos a medir...
Vêm isto a propósito, da obesidade neural. ...É que a doida correria para fazer dinheiro chegou à cultura, à informação, à formação!...
Alimenta-se o neurónio com carradas de substâncias de todos os sabores e cores, mas, sem substância. E a oferta é tal que o neurónio atarantado de tanta fartura, habituado a consumir sem questionar... encharca-se em não notícias, sem mastigar, coisas vindas do nada para vender, deixar um gostinho na boca (do neurónio) e, sabe-se lá que mais. E ele é livros e filmes, documentários publicitários, teorias de esquina atestadas por cientistas de serviço...
Depois, claro... o neurónio incha, fica enfartado, esgotado, sem espaço para mais nada...
Dir-se-à, que tudo isto tem a ver com manipulação, interesses mais ou menos obscuros, golpes baixos da política económica e tal... mas, não será chegado o tempo de começar a verificar o que se leva à boca? De mastigar mais devagar?
È que, se esperamos que quem nos vende frangos de aviário - cada vez mais baratos e tenrinhos -, vá deixar de o fazer por ter metido a mão na consciência... bem podemos esperar sentados.
Os mais criativos, fintavam-na à base de sopas mais ou menos deslavadas, ervas do campo com ou sem cheiro, açordas e papas e, uma vez por outra, restos de animais que os senhores feudais podiam entender como lixo.
Por via dessa miséria, a cozinha tradicional foi enriquecendo e hoje, a classe média assim assim alta, dividida entre a nostalgia e a sofisticação, esfalfa-se a galgar estrada em busca de açorda alentejana, sopa de cação, e coisas assim...
Entretanto, a maioria, os pobres do mundo rico, tiram a barriga de misérias ancestrais, esconjuram velhas estórias de sardinhas a dividir por quatro, sacos de pão duro fechados à chave... enfardando entremeada aos quilos com muita batata frita, costoletões de novilho, salsichas, hamburgueres, sobremesas... tudo com muitos molhos, em busca de certezas de se estar atestado!
A indústria alimentar, com a necessidade generalizada de produzir e vender mais, estimula e acompanha a coisa e todos os dias cria novos produtos e estimula o consumo. Pouco importa a substância. Privilegia-se o sabor, a abertura fácil, a preparação instantânea.
Aumentam os obesos, os diabéticos, os hipertensos, os cardíacos, os fígados hipertrofiados, as industrias do diagnóstico, as salas de cirurgia. Lipoaspira-se, desentope-se, corta-se e encolhe-se. A industria farmacêutica não tem mãos a medir...
Vêm isto a propósito, da obesidade neural. ...É que a doida correria para fazer dinheiro chegou à cultura, à informação, à formação!...
Alimenta-se o neurónio com carradas de substâncias de todos os sabores e cores, mas, sem substância. E a oferta é tal que o neurónio atarantado de tanta fartura, habituado a consumir sem questionar... encharca-se em não notícias, sem mastigar, coisas vindas do nada para vender, deixar um gostinho na boca (do neurónio) e, sabe-se lá que mais. E ele é livros e filmes, documentários publicitários, teorias de esquina atestadas por cientistas de serviço...
Depois, claro... o neurónio incha, fica enfartado, esgotado, sem espaço para mais nada...
Dir-se-à, que tudo isto tem a ver com manipulação, interesses mais ou menos obscuros, golpes baixos da política económica e tal... mas, não será chegado o tempo de começar a verificar o que se leva à boca? De mastigar mais devagar?
È que, se esperamos que quem nos vende frangos de aviário - cada vez mais baratos e tenrinhos -, vá deixar de o fazer por ter metido a mão na consciência... bem podemos esperar sentados.
sábado, outubro 20, 2007
Saúde a maior riqueza
Em crise aguda psicótica, entendia a U.E como uma boa ideia inquinada por um pequeno grupo de burocratas com acesso às máquinas de fazer dinheiro do F.M.I e do B.M. Achava que os cidadãos europeus e do resto do mundo, eram manipulados por processos mais ou menos maquiavélico de modo a não perturbarem o curso das coisas imprimido por gente sem rosto sentada em cadeirões feitos de molhos de notas e que, - qual tio patinhas - se regozijam a nadar em dinheiro com tal deleite, que chegam a confundir a realidade com a ficção, apoiados em velhas teorias com que se auto desculpam e livram de qualquer remorso! Enfim... insensíveis loucos perigosos, mais a mais... sem qualquer objectivo para além de verem números a crescer e o consequente pressuposto poder que os ilude quanto ao que lhes circula nas tripas.
Revoltava-me, por julgar ver perfídia nos políticos eleitos por gente iludida no chamado mundo livre, e que, a soldo desses misteriosos personagens, se dispunham a vender a alma e a conduzir ao engano multidões para precipícios, becos sem saída... sem uma pinga de vergonha na cara.
Inconformado, indignava-me ver crescer o individualismo, o mutismo, a cegueira e a surdez, a nova ordem para o entretenimento global estéril!
Paralisados por medos injectados em inocentes séries televisivas... restaria apenas à multidão ter fé em ser defendida pelos bons e entregar-lhes o pecúlio?!
Depois, claro, inquieto, pus-me a uivar! ...Julgava eu estar a alertar a alcateia!...
Mal eu sabia, que a malta já estava muito à frente. Alertada para a gripe das aves já comprara a vacina, a pau com a escrita, via a justiça ser feita e vaticinava os culpados no processo casa pia, sabia a vida da Merche e do Ronaldo, inscrevia-se em concursos televisivos e aproveitava novas oportunidades para ganhar a vida, enquanto eu, macilento, inquieto, martirizava-me a ver a banda passar imaginando que iam dar ao precipício... maldita doença!
Hoje graças a terapêutica instituída pelo meu médico de família, se bem que ainda tenha umas continhas por pagar já não me ralo. É que para já, descobri meia dúzia de concursos nos vários canais televisivos, em que basta telefonar para receber 50 euros e, se responder certo às perguntas ainda ganho uma pipa de massa.
Passa a mensagem e ao invés de andares inquieto, deixa-te estar quietinho que as novas oportunidades vêm ter contigo a casa. Vai um brinde com Murganheira?
Revoltava-me, por julgar ver perfídia nos políticos eleitos por gente iludida no chamado mundo livre, e que, a soldo desses misteriosos personagens, se dispunham a vender a alma e a conduzir ao engano multidões para precipícios, becos sem saída... sem uma pinga de vergonha na cara.
Inconformado, indignava-me ver crescer o individualismo, o mutismo, a cegueira e a surdez, a nova ordem para o entretenimento global estéril!
Paralisados por medos injectados em inocentes séries televisivas... restaria apenas à multidão ter fé em ser defendida pelos bons e entregar-lhes o pecúlio?!
Depois, claro, inquieto, pus-me a uivar! ...Julgava eu estar a alertar a alcateia!...
Mal eu sabia, que a malta já estava muito à frente. Alertada para a gripe das aves já comprara a vacina, a pau com a escrita, via a justiça ser feita e vaticinava os culpados no processo casa pia, sabia a vida da Merche e do Ronaldo, inscrevia-se em concursos televisivos e aproveitava novas oportunidades para ganhar a vida, enquanto eu, macilento, inquieto, martirizava-me a ver a banda passar imaginando que iam dar ao precipício... maldita doença!
Hoje graças a terapêutica instituída pelo meu médico de família, se bem que ainda tenha umas continhas por pagar já não me ralo. É que para já, descobri meia dúzia de concursos nos vários canais televisivos, em que basta telefonar para receber 50 euros e, se responder certo às perguntas ainda ganho uma pipa de massa.
Passa a mensagem e ao invés de andares inquieto, deixa-te estar quietinho que as novas oportunidades vêm ter contigo a casa. Vai um brinde com Murganheira?
sábado, outubro 13, 2007
Lobotomia sistémica ou a forma de não enxergar para além do quintalinho
Queridos amiguinhos, por ora, estou dado como curado. De momento, basta-me tomar a medicação!
...Com ela, posso encarar a perfídia serenamente. Entender a crueldade como uma forma de nobreza, a indiferença perante a agonia como um estado de alma superior, a leviandade como a forma leve e sábia de levar a vida.
...Com a medicação, acabou-se a inquietude.
Pensamento positivo e... claro, o comprimido...
...Com ela, posso encarar a perfídia serenamente. Entender a crueldade como uma forma de nobreza, a indiferença perante a agonia como um estado de alma superior, a leviandade como a forma leve e sábia de levar a vida.
...Com a medicação, acabou-se a inquietude.
Pensamento positivo e... claro, o comprimido...
quinta-feira, junho 14, 2007
Por hoje é tudo.
Revisão de fundo a Hermann Hesse...
O grande irmão está a ficar um matulão... ou, talvez seja chegada a hora de eu próprio aceitar a condição de psicótico! Enfim, razões de sobra para estar calado!
O grande irmão está a ficar um matulão... ou, talvez seja chegada a hora de eu próprio aceitar a condição de psicótico! Enfim, razões de sobra para estar calado!
sábado, maio 26, 2007
Querer ou não, aprender a nadar.
Como um doido em euforia esbracejava tresloucado naquele mar de liberdade a que lhe custava habituar. ...E corria até o perigo, de se vir a afogar, com a àgua pelo joelho!
"O meu Tio" realizado por Jacques Tati, lembra-nos a vanidade da vida, coisas que bem podiamos esquecer e a enorme importancia de estender a mão a alguém.
"O meu Tio" realizado por Jacques Tati, lembra-nos a vanidade da vida, coisas que bem podiamos esquecer e a enorme importancia de estender a mão a alguém.
quarta-feira, maio 16, 2007
Vai lá vai, e não leves a manta...
Tenho andado numa lástima! Os sonhos são pesadelos, a mania, ganha em mim terreno e a teoria da conspiração ganha contornos de esquizofrenia a que só muito raramente consigo escapar. Desiludido com o estado - o meu e o deles (nestas doenças, há sempre, eles...) - lá me vou arrastando alucinado pela realidade, ainda que conserve uma pontinha de esperança de que tudo não passe de um desregule passageiro!...
Hoje por exemplo, acordei com o coração aos pulos no meio de um pesadelo desconcertante: vejam bem, que o Rui Teixeira (aquele juiz que se pôs para aí a prender pessoas que estavam acusadas de pedofilía lá naquele longuínquo processo da Casa Pia), estava no banco dos réus num tribunal em que o juiz era o Pinto da Costa. O advogado do M.P. que o acusava, era o Embaixador Rito e o de defesa era o Bi Bi! Havia um sururu enorme no tribunal e passava de boca em boca que o Presidente da Iberdrola ainda havia de ser ministro.
Subitamente, a Morgado entra no tribunal a segurar pelos cabelos uma cabeça degolada! Gritava: Comigo, a justiça não tarda! O diamante é de ouro e os apitos são para sempre!...
Enquanto isso, levanta-se da mesa dos jurados o Paulinho que, era ao mesmo tempo a Caterine e, avançou em direcção à cabeça com o dedo esticado gritando eufórico: o que tu querias, eram submarinos! ...A cabeça, era a minha!...
O Pinto da Costa bateu com o martelo na mesa, pediu silêncio e com toda a calma, disse: se alguém tem algo contra este casamento, que fale agora ou se cale para sempre e, eix que entrou de rompante no tribunal o Belmiro com o espírito do Pinto de Magalhães a ronda-lo. O Socrates, que vinha atrás com um detonador na mão passou para a frente do Belmiro, ajoelhou, mas não rezou... detonou!... No atrio do antes tribunal e agora igreja, do meio dos escombros saiu o Valentim Loureiro a gritar: Fátima Felgueiras à Cãmara de Lisboa, já!... Eu, sobressaltado, acordei. E podia jurar que ouvia palmas.
Hoje por exemplo, acordei com o coração aos pulos no meio de um pesadelo desconcertante: vejam bem, que o Rui Teixeira (aquele juiz que se pôs para aí a prender pessoas que estavam acusadas de pedofilía lá naquele longuínquo processo da Casa Pia), estava no banco dos réus num tribunal em que o juiz era o Pinto da Costa. O advogado do M.P. que o acusava, era o Embaixador Rito e o de defesa era o Bi Bi! Havia um sururu enorme no tribunal e passava de boca em boca que o Presidente da Iberdrola ainda havia de ser ministro.
Subitamente, a Morgado entra no tribunal a segurar pelos cabelos uma cabeça degolada! Gritava: Comigo, a justiça não tarda! O diamante é de ouro e os apitos são para sempre!...
Enquanto isso, levanta-se da mesa dos jurados o Paulinho que, era ao mesmo tempo a Caterine e, avançou em direcção à cabeça com o dedo esticado gritando eufórico: o que tu querias, eram submarinos! ...A cabeça, era a minha!...
O Pinto da Costa bateu com o martelo na mesa, pediu silêncio e com toda a calma, disse: se alguém tem algo contra este casamento, que fale agora ou se cale para sempre e, eix que entrou de rompante no tribunal o Belmiro com o espírito do Pinto de Magalhães a ronda-lo. O Socrates, que vinha atrás com um detonador na mão passou para a frente do Belmiro, ajoelhou, mas não rezou... detonou!... No atrio do antes tribunal e agora igreja, do meio dos escombros saiu o Valentim Loureiro a gritar: Fátima Felgueiras à Cãmara de Lisboa, já!... Eu, sobressaltado, acordei. E podia jurar que ouvia palmas.
sábado, abril 21, 2007
O pior cego...
O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, dizem que estão preocupados com a pobreza.
É bom que se preocupem porque tresanda a merda!
...Diminuir as assimetrias, esbater as diferenças, combater a miséria com os impostos sacados aos pobres do mundo rico. Eis a fórmula!
Entretanto, escassas centenas de famílias detêm qualquer coisa como 70% da riqueza mundial. Dominam políticos, países, mercados... e, é pedido a 1/6 da humanidade para partilhar. Aceitarem ver reduzidos os direitos que julgaram adquiridos, e prescindirem do sonho de uma melhor qualidade de vida, num gesto nobre para acabar com a miséria.
A partilha é urgênte. É comovente ver as manobras de bastidores para que os pobres dos países ricos partilhem com os miseráveis dos países pobres e se esbatam as diferenças.
Revoltante, é que fora destas nobres andanças, fiquem essas escaças centenas de famílias que detêem 70% da riqueza mundial e, directa e indirectamente exerçam 100% do poder.
Chato, é que pela lógica do dinheiro fazer dinheiro, ainda vão ficar mais ricos... sem necessidade.
Estúpido, é que não entendam que estão acometidos da doença da avareza e que as consequências, também para eles, é merda com fartura. Doentes como estão, não entendem os sinais. Mas, que os há... há. E que a pobreza alastra... alastra.
É bom que se preocupem porque tresanda a merda!
...Diminuir as assimetrias, esbater as diferenças, combater a miséria com os impostos sacados aos pobres do mundo rico. Eis a fórmula!
Entretanto, escassas centenas de famílias detêm qualquer coisa como 70% da riqueza mundial. Dominam políticos, países, mercados... e, é pedido a 1/6 da humanidade para partilhar. Aceitarem ver reduzidos os direitos que julgaram adquiridos, e prescindirem do sonho de uma melhor qualidade de vida, num gesto nobre para acabar com a miséria.
A partilha é urgênte. É comovente ver as manobras de bastidores para que os pobres dos países ricos partilhem com os miseráveis dos países pobres e se esbatam as diferenças.
Revoltante, é que fora destas nobres andanças, fiquem essas escaças centenas de famílias que detêem 70% da riqueza mundial e, directa e indirectamente exerçam 100% do poder.
Chato, é que pela lógica do dinheiro fazer dinheiro, ainda vão ficar mais ricos... sem necessidade.
Estúpido, é que não entendam que estão acometidos da doença da avareza e que as consequências, também para eles, é merda com fartura. Doentes como estão, não entendem os sinais. Mas, que os há... há. E que a pobreza alastra... alastra.
sábado, abril 14, 2007
O massacre dos imbecis
Sendo que, o imbecil é tolo, um ser fraco e debilitado e que, o massacre pode ser maçar com conversa insulsa, concluo que o imbecil, está a ser massacrado! Senão vejamos: Está o dito com o neurónio paralisado, afogado em papelada para prencher ao ponto de se ver obrigado a entregar a tarefa a um contabilista que faz a ponte entre ele e o estado e lhe papa o décimo, está o homem... sem saber se há-de ou não assinar a proposta de adesão ao novo plano tarifário da rede móvel, o novo formato do contrato entre ele e a EDP, se há-de ou não trocar a PT pela ONI, embarcar num seguro de saúde e por via das dúvidas que lhe vão plantando no neurónio doente , fazer um PPR... está ele, dizia eu, entre vacinar-se contra a gripe das aves ou tomar antioxidantes... entre consultar um advogado para se salvaguardar de perigos que lhe ameaçam e paralizam o neurónio e que, por isso mesmo nem consegue imaginar, e a outro passo de não o consultar para salvaguardar o pecúlio... hesitante em se deixar ou não lipoaspirar, tomar nicotina em pó, colocar a banda gástrica e fazer uma limpeza de artérias pelo particular... eis senão quando... lhe veem, mais uma vez, com conversa insulsa. Desta vez, a propósito da qualidade e da idoneidade das instituições do ensino em Portugal no seguimento das suspeitas levantadas sobre a licenciatura do P. M.!
E, digo que o imbecil está a ser massacrado, porque com tanta conversa, ninguém lhe explica que o estado (neste caso) do ensino, é reflexo dele próprio.
E, digo que o imbecil está a ser massacrado, porque com tanta conversa, ninguém lhe explica que o estado (neste caso) do ensino, é reflexo dele próprio.
sexta-feira, março 30, 2007
Viver: a extraordinária aventura de querer chegar a algum lugar!
É do caos que emana a ordem e tudo se passa ao contrário.
Levar mais longe a vida... fugir a sete pés da não existência... parece ser a condição básica de qualquer ser vivo!
Sobreviver, que tantas vezes se representa como um arrastar de fardo que mais parece um apego dos sentidos a lugares já conhecidos, uma fuga ao desprazer que aceita o sofrimento como porta meia entrada para a utopia de viver esperançado em vir a ser feliz... apresenta-se como um imperativo e até como... a suprema razão da vida.
Há quem diga que é por medo! ...Da morte, do desconhecido!... Eu, acho que não, e que tudo tem a ver com o pulsão, que se por um lado nasce da dinâmica entre o caos e a ordem, por outro, lhe está na origem e constitui a essência do Universo.
Nascido então o pulsão dessa coisa vaga que é o nada; esse antagónico complementar do tudo, que nos deixa aparvalhada a razão e sem resposta para o que teimamos em classificar de "fundamental", resta-nos prolongar a existência - numa esperança quiçá vã - para encontrar coerência para este paradigma de querer chegar a algum lugar, alheados do caminho.
Levar mais longe a vida... fugir a sete pés da não existência... parece ser a condição básica de qualquer ser vivo!
Sobreviver, que tantas vezes se representa como um arrastar de fardo que mais parece um apego dos sentidos a lugares já conhecidos, uma fuga ao desprazer que aceita o sofrimento como porta meia entrada para a utopia de viver esperançado em vir a ser feliz... apresenta-se como um imperativo e até como... a suprema razão da vida.
Há quem diga que é por medo! ...Da morte, do desconhecido!... Eu, acho que não, e que tudo tem a ver com o pulsão, que se por um lado nasce da dinâmica entre o caos e a ordem, por outro, lhe está na origem e constitui a essência do Universo.
Nascido então o pulsão dessa coisa vaga que é o nada; esse antagónico complementar do tudo, que nos deixa aparvalhada a razão e sem resposta para o que teimamos em classificar de "fundamental", resta-nos prolongar a existência - numa esperança quiçá vã - para encontrar coerência para este paradigma de querer chegar a algum lugar, alheados do caminho.
quarta-feira, março 14, 2007
A fuga p'rá frente
Pede-se a maturidade ao consumidor. Ao que paga para existir porque outros antes de ele nascer se lembraram de tomar conta do que havia, pôr tudo à venda e de, o pôr até a inventar necessidades, de coisas que depois fabrica e quer comprar para se sentir realizado...
Pede-se a maturidade ao consumidor, em favor da sustentabilidade da coisa!... Ele, que veja bem o que anda a fazer! Se não anda a estragar... a desequilibrar ecosistemas, a desperdiçar recursos, a esbanjar e a poluir sem consciência...
...Quer dizer: antes, ele ouvia da boca de génios da economia que o segredo estava em consumir p'ra a frente que p'ra frente é que era o caminho e que quanto mais se consumia mais se tinha que fabricar, e que quanto mais se fabrica-se mais se ganhava e que quanto mais se ganha-se mais se podia consumir e que quem mais consumia mais feliz seria...
Depois, vieram as florestas a torcer o nariz à coisa, os níveis incomunicáveis de ozono a vender a cortisona, os peixes carregados de mercúrio, chumbo e cádmio, as aves tresloucadas engripadas de tanto antibiótico no ar, as vacas loucas de tanto carneiro ruminado, as pandemias inventadas para vender e manter tudo como dantes (pianinho, debaixo da asa do grande chefe, do pai protector que cuida de tudo e mantem a riqueza concentrada) e quase mandaram à merda os génios da economia de outrora que, agora, andam aí de cú p'ro ar, como aquele génio do futebol andou... à procura do brinco!...
Pede-se a maturidade ao consumidor! Para equilibrar assimetrias e travar os esfomeados à porta destes condados de orgias multiplas alimentados por rotas que (não da seda, da canela ou do ouro), ainda não têm nome.
Cruzam-se no ar, medicamentos fora de prazo com madeira e pássaros exóticos, farinhas altamente refinadas reforçadas com melhorante e com o gorgulho peneirado, com diamantes em bruto...
Os pontas de lança dos economistas que teimam em procurar o brinco, calcorreiam o mundo em busca de mais valias e há muito que esqueceram o brilhantismo do espectáculo! Nunca chegaram a entender que o verdadeiramente importante é o jogo em sí. Limpo. Querem, a qualquer custo, defender o resultado e mandam-se para o chão sem ninguém lhes tocar, fazem faltas feias e há quem diga que compraram o àrbitro!
Pede-se maturidade ao consumidor, ouve-se nas esquinas para comprar Levis em vez de ir comprar ao Chinês. Pede-se-lhe para colaborar e manter postos de trabalho nos países em que os direitos conquistados são respeitados... Depois, vai-se a ver, e as Levis são feitas no Paquistão... o Ikea vende cortinados feitos na China, a televisão tem peças feitas no mundo inteiro... se bem que entretenha muito!
Estamos em plena era da globalização!
A maturidade dá uma trabalheira que não se aguenta!
A bem ver... o que a malta quer é ser adepto de um clube que ganhe e marque muitos golos. O resto que se dane! A menos, que dê um tiro no pé!
Pede-se a maturidade ao consumidor, em favor da sustentabilidade da coisa!... Ele, que veja bem o que anda a fazer! Se não anda a estragar... a desequilibrar ecosistemas, a desperdiçar recursos, a esbanjar e a poluir sem consciência...
...Quer dizer: antes, ele ouvia da boca de génios da economia que o segredo estava em consumir p'ra a frente que p'ra frente é que era o caminho e que quanto mais se consumia mais se tinha que fabricar, e que quanto mais se fabrica-se mais se ganhava e que quanto mais se ganha-se mais se podia consumir e que quem mais consumia mais feliz seria...
Depois, vieram as florestas a torcer o nariz à coisa, os níveis incomunicáveis de ozono a vender a cortisona, os peixes carregados de mercúrio, chumbo e cádmio, as aves tresloucadas engripadas de tanto antibiótico no ar, as vacas loucas de tanto carneiro ruminado, as pandemias inventadas para vender e manter tudo como dantes (pianinho, debaixo da asa do grande chefe, do pai protector que cuida de tudo e mantem a riqueza concentrada) e quase mandaram à merda os génios da economia de outrora que, agora, andam aí de cú p'ro ar, como aquele génio do futebol andou... à procura do brinco!...
Pede-se a maturidade ao consumidor! Para equilibrar assimetrias e travar os esfomeados à porta destes condados de orgias multiplas alimentados por rotas que (não da seda, da canela ou do ouro), ainda não têm nome.
Cruzam-se no ar, medicamentos fora de prazo com madeira e pássaros exóticos, farinhas altamente refinadas reforçadas com melhorante e com o gorgulho peneirado, com diamantes em bruto...
Os pontas de lança dos economistas que teimam em procurar o brinco, calcorreiam o mundo em busca de mais valias e há muito que esqueceram o brilhantismo do espectáculo! Nunca chegaram a entender que o verdadeiramente importante é o jogo em sí. Limpo. Querem, a qualquer custo, defender o resultado e mandam-se para o chão sem ninguém lhes tocar, fazem faltas feias e há quem diga que compraram o àrbitro!
Pede-se maturidade ao consumidor, ouve-se nas esquinas para comprar Levis em vez de ir comprar ao Chinês. Pede-se-lhe para colaborar e manter postos de trabalho nos países em que os direitos conquistados são respeitados... Depois, vai-se a ver, e as Levis são feitas no Paquistão... o Ikea vende cortinados feitos na China, a televisão tem peças feitas no mundo inteiro... se bem que entretenha muito!
Estamos em plena era da globalização!
A maturidade dá uma trabalheira que não se aguenta!
A bem ver... o que a malta quer é ser adepto de um clube que ganhe e marque muitos golos. O resto que se dane! A menos, que dê um tiro no pé!
quarta-feira, março 07, 2007
O direito à balela
Em primeiro lugar, serve o presente (post), para confirmar que eu existo. Não porque penso! Isso era lá coisa do Descartes que, não contente em acreditar que o facto de pensar lhe confirmava a existência, ainda se deu ao trabalho de criar a célula embrionária do liberalismo (mal ele sabia o que isso ia dar...)!
O Damásio, diz agora que ele estáva errado, que as coisas são ao contrário, que o facto de existir implica multidões de células que tendo em vista manter a vida, determinam os pensamentos e não sei quê dos quânta, enfim...
...Ao afirmar que existo, em simultãneo, acredito e admito que não penso! ...Quer dizer: enquanto individuo, sou um mero instrumento que articula palavras, tecla letrinhas e dá azo à expressão de 600.000 biliões de células que me compõem a existência, animada por uma energia que me transcende. Quer dizer: existo, mas não penso. Cabe-me escutar essa multidão, as suas necessidades e anseios e, reduzindo-me à minha magnânima insignificância, seguir para onde a voz que ouço me aconselha.
Não será isto, que os pressupostos donos do Mundo, deveriam fazer?!
O Damásio, diz agora que ele estáva errado, que as coisas são ao contrário, que o facto de existir implica multidões de células que tendo em vista manter a vida, determinam os pensamentos e não sei quê dos quânta, enfim...
...Ao afirmar que existo, em simultãneo, acredito e admito que não penso! ...Quer dizer: enquanto individuo, sou um mero instrumento que articula palavras, tecla letrinhas e dá azo à expressão de 600.000 biliões de células que me compõem a existência, animada por uma energia que me transcende. Quer dizer: existo, mas não penso. Cabe-me escutar essa multidão, as suas necessidades e anseios e, reduzindo-me à minha magnânima insignificância, seguir para onde a voz que ouço me aconselha.
Não será isto, que os pressupostos donos do Mundo, deveriam fazer?!
terça-feira, fevereiro 27, 2007
O direito à escravidão
Depois de duras batalhas, tinha conquistado o direito à escravidão!
Agora, finalmente, era escravo de um cartão... dourado, e não cabia em si de contente por finalmente se sentir gente com crédito, quase ilimitado!
Era um escravo consciente. Sabia perfeitamente o preço a pagar para poder contar com o ovo no cú da galinha. E dispunha-se a trocar as loucas euforias do consumo com que se afirmava como gente e fazia babar de inveja uns quantos, por previsíveis maus momentos em que sentia a ansiedade a disparar ao ver acumular uma mensalidade após a outra, juros altíssimos, comissões de atraso absurdas, impostos de selo...
O que mais lhe custava, eram os telefonemas inconvenientes daqueles agentes de call center que iam endurecendo o discurso e lhe apertavam o cerco asfixiando-lhe o ego!... Agentes de palavra dura e fria a raiar a má criação, assalariados de gente mesquinha que só pensa em dinheiro, de agiotas maquievélicos que contam com os imprevistos de quem conquistou o direito a ser escravo de um cartão dourado.
Nesses momentos, insurgia-se, revoltava-se, ficava ressentido, sentia-se injustiçado por saber já ter pago o dobro do que tinha gasto, em comissões de atraso. Fechava os olhos, e pensava para consigo se não haveria quem pusesse ordem nesta agiotagem. Depois... depois, foi o milagre! Abriu a carta... e... lá dentro, vinha um cartão de platina!...
Agora, finalmente, era escravo de um cartão... dourado, e não cabia em si de contente por finalmente se sentir gente com crédito, quase ilimitado!
Era um escravo consciente. Sabia perfeitamente o preço a pagar para poder contar com o ovo no cú da galinha. E dispunha-se a trocar as loucas euforias do consumo com que se afirmava como gente e fazia babar de inveja uns quantos, por previsíveis maus momentos em que sentia a ansiedade a disparar ao ver acumular uma mensalidade após a outra, juros altíssimos, comissões de atraso absurdas, impostos de selo...
O que mais lhe custava, eram os telefonemas inconvenientes daqueles agentes de call center que iam endurecendo o discurso e lhe apertavam o cerco asfixiando-lhe o ego!... Agentes de palavra dura e fria a raiar a má criação, assalariados de gente mesquinha que só pensa em dinheiro, de agiotas maquievélicos que contam com os imprevistos de quem conquistou o direito a ser escravo de um cartão dourado.
Nesses momentos, insurgia-se, revoltava-se, ficava ressentido, sentia-se injustiçado por saber já ter pago o dobro do que tinha gasto, em comissões de atraso. Fechava os olhos, e pensava para consigo se não haveria quem pusesse ordem nesta agiotagem. Depois... depois, foi o milagre! Abriu a carta... e... lá dentro, vinha um cartão de platina!...
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
O revesso da folha virada
Anda por aí muita gente em delírio a imaginar negócios onde os não há! Gente que só pensa no lucro, não estuda a fundo os mercados, e depois é o que se sabe!... E isto, não é só em Portugal! Desta feita, não é um Português, trisneto de conde ou marquês, a quem, por estar bem relacionado e inscrito no partido em que a coisa está a dar, lhe saiu na rifa um subsídio para pôr em marcha uma pata choca que não sai do lugar! Afinal, também aquí na vizinha Espanha, existem imbecis! Senão, vejamos: então agora que o crime não tem pena e que o Correia de Campos já disse que mediante uma taxa moderadora o SNS está em condições de fazer abortos às grávidas que não estiverem satisfeitas com o estado ( o seu, delas...), as clínicas Espanholas especializadas em fazer abortos vêem abrir filiais em Portugal?! Estranho! Não?!
Então, esta gente não entende que vão ficar às moscas? Que quem quiser abortar vai concerteza recorrer ao SNS, em que a troco de uma taxa moderadora vai ter tudo o que tem direito, incluíndo acompanhamento psicológico, assistência social, periodo de reflexão, assistência médica condigna com assépcia total e no geral, um "tratamento" exemplar!
...Ou, será que os nossos irmãos, estão a adivinhar que muito do que se disse não passa de retórica e que vai sobrar muito trabalhinho que o estado lhes vai pagar para fazerem?
Então, esta gente não entende que vão ficar às moscas? Que quem quiser abortar vai concerteza recorrer ao SNS, em que a troco de uma taxa moderadora vai ter tudo o que tem direito, incluíndo acompanhamento psicológico, assistência social, periodo de reflexão, assistência médica condigna com assépcia total e no geral, um "tratamento" exemplar!
...Ou, será que os nossos irmãos, estão a adivinhar que muito do que se disse não passa de retórica e que vai sobrar muito trabalhinho que o estado lhes vai pagar para fazerem?
domingo, fevereiro 11, 2007
Afinal, tenho voto na matéria.
Querem então convencer-me de que afinal, tenho voto na matéria! Justamente nesta matéria! Coisa de sim ou não... e prontos! Eis-me feito um cidadão com voz, exemplo vivo do que é viver em democracia.
...Pena que não me tenham pedido a opinião a propósito da Ota, do TGV, da administração privada em hospitais públicos, das fundações "sem fins lucrativos", do desvario das contas públicas nas autarquias com pérfidas ligações a urbanizadores construtores e banca, dos rios de dinheiro gastos em cursinhos profissionais que não servem para nada enquanto são cortadas verbas a muitos outros que poderiam fazer toda a diferença, da falta de ética de antigos ministros ao serviço de quem ontem tutelavam...
Mas, quem em seu juizo perfeito se atreverá a comparar essas coisas, com esta que agora está na mesa?! ...Ainda assim, arrisco dizer que por tudo isso e muito mais, se remetem pessoas, homens e mulheres para condições em que se vêem forçados a fazer o que ninguém gostaria de fazer! ...Vítimas da indiferença, da ignomínia, do individualismo e da hipócrisia. Da ignorância também e da leviandade que se apregoa ser coisa boa e liberdade.
Nunca gostei de testes americanos. Gosto mais das surpresas que nos pode reservar a dialéctica quando nos dispomos a ser delicados e, determinados nos propômos a encontrar e corrigir as falhas que nos induzem uma após outra vez em erros que todos reconheçemos.
...Mas o estado que somos e em que nos encontramos, o momento civilizacional que criàmos... exije-nos o pragmatismo do sim ou não, e prontos... virada a página, assunto arrumado!
O porquê, o porquê da coisa, não interessa para nada. Isso são lá coisas do Príncipezinho, da criança que existirá em nós, e o mundo é regido por homens grandes e determinados em virar pagínas dos cadernos com os assuntos que determinam como os mais convenientes a ficarem na ordem do dia. Interessa sim, cumprir um dever e dizer sim ou não! As causas, os porquês, verdadeiramente... não estão em discusão, e por este andar, é bem provável que nunca venham a estar.
...Um dia, interrogado sobre a utilidade de se fazer ou não um referendo a propósito de Mastrich, o Professor Doutor, antigo Primeiro Ministro, actual Presidente da República... esse vulto de proa, esse quase mito que talvez um dia venha a ganhar um prémio de grande Português num concurso qualquer, disse que não valia a pena! E, não valia a pena... segundo disse, porque o assunto era demasiado técnico e o povo não percebia nada!... Vai daí, o governo da altura decidiu como entendeu e prontos!
Mas hoje, o governo em funções e com maioria, prefere referendar do que se arriscar a decidir e prontos! È que o assunto, exige demasiada ètica e neste particular, já o povo é um especialista! Os políticos, é que parece... que têm algumas dificuldades!
...Pena que não me tenham pedido a opinião a propósito da Ota, do TGV, da administração privada em hospitais públicos, das fundações "sem fins lucrativos", do desvario das contas públicas nas autarquias com pérfidas ligações a urbanizadores construtores e banca, dos rios de dinheiro gastos em cursinhos profissionais que não servem para nada enquanto são cortadas verbas a muitos outros que poderiam fazer toda a diferença, da falta de ética de antigos ministros ao serviço de quem ontem tutelavam...
Mas, quem em seu juizo perfeito se atreverá a comparar essas coisas, com esta que agora está na mesa?! ...Ainda assim, arrisco dizer que por tudo isso e muito mais, se remetem pessoas, homens e mulheres para condições em que se vêem forçados a fazer o que ninguém gostaria de fazer! ...Vítimas da indiferença, da ignomínia, do individualismo e da hipócrisia. Da ignorância também e da leviandade que se apregoa ser coisa boa e liberdade.
Nunca gostei de testes americanos. Gosto mais das surpresas que nos pode reservar a dialéctica quando nos dispomos a ser delicados e, determinados nos propômos a encontrar e corrigir as falhas que nos induzem uma após outra vez em erros que todos reconheçemos.
...Mas o estado que somos e em que nos encontramos, o momento civilizacional que criàmos... exije-nos o pragmatismo do sim ou não, e prontos... virada a página, assunto arrumado!
O porquê, o porquê da coisa, não interessa para nada. Isso são lá coisas do Príncipezinho, da criança que existirá em nós, e o mundo é regido por homens grandes e determinados em virar pagínas dos cadernos com os assuntos que determinam como os mais convenientes a ficarem na ordem do dia. Interessa sim, cumprir um dever e dizer sim ou não! As causas, os porquês, verdadeiramente... não estão em discusão, e por este andar, é bem provável que nunca venham a estar.
...Um dia, interrogado sobre a utilidade de se fazer ou não um referendo a propósito de Mastrich, o Professor Doutor, antigo Primeiro Ministro, actual Presidente da República... esse vulto de proa, esse quase mito que talvez um dia venha a ganhar um prémio de grande Português num concurso qualquer, disse que não valia a pena! E, não valia a pena... segundo disse, porque o assunto era demasiado técnico e o povo não percebia nada!... Vai daí, o governo da altura decidiu como entendeu e prontos!
Mas hoje, o governo em funções e com maioria, prefere referendar do que se arriscar a decidir e prontos! È que o assunto, exige demasiada ètica e neste particular, já o povo é um especialista! Os políticos, é que parece... que têm algumas dificuldades!
sexta-feira, janeiro 19, 2007
Inquietude
Será a inquietude uma virtude?! Um estado de alma p'ra além do nirvana, ou, pelo contrário... falta algo ao inquieto que não lhe permite entender o meio em que se move, e por isso não pode, recusa-se a aceitar, que esse é o reflexo... a consequência... da sua própria incompetência?!
Será a inquietude apenas... um estado, que não interfere, não cataliza, não determina ou cria, coisa alguma?
Quem é afinal o inquieto? ...Um doente da mente, um ansioso bem definido que vive agastado por não tomar o comprimido, um descontente com a terapêutica que desde sempre tem sido prescrita às massas por quem serenamente rege o mundo, doura a pílula e faz truques de ilusionismo que criam sensação e fazem arrepiar os cabelos do cú... ou, por outro lado, o inquieto é um iluminado, um homem livre, que de tão à frente e consciente da barbárie que o rodeia, espera conseguir - de alguma forma - mudar, as àguas inquinadas em que nasceu e se movimenta?
Será a inquietude apenas... um estado, que não interfere, não cataliza, não determina ou cria, coisa alguma?
Quem é afinal o inquieto? ...Um doente da mente, um ansioso bem definido que vive agastado por não tomar o comprimido, um descontente com a terapêutica que desde sempre tem sido prescrita às massas por quem serenamente rege o mundo, doura a pílula e faz truques de ilusionismo que criam sensação e fazem arrepiar os cabelos do cú... ou, por outro lado, o inquieto é um iluminado, um homem livre, que de tão à frente e consciente da barbárie que o rodeia, espera conseguir - de alguma forma - mudar, as àguas inquinadas em que nasceu e se movimenta?
quinta-feira, janeiro 18, 2007
O medo ao serviço de um funcionário exemplar
O medo, tolhera-o cedo. Qualquer lonjura que olhasse, qualquer esquina de que se aproximasse, qualquer rumo que pudesse tomar para chegar a algum lugar... logo se apanhava tolhido! Por tudo e por nada... bloqueava, não fazia nada, ficava à espera a deixar andar, a ver no que ia dar e poder escolher o lado em que diria ter votado...
Se era para falar... tinha medo de não se fazer entender, e por isso preferia ficar calado. ...Um ou outro sorriso tímido, esgares de cumplicidade em todas as direcções, vénias, dobrares de espinha... e lá se ia safando, calcorreando corredores mensageiro de recadinhos que espiolhava, sob a capa de uma humildade deprimente.
...Ouvia assim assim, a medo, procurando conter o interesse para não se envolver e se apanhar a opinar... quem sabe ficar comprometido... criar um inimigo... qualquer mal entendido...
Santa cruz credo, abrenúncio!
Quando se via nesses apertos, apertava com força os lábios resguardado na ignorância, não fosse o dito poder ser tomado pelo não dito, o diabo tecê-las... e o não dito ter um significado que nem se atrevia a pensar, que o pudesse prejudicar!
O medo, desde cedo, entranhara-se-lhe nos ossos, tornara-lhe raquítico o espírito, fizera dele um saco de ossos com a exigência da sobrevivência mas, vistas bem as coisas, facilitara-lhe muito a progressão na carreira!...
Se era para falar... tinha medo de não se fazer entender, e por isso preferia ficar calado. ...Um ou outro sorriso tímido, esgares de cumplicidade em todas as direcções, vénias, dobrares de espinha... e lá se ia safando, calcorreando corredores mensageiro de recadinhos que espiolhava, sob a capa de uma humildade deprimente.
...Ouvia assim assim, a medo, procurando conter o interesse para não se envolver e se apanhar a opinar... quem sabe ficar comprometido... criar um inimigo... qualquer mal entendido...
Santa cruz credo, abrenúncio!
Quando se via nesses apertos, apertava com força os lábios resguardado na ignorância, não fosse o dito poder ser tomado pelo não dito, o diabo tecê-las... e o não dito ter um significado que nem se atrevia a pensar, que o pudesse prejudicar!
O medo, desde cedo, entranhara-se-lhe nos ossos, tornara-lhe raquítico o espírito, fizera dele um saco de ossos com a exigência da sobrevivência mas, vistas bem as coisas, facilitara-lhe muito a progressão na carreira!...
quarta-feira, janeiro 10, 2007
Multidão em perigo
Encontram-se aos magotes. Carcaças ocas no saco, especam em frente a montras de papelarias, quiosques... deitam o olho à capa de revistas, soletram lento as "gordas" da primeira página de jornais como quem acorda, sorvendo a vida de artistas, de profissionais do jet set e até, de personagens de telenovelas. Enquanto se esquecem da sua própria vida, comentam as atribulações, as traições, os amores não correspondidos, as contratações milionárias e as quedas em desgraça de ídolos queridos. Indignam-se com crimes de faca e alguidar e podem rejubilar com o nascimento da filha de uma qualquer princesa que em tempos lhes foi apresentada numa fotografia genialmente desfocada por um profissional de fofoca, que se desunha a trabalhar para lhes alimentar o espaço sem graça em que viram transformada a existência.
Procuram fazer passar o dia! Fazer coincidir a chegada a casa com o início de alegres programas televisivos em que a tombola luminosa e colorida gira, distribuindo produtos aos necessitados inscritos. E há cânticos bem ensaiados, palmas bem orquestradas, casacos às flores e vestidos bem decotados brilhantes, risos e gritinhos importados, a cada coelho tirado da cartola. Uma ou outra lágrima de comoção rola em faces sofridas, enfeitadas com sorrisos envergonhados, desdentados!
Para receber o prémio há que contar o drama e despertar a piedade de quem - lá, do outro lado do ecrãn -, vai fritando os panadinhos! Depois, é a alegria: Ao coxo é dada uma bengala, à mãe solteira desempregada, um fardo de fraldas e ainda... um esquentador inteligente, à ceguinha uns oculos escuros, à desdentada uma ponte, um dente... o programa na fase final, os panados já quase estaladiços, confetis no ar, a banda a tocar e aquela gente toda que se abraça, eternamente reconhecida a conhecidas empresas que aceitam o jogo de dar para melhorar a imagem e vender mais.
...Num canto, em que ninguém a vê, a assistência social mantêm-se na sombra de matraca fechada, os poderes instituídos alimentados pelos impostos dos desgraçados que passam a vida a fugir, a fingir... reservam-se o direito de deixar o mercado autorregular-se.
Do outro lado, cá ou lá, tanto faz - uma vez que tudo está misturado e provávelmente no seu lugar -, a D. Eduarda, chama Srº Joaquim para almoçar e apaga a televisão antes de começar o telejornal! É que eles, querem almoçar descansados!...
Procuram fazer passar o dia! Fazer coincidir a chegada a casa com o início de alegres programas televisivos em que a tombola luminosa e colorida gira, distribuindo produtos aos necessitados inscritos. E há cânticos bem ensaiados, palmas bem orquestradas, casacos às flores e vestidos bem decotados brilhantes, risos e gritinhos importados, a cada coelho tirado da cartola. Uma ou outra lágrima de comoção rola em faces sofridas, enfeitadas com sorrisos envergonhados, desdentados!
Para receber o prémio há que contar o drama e despertar a piedade de quem - lá, do outro lado do ecrãn -, vai fritando os panadinhos! Depois, é a alegria: Ao coxo é dada uma bengala, à mãe solteira desempregada, um fardo de fraldas e ainda... um esquentador inteligente, à ceguinha uns oculos escuros, à desdentada uma ponte, um dente... o programa na fase final, os panados já quase estaladiços, confetis no ar, a banda a tocar e aquela gente toda que se abraça, eternamente reconhecida a conhecidas empresas que aceitam o jogo de dar para melhorar a imagem e vender mais.
...Num canto, em que ninguém a vê, a assistência social mantêm-se na sombra de matraca fechada, os poderes instituídos alimentados pelos impostos dos desgraçados que passam a vida a fugir, a fingir... reservam-se o direito de deixar o mercado autorregular-se.
Do outro lado, cá ou lá, tanto faz - uma vez que tudo está misturado e provávelmente no seu lugar -, a D. Eduarda, chama Srº Joaquim para almoçar e apaga a televisão antes de começar o telejornal! É que eles, querem almoçar descansados!...
sábado, dezembro 30, 2006
A recaída
Este, é um país extraordinário! Surpreendente! Um país lamuriento, constituído por ausentes, destituídos, que se consegue sustentar numa crise permanente, desde sempre! Um País com números absurdos no crédito mal parado, que parece sofrer de transtorno bipolar. Se por um lado geme queixoso, desanimado, desmotivado, esgotado de carregar uma a crise às costas que pelos vistos é tradição, por outro, para descomprimir, aceita nesgas - contas ordenado, plafond negativo, cartões de todas as cores, empréstimos pessoais créditos ao consumo - oferecidas por agiotas que tanto ama como odeia, e à láia de compensação, corre às catedrais de consumo em desvario gastando até ao ùltimo cêntimo do que não tem, e, reconhecido ao S. Nicolau põe em marcha essa orgia em que se transformou o Natal, esgotando pavilhões cheios de ecrãns de plasma, telemóveis multifunções com mensagens mesmo grátis, máquinas de gargalhar, perús e leitões, sonhos... e de tudo o mais que lá houver!
Hoje, o país... (o mesmo que ainda este mês serviu como exemplo do que: não fazer, aos recentes candidatos à U.E.) mais uma vez, respira de alívio recorrendo à conta ordenado e prepara-se para a festa de fim de ano, na tentativa absurda de descarregar o sobrolho e esquecer as agrugas da vida. Enchem-se os depósitos de modernos carrões XPTO com prestações em atraso, enche-se o peito de ar, e vai de ultrapassar até dar... estradas fora, a fazer o gosto ao pé e a bater recordes de mortos na estrada... os hoteis sem vagas, as caixas multibanco recheadas, as barrigas enfartadas das rabanadas... preparam-se as entradas no novo ano, esperando que Deus nos valha para que não venha a ser pior que este!... Sim! Porque é disso que se trata. Espera e muita fé em milagres!
Viva o novo ano regado com Moe Chandon, claro! Até ao vómito! ...Um dia não são dias! Viva o maior fogo de artifício, a maior árvore de Natal!... Hoje o Ano Novo, amanhã o Carnaval, os feriados, as pontes, a Páscoa bendita, Agosto, Algarve, as viagens de avião a destinos paradisíacos a pagar lá mais para a frente!... E, nos intervalos, um país tristonho, ressentido com políticos que não cumprem a função de trazer o País sempre em festa, com os agiotas que lhe fazem amargar as passas que comeu no Algarve, exigindo e pressionando para que pague o desvario! Chegam mesmo a negar-lhe crédito! ...Os bandidos! ...Aí, é que o Zé descobre a magia do velho comércio tradicional! O tal do fiado! Só que, com esta crise que parece não ter fim, o Zé da merceeiria da esquina, fechou as portas este Natal e ao Zé dos Algarves, adivinha-se a recaída. Deus queira que não seja nada!
Ainda assim, bom Ano Novo a todos!
Hoje, o país... (o mesmo que ainda este mês serviu como exemplo do que: não fazer, aos recentes candidatos à U.E.) mais uma vez, respira de alívio recorrendo à conta ordenado e prepara-se para a festa de fim de ano, na tentativa absurda de descarregar o sobrolho e esquecer as agrugas da vida. Enchem-se os depósitos de modernos carrões XPTO com prestações em atraso, enche-se o peito de ar, e vai de ultrapassar até dar... estradas fora, a fazer o gosto ao pé e a bater recordes de mortos na estrada... os hoteis sem vagas, as caixas multibanco recheadas, as barrigas enfartadas das rabanadas... preparam-se as entradas no novo ano, esperando que Deus nos valha para que não venha a ser pior que este!... Sim! Porque é disso que se trata. Espera e muita fé em milagres!
Viva o novo ano regado com Moe Chandon, claro! Até ao vómito! ...Um dia não são dias! Viva o maior fogo de artifício, a maior árvore de Natal!... Hoje o Ano Novo, amanhã o Carnaval, os feriados, as pontes, a Páscoa bendita, Agosto, Algarve, as viagens de avião a destinos paradisíacos a pagar lá mais para a frente!... E, nos intervalos, um país tristonho, ressentido com políticos que não cumprem a função de trazer o País sempre em festa, com os agiotas que lhe fazem amargar as passas que comeu no Algarve, exigindo e pressionando para que pague o desvario! Chegam mesmo a negar-lhe crédito! ...Os bandidos! ...Aí, é que o Zé descobre a magia do velho comércio tradicional! O tal do fiado! Só que, com esta crise que parece não ter fim, o Zé da merceeiria da esquina, fechou as portas este Natal e ao Zé dos Algarves, adivinha-se a recaída. Deus queira que não seja nada!
Ainda assim, bom Ano Novo a todos!
segunda-feira, dezembro 11, 2006
Paz à alma de Friedman. Viva o individualismo.
No passado 16 de Novembro, morreu Milton Friedman. Talvez - nas últimas décadas -, o mais influente defensor do liberalismo económico. Com direito a Nobel, Friedman, acreditava no monetarismo, aconselhava o estado a não intervir, a deixar os mercados funcionarem livremente e garantia que o individualismo conduziria a um crescente bem estar social.
A ideia, vem do sec. XVIII e foi combatida por Marx que procurou provar que essa, era uma forma maquievelica de explorar quem trabalha... que é justamente do trabalho que nasce a riqueza e que, assim, é usurpada pelos mais ricos e poderosos, ou, pelos que têm menos excrúpulos.
As teorias de Marx, deram azo a alguma euforia mas revelaram-se sol de pouca dura. Particularmente na América, o liberalismo, ganhou nova pujança até à queda da bolsa em 1929 e à grande depressão (fico a pensar se esse liberalismo não a teria originado...). Aí, o liberalismo recolheu-se e deixou a reconstrução e a revitalização do país a cargo do estado através do movimento que veio a ficar conhecido por Keynesianismo!... O país recompôs-se, a economia cresceu e, já na década de 70, o liberalismo instalou-se a propósito de uma crise internacional a que não será estranha a guerra do Vietname...
O liberalismo instalou-se na América e talvez fruto da globalização tem vindo a expandir-se pelo mundo. Friedman inspirou Nixon, Reagan, Tatcher e até Pinochet.
Por cá, em Portugal e na Europa, também há grandes admiradores de Friedman: Muita gente que acredita na privatização das empresas públicas (que dão lucro!), já que o estado (quer dizer: todos nós!), não tem vocação para essas coisas!
...Entretanto, vamos mas é acabar com esses negóciozinhos de vão de escada que não dão para nada, e deixar trabalhar quem sabe. ...Quem percebe do assunto! Para quê 50 mercearias quando podemos ter um moderno hipermercado onde tudo é mais barato e há promoções todos os dias? Hum?!... Para quê esse comérciozinho de rua decadente, esse rol de fiados, essa contabilidade familiar difícil de controlar, quando, podemos parquear cómodamente à borla, em amplos estacionamentos de modernos e reluzentes centros comerciais com a contabilidade computarizada a entrar directamente no ministério das finanças? Hum?!...
Tudo muito mais barato, mais limpo e transparente e com o consequente bem estar social crescente de que falava Friedman! Pelo menos, lá individualistas somos nós!
O Estado, quer dizer, nós, só devemos intervir, se a coisa crachar. Se a bolsa cair ou se houver uma grande depressão! Ou não?
A ideia, vem do sec. XVIII e foi combatida por Marx que procurou provar que essa, era uma forma maquievelica de explorar quem trabalha... que é justamente do trabalho que nasce a riqueza e que, assim, é usurpada pelos mais ricos e poderosos, ou, pelos que têm menos excrúpulos.
As teorias de Marx, deram azo a alguma euforia mas revelaram-se sol de pouca dura. Particularmente na América, o liberalismo, ganhou nova pujança até à queda da bolsa em 1929 e à grande depressão (fico a pensar se esse liberalismo não a teria originado...). Aí, o liberalismo recolheu-se e deixou a reconstrução e a revitalização do país a cargo do estado através do movimento que veio a ficar conhecido por Keynesianismo!... O país recompôs-se, a economia cresceu e, já na década de 70, o liberalismo instalou-se a propósito de uma crise internacional a que não será estranha a guerra do Vietname...
O liberalismo instalou-se na América e talvez fruto da globalização tem vindo a expandir-se pelo mundo. Friedman inspirou Nixon, Reagan, Tatcher e até Pinochet.
Por cá, em Portugal e na Europa, também há grandes admiradores de Friedman: Muita gente que acredita na privatização das empresas públicas (que dão lucro!), já que o estado (quer dizer: todos nós!), não tem vocação para essas coisas!
...Entretanto, vamos mas é acabar com esses negóciozinhos de vão de escada que não dão para nada, e deixar trabalhar quem sabe. ...Quem percebe do assunto! Para quê 50 mercearias quando podemos ter um moderno hipermercado onde tudo é mais barato e há promoções todos os dias? Hum?!... Para quê esse comérciozinho de rua decadente, esse rol de fiados, essa contabilidade familiar difícil de controlar, quando, podemos parquear cómodamente à borla, em amplos estacionamentos de modernos e reluzentes centros comerciais com a contabilidade computarizada a entrar directamente no ministério das finanças? Hum?!...
Tudo muito mais barato, mais limpo e transparente e com o consequente bem estar social crescente de que falava Friedman! Pelo menos, lá individualistas somos nós!
O Estado, quer dizer, nós, só devemos intervir, se a coisa crachar. Se a bolsa cair ou se houver uma grande depressão! Ou não?
quinta-feira, novembro 30, 2006
Formas de ver as coisas
Jorge Nogueira, numa nota de leitura em www.fnam:
Na Edição de 28 de Fevereiro do BMJ, Jane Burgermeister relata a proibição da privatização de hospitais, pela coligação governamental no poder na Suécia, por receio de que a expansão dos cuidados de saúde privados possa destruir o princípio de um serviço de saúde justo e gratuito.
As autoridades provinciais, responsáveis na Suécia pelo sistema de saúde local, não serão no futuro autorizadas a ceder a gestão de um hospital a uma companhia baseada no lucro. Isto depois de duas autoridades provinciais, ambas controladas pelos partidos de centro direita, terem privatizado alguns hospitais estatais. No entanto o Governo, uma coligação de social-democratas com partidos de centro esquerda, argumentou que a privatização de hospitais punha em causa um princípio fundamental da saúde do país – a saber, que o tratamento médico deve ser proporcionado a cada doente de acordo com a sua necessidade e não com a sua capacidade para pagar... e continua...
Por cá, parece que está tudo dito, ou visto! Quer dizer, quem quizer cuidados de saúde com a qualidade que um sistema inteligente deveria proporcionar, bem que pode esperar sentado (se restarem cadeiras)!...
Irónico, é o cidadão cívico que não quer "entupir" as urgências do hospital com uma pressuposta gripe do filho, passar 12h desde o posto da caixa (à cata de desistências que não houve, ou de uma "palavrinha" à médica que não a quis ouvir) até ao catus e, enquanto aguarda, deparar com uma página inteira do expresso que publicíta/noticía o novo hospital exemplar do lumiar, com maquete e tudo - um investimento privado de um subgrupo do BES -, e quando chega a casa, com o puto cheio de dores de cabeça e febre (afinal era varicela, andou por lá a contagiar a malta e não devia apanhar correntes de ar...), estar a dar o DR. House!
Não fosse a saúde um pilar fundamental para podermos sair deste pântano em que nos encontramos, e o facto de o pai ter faltado a um dia inteiro de trabalho, ou de o puto ter andado o dia inteiro e boa parte da noite naquele estado a espalhar o vírus da varicela, não seria assim tão grave mas, já se sabe, não somos Suecos. Temos de viver com o que temos! Estádios de futebol... e isso assim! Só para o Aquamatrix gastamos mais de um milhão de contos!... Os Suecos até ficam de olhos tortos...
quarta-feira, novembro 22, 2006
Afinal a banca é fixe, o mistério da multiplicação dos pães ou, de como evitar endoidar
Eu bem que suspeitava que não andava bem!... Sentia revoltas crescerem em mim, coisas vagas e sem sentido, que me levavam a projectar na banca a culpa de muitas das minhas penas. Cheguei até a pensar que a banca, manobra os políticos que põe e tira a seu belo prazer, por forma a que estes mexam na merda em que ela não quer sujar as mãos e que, com mangas de alpaca e colarinhos alvos, escolhe e determina o nosso futuro!
Nunca me tinha passado pela cabeça que se alguns de nós estão a viver numa casa, devem-no à banca! Delirante, pensava eu os contrários! ...Quer dizer, se a banca têm esses lucros, bem que podia agradecer a quem lhes compra o dinheiro para encher o cú a agentes camarários, urbanizadores, construtores e empreiteiros que, por sua vez também, lhes enchem o cú a ela. À banca! Via eu com maus olhos , um antigo ministro das finanças estar hoje a trabalhar para os bancos, a guiar-lhes os olhos ensinar-lhes os meandros... Achava eu sem sentido oferecerem-me um plafond negativo e depois de me cobrarem taxas absurdas, me penalizarem como cliente de risco... pensava eu que, antes de pedir dinheiro ao City Bank ou à Cofidis para regularizar prestações em atraso de um andar húmido com tijolo de 15, um dia, algum governo viria e diria: amigos... vão roubar para a estrada! ...Tão mal que eu andava!...
Nunca me tinha passado pela cabeça que se alguns de nós estão a viver numa casa, devem-no à banca! Delirante, pensava eu os contrários! ...Quer dizer, se a banca têm esses lucros, bem que podia agradecer a quem lhes compra o dinheiro para encher o cú a agentes camarários, urbanizadores, construtores e empreiteiros que, por sua vez também, lhes enchem o cú a ela. À banca! Via eu com maus olhos , um antigo ministro das finanças estar hoje a trabalhar para os bancos, a guiar-lhes os olhos ensinar-lhes os meandros... Achava eu sem sentido oferecerem-me um plafond negativo e depois de me cobrarem taxas absurdas, me penalizarem como cliente de risco... pensava eu que, antes de pedir dinheiro ao City Bank ou à Cofidis para regularizar prestações em atraso de um andar húmido com tijolo de 15, um dia, algum governo viria e diria: amigos... vão roubar para a estrada! ...Tão mal que eu andava!...
segunda-feira, novembro 06, 2006
Uma pausa na vida de um ser mundano
Respirava lento. Profundamente. Abandonado o medo, baixada a guarda... sentia o corpo acompanhar aquele ir e vir de vida, sem esforço. Fechara os olhos e inebriado deixou partir uma carrada de ilusões. Extinto o querer, só dava conta de existir. Ali. Naquele momento em que o caos se lhe afigurou a ordem absoluta!
quinta-feira, novembro 02, 2006
Deus é grande e afinal os políticos não são verbos de encher
Afinal, o aumento é pequenino! ...Lançado que foi para o ar 17... 15... %... sondada que foi a reacção da malta... apalpado o pulso... ouvido o "murmurinho"... ponderou-se a decisão e... lá saiu em definitivo, um número, políticamente bem estudado... económicamente equílibrado! A coisa, anda à roda dos 6%!... Uf! Afinal não é 15, nem 16 e muito menos 17.
Graças a Deus. Olha, se têm anunciado um aumento de 6% e tivessem aumentado 6%!...
Assim, já nos sentimos aliviados e a coisa acabou bem! Quer dizer... no fundo, acabamos por ganhar à roda de 10%. Lá para 2007 logo se verá!... Pelo menos, os números foram lançados ao ar e isso, é uma grande vantagem. ...É que quando vier o resto do aumento, já estamos psicológicamente preparados.
Pena, que para que tudo tivesse corrido da melhor forma, se tivesse de tirar uma série de vidas a um ministro que estava a ir tão bem!... Eles, lá sabem e já devem ter um novo na forja!...
Graças a Deus. Olha, se têm anunciado um aumento de 6% e tivessem aumentado 6%!...
Assim, já nos sentimos aliviados e a coisa acabou bem! Quer dizer... no fundo, acabamos por ganhar à roda de 10%. Lá para 2007 logo se verá!... Pelo menos, os números foram lançados ao ar e isso, é uma grande vantagem. ...É que quando vier o resto do aumento, já estamos psicológicamente preparados.
Pena, que para que tudo tivesse corrido da melhor forma, se tivesse de tirar uma série de vidas a um ministro que estava a ir tão bem!... Eles, lá sabem e já devem ter um novo na forja!...
quinta-feira, outubro 19, 2006
Batatinhas com enguias
Querida EDP, Hiberdrola, BCP, Stanley Ho e demais accionistas... amigos e companheiros:
Esta é uma sincera missiva de solidariedade. Um reconhecimento pela vossa fraternidade. Uma declaração de préstimo, uma afirmação de presença para o que der e vier!...
E porquê agora?! ...Pois não é que eu, confesso, cheguei a chamá-los de chulos, de ladrões sem pejo, de selvajens cegos em busca de lucro iguais aos demais degenerados pela soberba causadores de tanta pérfida do mundo, seres demoníacos que fabricam e corrompem políticos que acabam por vender os haveres de um povo?!...
Mal eu sabia que me estavam a fornecer energia abaixo do preço de custo!...
Não que me queira desculpar... mas, quando ouvi que o Talone tinha apresentado os resultados de 2005 com lucros de 1,071 mil milhões de euros... sei lá... passou-me uma vertigem, entrei numa espécie de demência e, mea culpa... sim, pensei cá para mim: chulos!...
Como é que eu podia adivinhar que tudo isso era fruto da incompetência da administração pública, dos negócios no Brazil, na Espanha, da venda da Galp... e nós aquí no bem bom a alumiarmo-nos à conta!...
Afinal à medida que vão havendo as privatizações as coisas acabam por entrar nos eixos e o contribuinte fica a ganhar! É que bem vistas as coisas, assim, o contribuinte tem que forçosamente, poupar. E no poupar é que está o ganho!
P.S. - Se for possível, deixem-me pagar esta dívida lá mais para a frente. É que de outro modo, não há cú que aguente e eu já tenho os cartões de crédito todos queimados (Sou uma besta! Eu sei. E lá vos tenho enchido os bolsinhos para me andarem a dar energia!). A menos que... -e isto é só uma ideia... -, o Stanley me dê uma abébia num dos casinos, ou o BCP queira renegociar uma dívidazinha que lá tenho... se virem que não é possível, não se preocupem, eu aguento-me à bomboca... que remédio! Quem me mandou a mim, andar a gastar mais do que pagava?!...
Esta é uma sincera missiva de solidariedade. Um reconhecimento pela vossa fraternidade. Uma declaração de préstimo, uma afirmação de presença para o que der e vier!...
E porquê agora?! ...Pois não é que eu, confesso, cheguei a chamá-los de chulos, de ladrões sem pejo, de selvajens cegos em busca de lucro iguais aos demais degenerados pela soberba causadores de tanta pérfida do mundo, seres demoníacos que fabricam e corrompem políticos que acabam por vender os haveres de um povo?!...
Mal eu sabia que me estavam a fornecer energia abaixo do preço de custo!...
Não que me queira desculpar... mas, quando ouvi que o Talone tinha apresentado os resultados de 2005 com lucros de 1,071 mil milhões de euros... sei lá... passou-me uma vertigem, entrei numa espécie de demência e, mea culpa... sim, pensei cá para mim: chulos!...
Como é que eu podia adivinhar que tudo isso era fruto da incompetência da administração pública, dos negócios no Brazil, na Espanha, da venda da Galp... e nós aquí no bem bom a alumiarmo-nos à conta!...
Afinal à medida que vão havendo as privatizações as coisas acabam por entrar nos eixos e o contribuinte fica a ganhar! É que bem vistas as coisas, assim, o contribuinte tem que forçosamente, poupar. E no poupar é que está o ganho!
P.S. - Se for possível, deixem-me pagar esta dívida lá mais para a frente. É que de outro modo, não há cú que aguente e eu já tenho os cartões de crédito todos queimados (Sou uma besta! Eu sei. E lá vos tenho enchido os bolsinhos para me andarem a dar energia!). A menos que... -e isto é só uma ideia... -, o Stanley me dê uma abébia num dos casinos, ou o BCP queira renegociar uma dívidazinha que lá tenho... se virem que não é possível, não se preocupem, eu aguento-me à bomboca... que remédio! Quem me mandou a mim, andar a gastar mais do que pagava?!...
quarta-feira, outubro 04, 2006
O muro! Um delírio Americano.
A 25 de Agosto de 2001, G. W. Bush discursou na Câmara de Comércio Hispânica e afirmou:
O México é um amigo dos E.U.A. O México é nosso vizinho e por isso é tão importante para nós derrubar as barreiras e os muros que possam separar o Mexico dos E.U.A. (negócios?!).
5 anos depois, projecta-se um muro com 700km para impedir a entrada de imigrantes ilegais nos E.U.A.
O custo previsto é de 6 biliões de dolares.
Querem os Mexicanos a trabalhar para eles mas, lá, no México. Pagos em pesos! Com 5 dolares por dia vive-se muito bem no México!
Existem 12 milhões de Mexicanos sem documentos nos E.U.A.
A esmagadora maioria trabalha sem poder reinvindicar qualquer direito e sujeita-se a ganhar abaixo do que seria suposto, fazendo assim crescer a economia Americana.
Os muros, estes muros... isolam e separam, dividem os povos e constróem-se quando os argumentos para explorar e não repartir agonizam e vão tombando por terra.
A imigração ilegal é um problema económico.
Enquanto multinacionais como a G.M. deslocarem fábricas para o México para poderem explorar legalmente operários Mexicanos, os E.U, vão ter imigrantes ilegais. Com ou sem muros. Claro que muitos vão morrer!
Quanto mais altos e compridos os muros, mais ressentimento, mais revolta, mais ódio...
Talvez por isso se chamasse ao muro de Berlim, o muro da vergonha! Talvez por isso, os Alemães tenham tido o bom senso de o demolirem e aceitarem repartir, arcando com as consequência imediatas! Talvez por isso o resultado do muro construido pelos Israelitas seja uma confranjedora paz podre que perpetua e aprofunda um conflito.
Os muros... estes muros, são sinais. Sinais de decadência, de impotência, soberba e prepotência. Sinais de que existem biliões para construir muros e não existem biliões para altear pontes!
O muro... este muro, prova claramente que mais uma vez, Bush mentiu. Desta vez, foi a 25 de Agosto de 2001, na Câmara de Comércio Hispânica.
O México é um amigo dos E.U.A. O México é nosso vizinho e por isso é tão importante para nós derrubar as barreiras e os muros que possam separar o Mexico dos E.U.A. (negócios?!).
5 anos depois, projecta-se um muro com 700km para impedir a entrada de imigrantes ilegais nos E.U.A.
O custo previsto é de 6 biliões de dolares.
Querem os Mexicanos a trabalhar para eles mas, lá, no México. Pagos em pesos! Com 5 dolares por dia vive-se muito bem no México!
Existem 12 milhões de Mexicanos sem documentos nos E.U.A.
A esmagadora maioria trabalha sem poder reinvindicar qualquer direito e sujeita-se a ganhar abaixo do que seria suposto, fazendo assim crescer a economia Americana.
Os muros, estes muros... isolam e separam, dividem os povos e constróem-se quando os argumentos para explorar e não repartir agonizam e vão tombando por terra.
A imigração ilegal é um problema económico.
Enquanto multinacionais como a G.M. deslocarem fábricas para o México para poderem explorar legalmente operários Mexicanos, os E.U, vão ter imigrantes ilegais. Com ou sem muros. Claro que muitos vão morrer!
Quanto mais altos e compridos os muros, mais ressentimento, mais revolta, mais ódio...
Talvez por isso se chamasse ao muro de Berlim, o muro da vergonha! Talvez por isso, os Alemães tenham tido o bom senso de o demolirem e aceitarem repartir, arcando com as consequência imediatas! Talvez por isso o resultado do muro construido pelos Israelitas seja uma confranjedora paz podre que perpetua e aprofunda um conflito.
Os muros... estes muros, são sinais. Sinais de decadência, de impotência, soberba e prepotência. Sinais de que existem biliões para construir muros e não existem biliões para altear pontes!
O muro... este muro, prova claramente que mais uma vez, Bush mentiu. Desta vez, foi a 25 de Agosto de 2001, na Câmara de Comércio Hispânica.
quinta-feira, setembro 28, 2006
O figurante
À primeira vista ele existia. Circulava pelas artérias das catedrais de consumo, atento. Como um consumidor qualquer, num elegante e insuspeito passo lento... modo como fazia render o espaço e geria o tempo, evitando ser despeitado.
Excluído, sem perspectivas de contar para o que quer que fosse, sem o poder de consumir o que quem risca a realidade determina ser o mínimo aceitável... sabia, que o que andava por aí a fazer, era esconder a solidão e resistir à tentação, de cumprir a existência como cão sarnoso abandonado.
Volta e meia, meia volta dada como quem se lembra de repente de ao que ia... parava frente a uma montra e simulava um olhar arguto, com que encenava um interesse quase cínico. Olhava sem ver nada - absorto em lutas antigas em que tinha atingido monstros gigantes, moinhos... defendido donzelas, ofendidos... - e, no estilo mais digno que o reumático lhe permitia, trocava as voltas a improváveis observadores que gostava de imaginar, afastando-se desdenhoso, como quem nada lhe serve.
...Vasculhado o piso Zero, dirigia-se a uma escada rolante e deixava-se levar até ao topo. Altivo, sobrolho franzido a disfarçar a penúria, queixo empinado a disfarçar o vazio no peito, uma vez chegado ao piso Um... parava! Reflectia em nada... breve, e escolhia o rumo como quem ainda espera encontrar algo e sabe por onde começar.
Depois, era o passo comedido com medo de encolher o espaço, o cuidado de não parar em frente à mesma montra, de evitar dar a entender o fingimento de procurar alguém numa esplanada ou de não entrar com o olhar expectante segunda vez, no mesmo restaurante...
Por vezes, examinava a lista afixada na entrada com a minúcia de quem tem muito por ter vindo a poupar e, com o vagar de um bom apreciador, elegia um prato, a sobremesa, uma aguardente velha... e degustava lentamente num lugar qualquer da mente... através de um fenómeno misterioso que não sabia, nem queria, explicar! Chegava até a arrotar!...
Em seguida, a caminho dos cartazes que anunciavam os filmes em exibição, se lhe emanava da alma o abandono a que estáva votado... tiráva num repente o telemóvel do bolso e ao fingir ligar a alguém, ordenava ao despertador que - daí a pouco - fizesse as vezes de quem lhe ligasse. ... Toque a soar, atendia, auscultava, aguardava, impacientava-se, volvia a um e outro lado incomodado, consternado pelo assim tornado evidente lápso de memória pelo que teria feito alguém esperar. Improvisadas explicações, desculpas, lá continuava, aliviado. Mão na anca, na testa a arquitectar, como quem quer que tudo fique bem claro: Estou! Está?... Sim sim. Não! Sabes como é... para se encontrar alguma coisa de jeito... é um martírio!... Tá bem. Tudo bem. Não te preocupes... eu passo por aí. Podes contar comigo!... OK! Então, até logo! ...Beijinhos!...
Nunca ninguém desconfiou de nada, nem nunca sequer alguém reparou.
Excluído, sem perspectivas de contar para o que quer que fosse, sem o poder de consumir o que quem risca a realidade determina ser o mínimo aceitável... sabia, que o que andava por aí a fazer, era esconder a solidão e resistir à tentação, de cumprir a existência como cão sarnoso abandonado.
Volta e meia, meia volta dada como quem se lembra de repente de ao que ia... parava frente a uma montra e simulava um olhar arguto, com que encenava um interesse quase cínico. Olhava sem ver nada - absorto em lutas antigas em que tinha atingido monstros gigantes, moinhos... defendido donzelas, ofendidos... - e, no estilo mais digno que o reumático lhe permitia, trocava as voltas a improváveis observadores que gostava de imaginar, afastando-se desdenhoso, como quem nada lhe serve.
...Vasculhado o piso Zero, dirigia-se a uma escada rolante e deixava-se levar até ao topo. Altivo, sobrolho franzido a disfarçar a penúria, queixo empinado a disfarçar o vazio no peito, uma vez chegado ao piso Um... parava! Reflectia em nada... breve, e escolhia o rumo como quem ainda espera encontrar algo e sabe por onde começar.
Depois, era o passo comedido com medo de encolher o espaço, o cuidado de não parar em frente à mesma montra, de evitar dar a entender o fingimento de procurar alguém numa esplanada ou de não entrar com o olhar expectante segunda vez, no mesmo restaurante...
Por vezes, examinava a lista afixada na entrada com a minúcia de quem tem muito por ter vindo a poupar e, com o vagar de um bom apreciador, elegia um prato, a sobremesa, uma aguardente velha... e degustava lentamente num lugar qualquer da mente... através de um fenómeno misterioso que não sabia, nem queria, explicar! Chegava até a arrotar!...
Em seguida, a caminho dos cartazes que anunciavam os filmes em exibição, se lhe emanava da alma o abandono a que estáva votado... tiráva num repente o telemóvel do bolso e ao fingir ligar a alguém, ordenava ao despertador que - daí a pouco - fizesse as vezes de quem lhe ligasse. ... Toque a soar, atendia, auscultava, aguardava, impacientava-se, volvia a um e outro lado incomodado, consternado pelo assim tornado evidente lápso de memória pelo que teria feito alguém esperar. Improvisadas explicações, desculpas, lá continuava, aliviado. Mão na anca, na testa a arquitectar, como quem quer que tudo fique bem claro: Estou! Está?... Sim sim. Não! Sabes como é... para se encontrar alguma coisa de jeito... é um martírio!... Tá bem. Tudo bem. Não te preocupes... eu passo por aí. Podes contar comigo!... OK! Então, até logo! ...Beijinhos!...
Nunca ninguém desconfiou de nada, nem nunca sequer alguém reparou.
terça-feira, setembro 26, 2006
As concentrações das micropartículas
O "Sol", é sem dúvida, um novo jornal com pretensões. Quanto mais não seja, pretende conquistar leitores do expresso, cansados que estarão da espessura, da carrada de publicidade contundente e, de tudo o mais que se quizer. O "Sol", afirma não oferecer brindes nem fazer promoções e fala de um exito fulminante. Ao que parece quer fazer jornalismo sério! E faz muito bem! Isso faz uma falta danada!
Agora, pergunto eu: Como pode um jornal com pretensões destas, ir expremer a Manuela Moura Guedes que não consegue evitar mostrar a alma toda em ferida?! Ètico?! Notícia?!
Depois, poderia continuar a apontar, aquí e alí, isto e aquilo, mas isso, como sabemos, era só pegar noutro jornal qualquer... mas, sinceramente, alguém me poderá explicar que porra de "notícia" é aquela (na pag. 64), com o título: "Cirragos Piores do que automóveis"?!
Reza a "notícia" que: o tabaco contamina 60 vezes mais do que o tráfego automóvel.
Esta afirmação, é feita com base na conclusão de Manel Nebot(?!) que mediu as concentrações de micropartículas em bares onde se pode fumar e, nas ruas de Barcelona, e é citada por "El País".
Não satisfeito, o "Sol", refere ainda que, já em Itália se tinha alcançado um resultado semelhante, ao comparar as emissões de um carro com o fumo de três cigarros num espaço fechado de 20 metros quadrados(?!). A "notícia" é assinada por uma Ioli Campos.
Eu, convidaria a Ioli Campos, o Manel Nebot, o José António Saraiva e o maior antitabagista nacional a escolherem entre dois espaços fechados de 20m de àrea por 3m de altura: Num dos espaços, eram obrigados a fumar durante toda a noite. No outro, só tinham que respirar os gases de escape de um automóvel convencional.
É isto uma campanha para motivar o fumador a desistir de fumar ou, será que querem fazer do bruto estúpido?
É este o tipo de jornalismo a esperar do "Sol"?
Agora, pergunto eu: Como pode um jornal com pretensões destas, ir expremer a Manuela Moura Guedes que não consegue evitar mostrar a alma toda em ferida?! Ètico?! Notícia?!
Depois, poderia continuar a apontar, aquí e alí, isto e aquilo, mas isso, como sabemos, era só pegar noutro jornal qualquer... mas, sinceramente, alguém me poderá explicar que porra de "notícia" é aquela (na pag. 64), com o título: "Cirragos Piores do que automóveis"?!
Reza a "notícia" que: o tabaco contamina 60 vezes mais do que o tráfego automóvel.
Esta afirmação, é feita com base na conclusão de Manel Nebot(?!) que mediu as concentrações de micropartículas em bares onde se pode fumar e, nas ruas de Barcelona, e é citada por "El País".
Não satisfeito, o "Sol", refere ainda que, já em Itália se tinha alcançado um resultado semelhante, ao comparar as emissões de um carro com o fumo de três cigarros num espaço fechado de 20 metros quadrados(?!). A "notícia" é assinada por uma Ioli Campos.
Eu, convidaria a Ioli Campos, o Manel Nebot, o José António Saraiva e o maior antitabagista nacional a escolherem entre dois espaços fechados de 20m de àrea por 3m de altura: Num dos espaços, eram obrigados a fumar durante toda a noite. No outro, só tinham que respirar os gases de escape de um automóvel convencional.
É isto uma campanha para motivar o fumador a desistir de fumar ou, será que querem fazer do bruto estúpido?
É este o tipo de jornalismo a esperar do "Sol"?
quarta-feira, setembro 13, 2006
O malabarista
Que o homem tenha sido do PCP... tudo bem. Que depois tenha passado para o PS... vá que não vá. Que, enquanto ministro da economia e a coberto da intensão de fazer regressar a formula I a Portugal tenha rebentado com milhões de contos nuns negócios ruins de entender... eh pá... vá lá... estamos em Portugal e no fundo, no fundo... já se fizeram coisas piores. Que hoje seja o patrão da Iberdrola em Portugal - justamente ele que enquanto deputado andou nos meandros dos projectos energéticos - e mantenha o cargo de deputado do partido no governo... que tenha convidado para um cargo executivo o seu ex secretário de estado do orçamento Fernando Pacheco que, entretanto já desempenhou funções de secretário de estado da energia e por isso conhece bem os cantos à casa e as voltas a dar... oh pá, prontos... mas agora esta da providência cautelar, sinceramente pá, baralha-me! O homem, enquanto delfim da Iberdrola está a defender a Iberdrola e, enquanto deputado?! ...Mais a mais, da bancada do PS!... Bem sei que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa mas, as duas, assim juntas, tendo em contas as outras todas, dá-me azia!
quarta-feira, setembro 06, 2006
Apita o comboio
A malta deveria pagar uma taxa suplementar para poder assistir a programas como o "Prós e Contras" desta semana.
O creme da nata, o calor a derretê-los e eles todos bem compostos de fatinho e de gravata como a malta gosta os respeita e manda a lei, temos o que merecemos, os artistas sem temor, o Major, o Doutor, o Srº Secretário de estado a querer marcar posição e a recolher, a marcar passo, compasso de espera a ver o que vai dar e a apoiar, incondicional... atrevido mas não tanto, que ele hoje está sentado e amanhã apeado e atrás de uma coisa desta bem que pode cair um governo, os juristas tímidos a botar uma ou outra palavrinha, considerações... o caso é gravíssimo meus amigos! Bastava olhar para o sobrolho do Major! O momento é de profunda reflexão e responsabilidade nacional! Portugal está em risco! ... Se a FIFA a UEFA... se a coisa fia fino... não há cu que vá aguentar...
Diga Drº... eu não sou Drº... o Major também não era Drº... a Drª era a Fátima, foi você que disse eu não disse nada... (risos sorrisos trejeitos) Portugal só ombreia com os grandes no futebol o resto é conversa fiada dizia o outro, chega Srº Major, Ó Fátima deixe-me concluir que isto é muito importante! E é. É muitíssimo importante!... A malta pela-se por coisas destas em que se perde em labirintos e lhe dá para entabular conversas com quem não tem nada para falar. O sobrolho franzido do Major, o Madaíl - que esse é Drº... - desgastado e que só se recandidata em caso de interesse nacional em caso de vir a ser obrigado... a intervenção do presidente do benfica está em linha e diz e concerta e explica e apoia e fala do apito apita o comboio!
Portugal só ombreia com os grandes no futebol! Qual judo, qual atletismo, qual vela, quais prémios Nóbel, qual massa encefálica de fálico só o Camarinha que já não é o que era! Coitado do Camarinha! Coitado de Portugal!
Deixe-me falar Drª que isto é muito importante e era. Era muito importante e continua a ser muito importante. A Fátima também é muito importante não a Drª que essa é apresentadora a outra a outra Fátima que também faz mover as multidões e permite a alguns concluirem o que queriam dizer. Deixe-me falar quando não o país arrisca-se a tornar-se um furúnculo preste a rebentar se o Srº Secretário não diz nada e não pára de suar se o caso não se resolve e depressa!
O apito dourado?! Quantos são (palmas)? Apita apita mas não ouço nada (Palmas! ...Essa é que é essa)!
O apito não é dourado! O apito é de ouro. De ouro fino como o silêncio que afoga o País em verborreia escorreia e manhosa à sombra de uma apetencia nunca vista para uma não existência.
Queremos lá agora saber do Nobre Guedes, aquele da casinha clandestina na Arrábida da licença para arrancar os sobreiros e urbanizar em nome do interesse nacional, aquele artista efémero por ter sido investigado e ilibado e que agora pede 450 mil euros de indeminização ao estado pela mancha no seu bom nome. Que interesse tem lá agora o Isaltino, a falácia das contas do porto de Lisboa, a EDP a dar lucros e a aumentar as facturas, a banca a dar lucros brutais e a espetar a farpa até onde lhe apetecer?! Isto é muito importante Drª! Fátima, deixe-me concluír... o futebol é uma instituição de solidariedade social, dizia o outro e é, até a CGD vai financiar um clube de futebol! Isto é muito importante!
A bem dizer, um jurozinho aquí uma comissãozinha acolá... e todos nós financiamos o futebol, todos nós financiamos estadios, sendo que o futebol, nos financia a nós, financia a nossa televisão que nos aquece ou arrefece os serões e deixa em paz a moleirinha... deixe-me acabar Fátima que isto é muito importante, e é! Quando não, estes vultos vetustos da nata portuguesa estariam a fazer colheres e a CGD o BES e outros assim, ou pagavam impostos a sério ou rebentavam de tanto lucro. Viva o Futebol, viva Portugal!
O creme da nata, o calor a derretê-los e eles todos bem compostos de fatinho e de gravata como a malta gosta os respeita e manda a lei, temos o que merecemos, os artistas sem temor, o Major, o Doutor, o Srº Secretário de estado a querer marcar posição e a recolher, a marcar passo, compasso de espera a ver o que vai dar e a apoiar, incondicional... atrevido mas não tanto, que ele hoje está sentado e amanhã apeado e atrás de uma coisa desta bem que pode cair um governo, os juristas tímidos a botar uma ou outra palavrinha, considerações... o caso é gravíssimo meus amigos! Bastava olhar para o sobrolho do Major! O momento é de profunda reflexão e responsabilidade nacional! Portugal está em risco! ... Se a FIFA a UEFA... se a coisa fia fino... não há cu que vá aguentar...
Diga Drº... eu não sou Drº... o Major também não era Drº... a Drª era a Fátima, foi você que disse eu não disse nada... (risos sorrisos trejeitos) Portugal só ombreia com os grandes no futebol o resto é conversa fiada dizia o outro, chega Srº Major, Ó Fátima deixe-me concluir que isto é muito importante! E é. É muitíssimo importante!... A malta pela-se por coisas destas em que se perde em labirintos e lhe dá para entabular conversas com quem não tem nada para falar. O sobrolho franzido do Major, o Madaíl - que esse é Drº... - desgastado e que só se recandidata em caso de interesse nacional em caso de vir a ser obrigado... a intervenção do presidente do benfica está em linha e diz e concerta e explica e apoia e fala do apito apita o comboio!
Portugal só ombreia com os grandes no futebol! Qual judo, qual atletismo, qual vela, quais prémios Nóbel, qual massa encefálica de fálico só o Camarinha que já não é o que era! Coitado do Camarinha! Coitado de Portugal!
Deixe-me falar Drª que isto é muito importante e era. Era muito importante e continua a ser muito importante. A Fátima também é muito importante não a Drª que essa é apresentadora a outra a outra Fátima que também faz mover as multidões e permite a alguns concluirem o que queriam dizer. Deixe-me falar quando não o país arrisca-se a tornar-se um furúnculo preste a rebentar se o Srº Secretário não diz nada e não pára de suar se o caso não se resolve e depressa!
O apito dourado?! Quantos são (palmas)? Apita apita mas não ouço nada (Palmas! ...Essa é que é essa)!
O apito não é dourado! O apito é de ouro. De ouro fino como o silêncio que afoga o País em verborreia escorreia e manhosa à sombra de uma apetencia nunca vista para uma não existência.
Queremos lá agora saber do Nobre Guedes, aquele da casinha clandestina na Arrábida da licença para arrancar os sobreiros e urbanizar em nome do interesse nacional, aquele artista efémero por ter sido investigado e ilibado e que agora pede 450 mil euros de indeminização ao estado pela mancha no seu bom nome. Que interesse tem lá agora o Isaltino, a falácia das contas do porto de Lisboa, a EDP a dar lucros e a aumentar as facturas, a banca a dar lucros brutais e a espetar a farpa até onde lhe apetecer?! Isto é muito importante Drª! Fátima, deixe-me concluír... o futebol é uma instituição de solidariedade social, dizia o outro e é, até a CGD vai financiar um clube de futebol! Isto é muito importante!
A bem dizer, um jurozinho aquí uma comissãozinha acolá... e todos nós financiamos o futebol, todos nós financiamos estadios, sendo que o futebol, nos financia a nós, financia a nossa televisão que nos aquece ou arrefece os serões e deixa em paz a moleirinha... deixe-me acabar Fátima que isto é muito importante, e é! Quando não, estes vultos vetustos da nata portuguesa estariam a fazer colheres e a CGD o BES e outros assim, ou pagavam impostos a sério ou rebentavam de tanto lucro. Viva o Futebol, viva Portugal!
domingo, setembro 03, 2006
Jung Chang
A humanidade tem tido revoadas de delírio, crises agudas de demência que, acalmados os ânimos, virada a página, nos deixam estupefactos pela forma como a realidade pode superar a ficção mais arrojada.
"Cisnes Selvagens", é um livro que contêm o relato de Jung Chang, sobre um periodo de loucura relativamente mal conhecido, perfeitamente desconcertante. Vale a pena lê-lo. Mais que não seja, servirá para reflectir-mos sobre a incongruência da chamada inteligência racional!
...Levianos, temerosos e inseguros, os homens, parece conseguirem tranquilizar a consciência, refugiados no instinto de sobrevivência com que justificam a adopção de convicções que lhes chegam mastigadas, em aberrantes manuais de propaganda. Impotentes, prepotentes, não se poupam a esforços para manterem os neurónios em repouso e, assim evitarem decidir sobre a própria vida.
Uma vez convencidos de estarem protegidos por um líder que aceitam venerar enquanto este lhes pisa os calos... recebida a garantia de que no mundo existe alguém mais miserável que eles próprios... a loucura, poderá durar por tempo indeterminado e a perfídia chegar onde nunca alguém ousou imaginar!
...Estranha, a inteligência racional deste animal que se diz superior!
"Cisnes Selvagens", é um livro que contêm o relato de Jung Chang, sobre um periodo de loucura relativamente mal conhecido, perfeitamente desconcertante. Vale a pena lê-lo. Mais que não seja, servirá para reflectir-mos sobre a incongruência da chamada inteligência racional!
...Levianos, temerosos e inseguros, os homens, parece conseguirem tranquilizar a consciência, refugiados no instinto de sobrevivência com que justificam a adopção de convicções que lhes chegam mastigadas, em aberrantes manuais de propaganda. Impotentes, prepotentes, não se poupam a esforços para manterem os neurónios em repouso e, assim evitarem decidir sobre a própria vida.
Uma vez convencidos de estarem protegidos por um líder que aceitam venerar enquanto este lhes pisa os calos... recebida a garantia de que no mundo existe alguém mais miserável que eles próprios... a loucura, poderá durar por tempo indeterminado e a perfídia chegar onde nunca alguém ousou imaginar!
...Estranha, a inteligência racional deste animal que se diz superior!
domingo, agosto 20, 2006
Quase ufana, a malta arrisca-se a precipitar-se num ismo qualquer. Mais uma vez! Desta, ser ou não Ariano tem pouco a ver. A coisa agora, à escala global, passa por parecer querer ser saudável! Sempre alegre e estável! Muita melanina, muita massa muscular, abaixo os tabagistas, os tipos com bigode, a meia branca, abaixo o tecido adiposo acima do zero, o pé de galinha. Viva a banda gástrica, a lipoescultura, o branqueamentos de dentes e haveres, o antidepressivo, o shot rapido e eficaz, a tonteria de um tracinho que nos aguça a moleirinha e faz parecer rápidos e concisos, versados nisto e naquilo, ágeis e argutos, astutos, pequenos Deuses quase perfeitos não fora um ou outro peidinho...
Nunca gostei dos ismos! Dá-me náuseas. Relembra-me erros de outros tempos.
Nunca gostei dos ismos! Dá-me náuseas. Relembra-me erros de outros tempos.
quinta-feira, agosto 17, 2006
A acreditar no Expresso, o Millennium ofereceu a Miguel de Sousa Tavares uma quantia que rondava os 250 mil euros. Este, teria em troca, de ceder a sua imagem para uma campanha publicitária com que esta entidade bancária pretendia influenciar determinado tipo de consumidores!
O homem, invocando que a sua actividade jornalistica não é compatível com publicidade, recusou.
Num tempo em que o dinheiro parece servir para comprar tudo e em que a maioria se dispõe a dizer ou fazer, não importa o quê, em troca de bem menos, o facto, parece estranho!
Talvez que a sua situação financeira lhe pudesse ter facilitado a recusa... contudo, não resisto a imagina-lo como um dos homens que se quer livre e que, por isso, não está à venda nem padece de soberba.
Já agora; gostei de ler "O Equador"! Para além do leitor comum, a "corte" Portuguesa em particular, deveria ler e reflectir sobre este romance histórico. Talvez assim, pudesse mudar a mentalidade que, no essencial, lamentavelmente, permanece igual aquela que tinha em 1900!
O homem, invocando que a sua actividade jornalistica não é compatível com publicidade, recusou.
Num tempo em que o dinheiro parece servir para comprar tudo e em que a maioria se dispõe a dizer ou fazer, não importa o quê, em troca de bem menos, o facto, parece estranho!
Talvez que a sua situação financeira lhe pudesse ter facilitado a recusa... contudo, não resisto a imagina-lo como um dos homens que se quer livre e que, por isso, não está à venda nem padece de soberba.
Já agora; gostei de ler "O Equador"! Para além do leitor comum, a "corte" Portuguesa em particular, deveria ler e reflectir sobre este romance histórico. Talvez assim, pudesse mudar a mentalidade que, no essencial, lamentavelmente, permanece igual aquela que tinha em 1900!
quarta-feira, agosto 09, 2006
quinta-feira, agosto 03, 2006
Circalhada
É no circo que os porcos andam de bicicleta. Que os palhaços... ricos e pobres, alimentam o personagem com contendas, ilustrações de metáforas que, vá-se lá saber porquê, regozijam e fazem rir o público. É no circo que os elefantes se equilibram numa perna só, que os homens aceitam ser serrados ao meio, andar no arame sem rede, serem disparados de canhões ou até de marcharem contra os ditos!
Os números, são cada vez mais arriscados e surpreendentes. No tempo que que os lucros da banca não param de crescer e em que lhes é permitido aumentar o que bem lhes apetecer, é apertado o espaço de quem se recuse pagar licenças para sacar ou não queira ser sacado e, mais grave... é apertado o espaço de quem confesse não querer enriquecer!...
Se um malabarista consegue por a rodar no ar dez bolas de fogo sem se queimar, logo se vê obrigado a ensaiar um número com doze. Se um domador consegue fazer com que um macaco toque violino, logo deverá começar a dar corpo a uma orquestra de vários macacos a tocar vários instrumentos!... É assim a vida no circo!
...Neste particular, Portugal, parte integrante do mundo ocidental - o mundo rico e pujante - está no seu melhor... a quantidade de coelhos a sair da cartola, não pára de aumentar. Os directores do circo - financiados por malabaristas que detêem fundos inesgotáveis enquantos os palhaços andarem à estalada - compraram Jipes, deram provisão a contas em ilhas distantes e, propõem apresentar um fantástico e espectacular número, em que os animais amestrados, vão andar de bicicleta sem mãos, sem pés e... sem bicicleta!...
...Tendo em conta a qualidade dos animais em pista, sou levado a acreditar que este desafio poderá ser largamente superado e por isso, a fasquia deverá, antes mesmo de ter sido superada, de ser posta um pouco acima.
Os números, são cada vez mais arriscados e surpreendentes. No tempo que que os lucros da banca não param de crescer e em que lhes é permitido aumentar o que bem lhes apetecer, é apertado o espaço de quem se recuse pagar licenças para sacar ou não queira ser sacado e, mais grave... é apertado o espaço de quem confesse não querer enriquecer!...
Se um malabarista consegue por a rodar no ar dez bolas de fogo sem se queimar, logo se vê obrigado a ensaiar um número com doze. Se um domador consegue fazer com que um macaco toque violino, logo deverá começar a dar corpo a uma orquestra de vários macacos a tocar vários instrumentos!... É assim a vida no circo!
...Neste particular, Portugal, parte integrante do mundo ocidental - o mundo rico e pujante - está no seu melhor... a quantidade de coelhos a sair da cartola, não pára de aumentar. Os directores do circo - financiados por malabaristas que detêem fundos inesgotáveis enquantos os palhaços andarem à estalada - compraram Jipes, deram provisão a contas em ilhas distantes e, propõem apresentar um fantástico e espectacular número, em que os animais amestrados, vão andar de bicicleta sem mãos, sem pés e... sem bicicleta!...
...Tendo em conta a qualidade dos animais em pista, sou levado a acreditar que este desafio poderá ser largamente superado e por isso, a fasquia deverá, antes mesmo de ter sido superada, de ser posta um pouco acima.
quarta-feira, julho 05, 2006
A fuga em frente
O ritmo a que se entende forçado a levar a sua vida é superior à sua pedalada?
...Não faz mal: tome um estimulante e vá em frente.
Por ter ido em frente, bate com a testa na trave e fica ferido, deprimido? ...A sua esposa é uma vespa, o seu marido, uma besta?!... Não se deixe perturbar; tome um antidepressivo e disfrute do poder de ser quem é não sendo!
...Tendo sido quem é não sendo, vê-se confrontado com distonias, arrelias que lhe inundam o estômago de ácidos fora de tempo e lhe provocam arritmias ou perturbam os ciclos normais do sono?!... Não se preocupe. ...Você tem de ter muita calma e, para isso, tem ao dispôr um antiulceroso milagroso que em simultâneo lhe inibe a secreção gástrica desatempada, uma benzodiazepina com efeito calmante que lhe tranquiliza a mente e lhe permite não se incomodar com a malta que lhe mete o dedo pelo cu acima, que o pica e arrelia, sendo que... ao deitar, pode ainda reciclar a merda que fez durante o dia. Não pensar, fazer delete e mergulhar num soninho de anjo.
...Tem crises de asma, alergias? Vê-se confrontado com uns parvalhões que lhe dizem que tudo tem a ver com a qualidade do ar, com níveis alarmantes de ozono, com os tóxicos que comemos, com a habituação à medicação que o prende ao balcão da sua farmácia preferida?!
Mande-os lixar! Você, bem conhece os anti histamínicos, os bronco dilatadores de curta e longa duração com ou sem cortisona, sabe que, se o Ventilan e o Brisomax não funcionarem, há ainda o Assieme e que, se ainda assim estiver enrascado, pode ser ventilado, entubado e aspirado num hospital do estado ou num privado...
Sente-se enfartado por ter comido meio queijo castelões e dois leitões? Não sofra mais! Para que pensa você que existe o Compensan, o Eno, o Primperan ou o Legalon? ...Imagine que, ainda assim a coisa não vai lá... que é vítima de uma descarga e fica de caganeira um rôr de tempo... acaso não conhece o Motilium e uma infinidade de medicamentos amigos que lhe permitem continuar a fazer as besteiras de que tanto gosta e que lhe trazem cor à vida?!
A situação vai de mal a pior? O médico diz-lhe que tem a vesícula cheia de pedras? ...Amigo, por que espera? Tire a danada fora, que é uma operaçãozita cagada e a vesícula não está lá a fazer nada.
Tem um joelho cheio de artroses que lhe dificulta o andar? ...Por que raio é que tem de aturar esses malucos que lhe segredam quase a medo, que tudo isso tem a ver com carências, sobrecargas metabólicas, sedentarismo?... Amigo... o que essa gente quer, é atrofiar-lhe o homúnculo! Mande-os à merda! Compre um analgésico, um antinflamatório, e já agora, o omeprazol para não ficar com o estômago inflamado! Ainda assim o joelho teima em doer?! Vá a um hospital particular (que é mais rápido), tire uma radiografia, uma eco, uma ressonância, ponha uma protese e... toca a andar!
Rebentou com a carteira e ficou deprimido? Não se deixe abalar. Telefone a uma instituição de crédito rápido e comece tudo do princípio... Vai ver que não doi nada e que tudo vale a pena!
Entretanto, já sabe... não mude de emprego, não mude de atitude, não mude de alimentação, não mude de vida... acima de tudo não mude, não reaja, não se insurja nem se ponha a pensar ou a inventar... você, pode aguentar! Sabe, que pode sempre confiar no comprimido amigo e ver o mundo da côr que escolher (pagando claro!).
...Não faz mal: tome um estimulante e vá em frente.
Por ter ido em frente, bate com a testa na trave e fica ferido, deprimido? ...A sua esposa é uma vespa, o seu marido, uma besta?!... Não se deixe perturbar; tome um antidepressivo e disfrute do poder de ser quem é não sendo!
...Tendo sido quem é não sendo, vê-se confrontado com distonias, arrelias que lhe inundam o estômago de ácidos fora de tempo e lhe provocam arritmias ou perturbam os ciclos normais do sono?!... Não se preocupe. ...Você tem de ter muita calma e, para isso, tem ao dispôr um antiulceroso milagroso que em simultâneo lhe inibe a secreção gástrica desatempada, uma benzodiazepina com efeito calmante que lhe tranquiliza a mente e lhe permite não se incomodar com a malta que lhe mete o dedo pelo cu acima, que o pica e arrelia, sendo que... ao deitar, pode ainda reciclar a merda que fez durante o dia. Não pensar, fazer delete e mergulhar num soninho de anjo.
...Tem crises de asma, alergias? Vê-se confrontado com uns parvalhões que lhe dizem que tudo tem a ver com a qualidade do ar, com níveis alarmantes de ozono, com os tóxicos que comemos, com a habituação à medicação que o prende ao balcão da sua farmácia preferida?!
Mande-os lixar! Você, bem conhece os anti histamínicos, os bronco dilatadores de curta e longa duração com ou sem cortisona, sabe que, se o Ventilan e o Brisomax não funcionarem, há ainda o Assieme e que, se ainda assim estiver enrascado, pode ser ventilado, entubado e aspirado num hospital do estado ou num privado...
Sente-se enfartado por ter comido meio queijo castelões e dois leitões? Não sofra mais! Para que pensa você que existe o Compensan, o Eno, o Primperan ou o Legalon? ...Imagine que, ainda assim a coisa não vai lá... que é vítima de uma descarga e fica de caganeira um rôr de tempo... acaso não conhece o Motilium e uma infinidade de medicamentos amigos que lhe permitem continuar a fazer as besteiras de que tanto gosta e que lhe trazem cor à vida?!
A situação vai de mal a pior? O médico diz-lhe que tem a vesícula cheia de pedras? ...Amigo, por que espera? Tire a danada fora, que é uma operaçãozita cagada e a vesícula não está lá a fazer nada.
Tem um joelho cheio de artroses que lhe dificulta o andar? ...Por que raio é que tem de aturar esses malucos que lhe segredam quase a medo, que tudo isso tem a ver com carências, sobrecargas metabólicas, sedentarismo?... Amigo... o que essa gente quer, é atrofiar-lhe o homúnculo! Mande-os à merda! Compre um analgésico, um antinflamatório, e já agora, o omeprazol para não ficar com o estômago inflamado! Ainda assim o joelho teima em doer?! Vá a um hospital particular (que é mais rápido), tire uma radiografia, uma eco, uma ressonância, ponha uma protese e... toca a andar!
Rebentou com a carteira e ficou deprimido? Não se deixe abalar. Telefone a uma instituição de crédito rápido e comece tudo do princípio... Vai ver que não doi nada e que tudo vale a pena!
Entretanto, já sabe... não mude de emprego, não mude de atitude, não mude de alimentação, não mude de vida... acima de tudo não mude, não reaja, não se insurja nem se ponha a pensar ou a inventar... você, pode aguentar! Sabe, que pode sempre confiar no comprimido amigo e ver o mundo da côr que escolher (pagando claro!).
quinta-feira, junho 29, 2006
Genéricos
Por môr de quem, é que um médico que passa receitas com a comparticipação do estado, pode continuar a optar por receitar medicamentos de marca; duas, três e quatro vezes mais caras do que o genérico?
Se a esmagadora maioria dos utentes, não entende muito bem o que é um genérico, já o mesmo não se passará com os responsáveis pela gestão dos dinheiros públicos que, neste caso, continuam a engordar multinacionais farmacêuticas.
Eu cá para mim, 500mg de amoxicilina, são 500mg de amoxicilina e prontos! ...Independentemente da marca que lhe quizerem pôr. ...E não me venham cá com estórias de que... ah, mas é que... e não sei quê que mais... é que a fiabilidade... e tal...
Se os genéricos estão falsificados, estamos a ser enganados e a coisa deveria de ser tornada pública de vez. Se não estão falsificados, estamos a ser enganados também!
Então, mas tá tudo parvo, há medinho de beliscar multinacionais poderosas ou, há interesses inconfessáveis?
Se a esmagadora maioria dos utentes, não entende muito bem o que é um genérico, já o mesmo não se passará com os responsáveis pela gestão dos dinheiros públicos que, neste caso, continuam a engordar multinacionais farmacêuticas.
Eu cá para mim, 500mg de amoxicilina, são 500mg de amoxicilina e prontos! ...Independentemente da marca que lhe quizerem pôr. ...E não me venham cá com estórias de que... ah, mas é que... e não sei quê que mais... é que a fiabilidade... e tal...
Se os genéricos estão falsificados, estamos a ser enganados e a coisa deveria de ser tornada pública de vez. Se não estão falsificados, estamos a ser enganados também!
Então, mas tá tudo parvo, há medinho de beliscar multinacionais poderosas ou, há interesses inconfessáveis?
quinta-feira, junho 22, 2006
Um congressista bem intencionado
Foi relutante que subiu ao palanque. De lá, muitos tinham já botado discurso, denunciado e dado corpo a problemas, lançado alertas e suspeitas, criado polémicas... e, se um ou outro não o tinha feito à toa, a maioria limitara-se a escolher algo que no momento lhe parecia errado, encontrar um pressuposto culpado, apontar as baterias, e vai de o desancar sem dó nem piedade, através de exercícios de oratória que mascaravam frustrações e alimentavam a vaidade. Alguns ainda, mais ladinos, tinham na manga objectivos e ambições inconfessáveis, pelo que utilizavam uma retórica hipócrita, procurando levar a àgua a um moinho pequenino, que tinham no umbigo.
Subia hesitante, cheio de dúvidas nos princípios e conceitos herdados, espartilhado entre correntes, teorias e doutrinas e, se por um lado pretendia cultivar a humildade, a honestidade e a verdade, por outro desconfiava que essa sua pretensão pudesse não passar de presunção e no fundo fosse apenas uma forma de ocultar impotência e mediocridade.
Daí a relutância em subir e falar o que quer que fosse, de definir objectivos, traçar planos ou estabelecer prioridades. Tudo, por medo que algo pudesse dar para o torto ou até de se ver caido em tentação e ser apanhado a partir, a repartir e a servir-se da melhor parte, escudado na comum necessidade de não ser um parvalhão e acusado de falta de arte!
Era grande a tentação de não subir, quase tão grande como a vontade de mudar a realidade em que se via mergulhado e que, o incomodava e chegava a ferir em sítios fundos que não sabia definir.
Ainda assim subia, gostava de pensar que assumia risco! Subia, sem saber que uma multidão contratada por profissionais do ramo, marcava presença e se dispunha a demonstrar um vivo interesse em ouvir e apoiar o que quer que fosse dito. ...Uns para pagar ou obter favores, outros mais simplesmente em troca de um almoçinho, de uns copos de vinho, um dinheirinho... todos, se dispunham a acenar bandeirinhas, ovacionar, entoar palavras de ordem bem colocadas por profissionais cada vez mais especializados e competentes!
Discurso feito, espalhada a esperança, haveria gente que em troca dela e por se entender dela necessitada, se encarregaria de o levar em ombros a troco de nada, bradando aos sete ventos que era ele o salvador, o herói de que todos precisavam. ...Assim ele se empolgasse e deixasse fluir boca fora o que os especialistas contratados por quem na sombra o apoiava, lhe tinham injectado nas veias, reunião após reunião, congresso após congresso, palavra por palavra, através de métodos científicos modernos, com excelentes resultados comprovados.
Subia hesitante... mas à medida que subia e ouvia a multidão orquestrada a entoar o seu nome cada vez mais alto, deixou-se invadir por uma inebriante euforia que, como que por magia o tornou determinado.
Vencidas as dúvidas, limpo o picárro com que se chama a atenção a quem cabe ouvir, lançou-se delirante e apaixonado num discurso em que se dispôs a prometer, tudo o que quem o tinha feito subir tinha programado!...
Mais tarde, quando a culpa das promessas não terem sido cumpridas lhe caíu em cima e o tapete lhe foi retirado à medida que por necessidades estratégicas um novo personagem ia sendo promovido e incitado a subir ao palanque... ficou danado! Não fosse a fatia com que à cautela - enquanto partia e repartia - tinha ficado, e tinha dado o tempo por mal empregue. Assim, tirou umas férias para reflectir e preparar o regresso na pele de um novo personagem.
Subia hesitante, cheio de dúvidas nos princípios e conceitos herdados, espartilhado entre correntes, teorias e doutrinas e, se por um lado pretendia cultivar a humildade, a honestidade e a verdade, por outro desconfiava que essa sua pretensão pudesse não passar de presunção e no fundo fosse apenas uma forma de ocultar impotência e mediocridade.
Daí a relutância em subir e falar o que quer que fosse, de definir objectivos, traçar planos ou estabelecer prioridades. Tudo, por medo que algo pudesse dar para o torto ou até de se ver caido em tentação e ser apanhado a partir, a repartir e a servir-se da melhor parte, escudado na comum necessidade de não ser um parvalhão e acusado de falta de arte!
Era grande a tentação de não subir, quase tão grande como a vontade de mudar a realidade em que se via mergulhado e que, o incomodava e chegava a ferir em sítios fundos que não sabia definir.
Ainda assim subia, gostava de pensar que assumia risco! Subia, sem saber que uma multidão contratada por profissionais do ramo, marcava presença e se dispunha a demonstrar um vivo interesse em ouvir e apoiar o que quer que fosse dito. ...Uns para pagar ou obter favores, outros mais simplesmente em troca de um almoçinho, de uns copos de vinho, um dinheirinho... todos, se dispunham a acenar bandeirinhas, ovacionar, entoar palavras de ordem bem colocadas por profissionais cada vez mais especializados e competentes!
Discurso feito, espalhada a esperança, haveria gente que em troca dela e por se entender dela necessitada, se encarregaria de o levar em ombros a troco de nada, bradando aos sete ventos que era ele o salvador, o herói de que todos precisavam. ...Assim ele se empolgasse e deixasse fluir boca fora o que os especialistas contratados por quem na sombra o apoiava, lhe tinham injectado nas veias, reunião após reunião, congresso após congresso, palavra por palavra, através de métodos científicos modernos, com excelentes resultados comprovados.
Subia hesitante... mas à medida que subia e ouvia a multidão orquestrada a entoar o seu nome cada vez mais alto, deixou-se invadir por uma inebriante euforia que, como que por magia o tornou determinado.
Vencidas as dúvidas, limpo o picárro com que se chama a atenção a quem cabe ouvir, lançou-se delirante e apaixonado num discurso em que se dispôs a prometer, tudo o que quem o tinha feito subir tinha programado!...
Mais tarde, quando a culpa das promessas não terem sido cumpridas lhe caíu em cima e o tapete lhe foi retirado à medida que por necessidades estratégicas um novo personagem ia sendo promovido e incitado a subir ao palanque... ficou danado! Não fosse a fatia com que à cautela - enquanto partia e repartia - tinha ficado, e tinha dado o tempo por mal empregue. Assim, tirou umas férias para reflectir e preparar o regresso na pele de um novo personagem.
sábado, junho 17, 2006
Um peito cheio de vazio 6
Depois de tudo isto organizado, dividido o mundo em maus e bons para facilitar, pôde finalmente a elite do topo, começar a usufruir de algum lazer e, no entrementes , dedicar-se a sofisticar os meios de controlo para que tudo continuasse da melhor forma com um esforço cada vez menor.
Inventaram a muralha, a fronteira, o imposto, a moeda, o cunho, a multa e a pena, o pecado a confissão e a absolvição, da moca evoluiram para o canhão, para o agente de informação, o especialista em especulação, o cobrador de fraque... enfim, uma revolução que, se convenceram e apregoaram, de muito prática e de grande utilidade.
Entretanto, desse subgrupo da maioria - essa minoria tresloucada de que foram recrutados os soldados, os fiscais, os representantes legais e todos os outros que por terem na mira poleiros em lugares destacados, se tornaram capazes de seguir códigos e condutas de fazer arrepiar -, sobrou uma gente que se revelou impossível de ser seduzida, por melhores que fossem as promessas ou mais brilhantes os mundos e fundos apregoados! Avessos a este progresso, recusaram as condições de acesso e, não só não aceitaram licenças para cobrar impostos, como se recusaram a pagá-los! Diziam-se capazes de enfrentar o medo, teimavam em andar em bolandas em busca de melhor forma de vida e, não contentes com isso, insistiam em defender a maioria a que diziam pertencer, sem se importarem se ela queria ou não ser defendida. Afirmavam que era ingénua, e que, por ter vindo a ser embalada com canções do bandido e hipnotizada com néons de todas as cores... representava um perigo e não se encontrava capaz de decidir o que quer que fosse!
Teimosos, em vez de uma vida estável e tranquila, do usufruto de uma ração de subsistência que, embora pequena, lhes poderia vir parar à mão em troca de cooperação, esta gente renitente em aceitar as facilidades oferecidas, insistia na busca de melhor sorte, saltava cercas, fronteiras e muros que delimitavam zonas interditas com que não se conformavam, e arriscavam ser apanhados em finas teias fabricadas pelos próprios familiares e amigos, pelos compadres e, claro, por gente sem rosto... mandatários e mandados, carrascos e vítimas... uns e outros, movidos por medo e ambição.
Nessas jornadas atribuladas, nesses caminhos desconhecidos em que deambulavam para manterem a rédia larga, não raro, davam por si em zonas francas, bem para lá do que a vista alcançava (uma espécie de off shores desse tempo..), e ficavam embascacados com a facilidade com que se conseguia lá operar e retirar uma boa mais valia, pactuando com essa espécie de regime, esse submundo, que sem dúvida existia, sob um manto nebulosos de estranhas regras inventadas por quem tinha a faca e o queijo na mão e, como é bom de ver... interesse nisso! Mas, a maior parte das vezes, no dobrar de cada esquina, a coisa fiava fino e viam-se obrigados a botar sebo nas canelas e a largarem-se a bom correr. Faziam-se à travessia de desertos ou lançavam-se silvados adentro, sem escolher para onde iam e sem ligar aos estragos que essas fugidas lhes causavam na farpela, porque assim não sendo, o mais certo... era verem-se metidos num circo em que, enjaulados e amestrados à força de fome e chicote, pudessem servir de exemplo!... Seja lá pelo que fosse, há muito que ninguém lhes põe a vista em cima e, se uns acham que eles estão extintos, outros, preferem especular sobre embuçados e seitas secretas que se movem nas sombras em busca de iluminados.
Continua.
Inventaram a muralha, a fronteira, o imposto, a moeda, o cunho, a multa e a pena, o pecado a confissão e a absolvição, da moca evoluiram para o canhão, para o agente de informação, o especialista em especulação, o cobrador de fraque... enfim, uma revolução que, se convenceram e apregoaram, de muito prática e de grande utilidade.
Entretanto, desse subgrupo da maioria - essa minoria tresloucada de que foram recrutados os soldados, os fiscais, os representantes legais e todos os outros que por terem na mira poleiros em lugares destacados, se tornaram capazes de seguir códigos e condutas de fazer arrepiar -, sobrou uma gente que se revelou impossível de ser seduzida, por melhores que fossem as promessas ou mais brilhantes os mundos e fundos apregoados! Avessos a este progresso, recusaram as condições de acesso e, não só não aceitaram licenças para cobrar impostos, como se recusaram a pagá-los! Diziam-se capazes de enfrentar o medo, teimavam em andar em bolandas em busca de melhor forma de vida e, não contentes com isso, insistiam em defender a maioria a que diziam pertencer, sem se importarem se ela queria ou não ser defendida. Afirmavam que era ingénua, e que, por ter vindo a ser embalada com canções do bandido e hipnotizada com néons de todas as cores... representava um perigo e não se encontrava capaz de decidir o que quer que fosse!
Teimosos, em vez de uma vida estável e tranquila, do usufruto de uma ração de subsistência que, embora pequena, lhes poderia vir parar à mão em troca de cooperação, esta gente renitente em aceitar as facilidades oferecidas, insistia na busca de melhor sorte, saltava cercas, fronteiras e muros que delimitavam zonas interditas com que não se conformavam, e arriscavam ser apanhados em finas teias fabricadas pelos próprios familiares e amigos, pelos compadres e, claro, por gente sem rosto... mandatários e mandados, carrascos e vítimas... uns e outros, movidos por medo e ambição.
Nessas jornadas atribuladas, nesses caminhos desconhecidos em que deambulavam para manterem a rédia larga, não raro, davam por si em zonas francas, bem para lá do que a vista alcançava (uma espécie de off shores desse tempo..), e ficavam embascacados com a facilidade com que se conseguia lá operar e retirar uma boa mais valia, pactuando com essa espécie de regime, esse submundo, que sem dúvida existia, sob um manto nebulosos de estranhas regras inventadas por quem tinha a faca e o queijo na mão e, como é bom de ver... interesse nisso! Mas, a maior parte das vezes, no dobrar de cada esquina, a coisa fiava fino e viam-se obrigados a botar sebo nas canelas e a largarem-se a bom correr. Faziam-se à travessia de desertos ou lançavam-se silvados adentro, sem escolher para onde iam e sem ligar aos estragos que essas fugidas lhes causavam na farpela, porque assim não sendo, o mais certo... era verem-se metidos num circo em que, enjaulados e amestrados à força de fome e chicote, pudessem servir de exemplo!... Seja lá pelo que fosse, há muito que ninguém lhes põe a vista em cima e, se uns acham que eles estão extintos, outros, preferem especular sobre embuçados e seitas secretas que se movem nas sombras em busca de iluminados.
Continua.
domingo, junho 11, 2006
Um peito cheio de vazio 5
Para levarem a cabo a coisa, quer dizer... para se manterem no topo, apoiaram-se precisamente nos que a fome e as carências tinham tornado menos escrupulosos, mais afoitos e perigosos, e que, por isso, eram a razão daquele incómodo constante.
Chamaram-nos à parte e, com um discurso demagógico aveludado, encheram-lhes os ouvidos de metáforas que falavam de sapos transformados em príncipes, gatas borralheiras escanzeladas preferidas a princesas ricas e roliças, taludas desencantadas no desespero das bolsas necessitadas, camelos a passar pelo buraco de uma agulha, nuvens fofinas cheias de virgens... e, com promessas quixotescas da entrega de reinos distantes para todo o sempre, ofereceram-lhes formação no manejo da moca, entregaram-lhes fardas e, em troca de total e incondicional dedicação às causas intrínsecas, garantiram-lhes uma ração diària reforçada, com sobras da primeira escolha. Em seguida, numa cerimónia bem composta, pensada ao promenor para exarcebar o orgulho e alimentar a vaidade, investiram-nos em postos de prestígio garantido, entregaram-lhes couraças, distribuiram medalhas, fizeram deles guardas, descobridores especializados na busca do que açambarcar, guerreiros e conquistadores que entravam a matar para tomar posse, vendedores de golinhos de àgua a preço de ouro nos desertos, e, aos mais fuinhas, transformaram-nos em fiscais, com a missão de apresentarem relatórios detalhados sobre o desempenho dos outros!
Aos mais ladinos, acharam por bem mantê-los ocupados no fio da navalha, na linha da frente, em duras missões de alto risco que, de tal modo exigiam acção e total concentração, que não permitiam pensar e por isso arquitectar o que quer que fosse...
Todos (de primeira, de segunda, ou rasos), recebiam a ração, conforme a prestação.
...Prestada a vassalagem, tornadas inquestionáveis as ordens superiores que os libertavam da culpa das barbaridades que iam cometendo, recebida a garantia de mundos e fundos, de vantagens transcendentes em acções e combates que se dispuseram a levar a cabo contra quem e onde quer que fosse, tomou forma uma classe, disposta a avançar conduzida e sem pensar, num nunca mais acabar de conquistas, quais fiéis em guerras santas com os olhos postos nos saques.
Investidos nesses cargos, passaram a construir a realidade com todo o à-vontade e, com base na crença adoptada de que "o mal", era com certeza o resultado da obra do Diabo,
enjeitavam qualquer responsabilidade no que pudesse dar para o torto! Ainda assim, se a coisa não lhes corresse de feição, tinham como recurso, uma série de rituais para utilizar segundo as necessidades e, orientados por especialistas, podiam sempre aceder a um Deus supremo e pedir para interceder e colocar as coisas, no lugar!
Em troca de um sacrifício, feita que fosse uma promessa, entoada cabeça baixa uma ladainha... era esperada com certeza, boa sorte para levar a cabo um massacre, com a mesma naturalidade com que se rogava o fim de uma tempestade, de uma doença maléfica ou de uma fase de má sorte!...
A maioria, aquela gente que de tal modo obsecada em se "safar", nunca enjeitou estar de bem com Deus e Com o Diabo, aquela multidão que como um rebanho em busca de erva tenra e fresca, passa a rapar sem parar ou pensar e, que sem saber porquê acredita não ter nada a ver com nada e gosta de balir... aderiu, muito bem a este estado de coisas.
Sumissa, no encalço de benefícios, aceitou cada ultraje, cada pedaço de sofrimento, cada violação ao recôndito mais casto da alma... e, era vê-la, a trocar sacrifícios por mais valias, confissões por perdões, acções por intensões...
Aderiram, também, não fosse serem confundidos com inimigos e, entendidos como infiéis, encostados à parede e varados lado a lado sem piedade.
Continua
Chamaram-nos à parte e, com um discurso demagógico aveludado, encheram-lhes os ouvidos de metáforas que falavam de sapos transformados em príncipes, gatas borralheiras escanzeladas preferidas a princesas ricas e roliças, taludas desencantadas no desespero das bolsas necessitadas, camelos a passar pelo buraco de uma agulha, nuvens fofinas cheias de virgens... e, com promessas quixotescas da entrega de reinos distantes para todo o sempre, ofereceram-lhes formação no manejo da moca, entregaram-lhes fardas e, em troca de total e incondicional dedicação às causas intrínsecas, garantiram-lhes uma ração diària reforçada, com sobras da primeira escolha. Em seguida, numa cerimónia bem composta, pensada ao promenor para exarcebar o orgulho e alimentar a vaidade, investiram-nos em postos de prestígio garantido, entregaram-lhes couraças, distribuiram medalhas, fizeram deles guardas, descobridores especializados na busca do que açambarcar, guerreiros e conquistadores que entravam a matar para tomar posse, vendedores de golinhos de àgua a preço de ouro nos desertos, e, aos mais fuinhas, transformaram-nos em fiscais, com a missão de apresentarem relatórios detalhados sobre o desempenho dos outros!
Aos mais ladinos, acharam por bem mantê-los ocupados no fio da navalha, na linha da frente, em duras missões de alto risco que, de tal modo exigiam acção e total concentração, que não permitiam pensar e por isso arquitectar o que quer que fosse...
Todos (de primeira, de segunda, ou rasos), recebiam a ração, conforme a prestação.
...Prestada a vassalagem, tornadas inquestionáveis as ordens superiores que os libertavam da culpa das barbaridades que iam cometendo, recebida a garantia de mundos e fundos, de vantagens transcendentes em acções e combates que se dispuseram a levar a cabo contra quem e onde quer que fosse, tomou forma uma classe, disposta a avançar conduzida e sem pensar, num nunca mais acabar de conquistas, quais fiéis em guerras santas com os olhos postos nos saques.
Investidos nesses cargos, passaram a construir a realidade com todo o à-vontade e, com base na crença adoptada de que "o mal", era com certeza o resultado da obra do Diabo,
enjeitavam qualquer responsabilidade no que pudesse dar para o torto! Ainda assim, se a coisa não lhes corresse de feição, tinham como recurso, uma série de rituais para utilizar segundo as necessidades e, orientados por especialistas, podiam sempre aceder a um Deus supremo e pedir para interceder e colocar as coisas, no lugar!
Em troca de um sacrifício, feita que fosse uma promessa, entoada cabeça baixa uma ladainha... era esperada com certeza, boa sorte para levar a cabo um massacre, com a mesma naturalidade com que se rogava o fim de uma tempestade, de uma doença maléfica ou de uma fase de má sorte!...
A maioria, aquela gente que de tal modo obsecada em se "safar", nunca enjeitou estar de bem com Deus e Com o Diabo, aquela multidão que como um rebanho em busca de erva tenra e fresca, passa a rapar sem parar ou pensar e, que sem saber porquê acredita não ter nada a ver com nada e gosta de balir... aderiu, muito bem a este estado de coisas.
Sumissa, no encalço de benefícios, aceitou cada ultraje, cada pedaço de sofrimento, cada violação ao recôndito mais casto da alma... e, era vê-la, a trocar sacrifícios por mais valias, confissões por perdões, acções por intensões...
Aderiram, também, não fosse serem confundidos com inimigos e, entendidos como infiéis, encostados à parede e varados lado a lado sem piedade.
Continua
quinta-feira, junho 08, 2006
Um peito cheio de vazio 4
Temos por isso que, enquanto uns poucos contestavam, penetravam em feudos de onde às escondidas sacavam o que podiam, e que para além disso ainda aliciavam a maioria para se lhes juntar, por outro lado, essa maioria que confundia a humildade com a subserviência e que, pela sua natureza se dispunha a fazer o que lhe parecia o melhor para sobreviver e se contentava em usufruir das sobras, sentia-se realizada em sonhar com castelos no ar e aceitava perfeitamente, que muito mais vale um pássaro na mão que dois a voar!
...Por ter ouvido, chegou até a acreditar e a passar de boca em boca, que quanto maior for a miséria em que se viva, maior será a felicidade durante a eternidade! ...Por qualquer razão, talvez em jeito de compensação, isso parecia fazer-lhes sentido!...
Os chefes, se bem que no geral se sentissem regozijados com os resultados conseguidos pelos métodos utilizados - o levantar da moca, o desferir a pancada, o gritar e assustar para gerar medo e enxotar, o cultivar o segredo, o adensar o mistério... -, não se conformavam com a trabalheira a que se viam obrigados, para continuar a conquistar e a manter, o poder em mão fechada! Frustrados, por não se poderem entregar totalmente à parte doce da vida, saturados da necessidade constante de olhar por cima do ombro para proteger a retaguarda, talvez até... ressentidos, feridos no orgulho por derrotas sofridas e saques desabridos levados a cabo por esses revoltados pobres e mal agradecidos... resolveram fazer-lhes face, com uma tàctica inovadora : engendraram uma hierarquia, puseram-se no topo, e distribuiram lugares privilegiados pirâmide a baixo. Os de cima mandavam nos outros, e os mais baixos de todos, que não mandavam em nada e suportavam toda a estrutura, cumpriam o que lhes era ordenado com a garantia de tudo ter já sido, muito bem pensado. E isto, veio a revelar-se um enorme sucesso.
Continua.
...Por ter ouvido, chegou até a acreditar e a passar de boca em boca, que quanto maior for a miséria em que se viva, maior será a felicidade durante a eternidade! ...Por qualquer razão, talvez em jeito de compensação, isso parecia fazer-lhes sentido!...
Os chefes, se bem que no geral se sentissem regozijados com os resultados conseguidos pelos métodos utilizados - o levantar da moca, o desferir a pancada, o gritar e assustar para gerar medo e enxotar, o cultivar o segredo, o adensar o mistério... -, não se conformavam com a trabalheira a que se viam obrigados, para continuar a conquistar e a manter, o poder em mão fechada! Frustrados, por não se poderem entregar totalmente à parte doce da vida, saturados da necessidade constante de olhar por cima do ombro para proteger a retaguarda, talvez até... ressentidos, feridos no orgulho por derrotas sofridas e saques desabridos levados a cabo por esses revoltados pobres e mal agradecidos... resolveram fazer-lhes face, com uma tàctica inovadora : engendraram uma hierarquia, puseram-se no topo, e distribuiram lugares privilegiados pirâmide a baixo. Os de cima mandavam nos outros, e os mais baixos de todos, que não mandavam em nada e suportavam toda a estrutura, cumpriam o que lhes era ordenado com a garantia de tudo ter já sido, muito bem pensado. E isto, veio a revelar-se um enorme sucesso.
Continua.
sábado, junho 03, 2006
...dasssssse!
O Mundo visto de uma perspectiva, está dividido em dois lugares. Num, parece fazer sentido a lipoaspiração, as cápsulas para queimar calorias, os inibidores de apetite...
No outro, a vida esvai-se por falta de um pouco de água, de um simples prato de farinha...
Talvez por isso, no primeiro, se consumam tantos antidepressivos, ansiolíticos e drogas... para não sentir mal estar, bem dispôr e fazer rir!...
No outro, a vida esvai-se por falta de um pouco de água, de um simples prato de farinha...
Talvez por isso, no primeiro, se consumam tantos antidepressivos, ansiolíticos e drogas... para não sentir mal estar, bem dispôr e fazer rir!...
domingo, maio 28, 2006
A conspiradora
Estava eu a cogitar sobre os meus problemas, com a agenda carregada para o fim de semana, tentando conciliar uma sardinhada com uma mariscada, ralado com a mancha de humidade do canto da sala da casa da cidade, preocupado com a outra mancha que me dizem ser da idade, com a falta de tempo para ir ver todos os filmes que me dizem ser "a não perder", e assistir a europeus, concertos e mundiais... perturbado com umas prestações do jeep em atraso... enfim, uma carrada de problemas... e, quando dei conta, estava numa pilha! Num stress que só visto!... Vai daí, o que é que eu pensei? ...Bom, a coisa está preta... e disse para comigo: Zé Manel, tens de relaxar!...
Ora, uma coisa que me relaxa, é sentar-me um bocadinho em frente ao computador e entreter-me a visitar blogs, ler comentários divertidos que plantam uns nos outros para ganhar amigos, ver as picardias e assim... quando, dou por mim no blog de uma besta (que não tem outro nome!), que, em vez de divertir... não senhor!... Pespega-me com um post que nos remete para um video qualquer (sabe-se lá feito por quem e com que intenção...), sobre o Sudão... e não sei quê... que andam para lá uns dois milhões ao Deus dará, amontoados em campos de refugiados de arrepiar e não sei quê... no meio de dejectos e em que se queimam vivas crianças amontoadas e tal... e que as vítimas são violadas por quadrilhas endoidecidas... e que isto e mais aquilo... e que não se fala mais disso porque o Sudão não interessa a ninguèm (pelo menos para esta doida, parece ter algum interesse!!!...), e pátáti e pátátá... porque se o Sudão tivesse petróleo já os Amaricanos lá estavam a salvar aquela gente.... e que a Condoleza isto... e o Bush aquilo... e que a comunidade internacional é um bando de hipócritas... e que as agências de notícias já não são de informação, e que estão na mão de não sei quem e que só divulgam o que não sei quem quer... e que a ONU está na mão de uma Amaricana... e que o Sudão isto... e que o Iraque assim e o Irão assado, e que o Afeganistão isto... e mais os Amaricanos...
...Olhem... um chorrilho de disparates, um fanatismo alucinado, suportado por imagens que, só podem ser montadas!...
...Se aquilo fosse verdade, era notícia de abertura em todos os telejornais do Mundo! Capa de jornais e revistas e, na rádio, não se falava em mais nada enquanto a coisa não estivesse resolvida! O Sudão, à imagem do Iraque e do Afeganistão, estaria com certeza, cheia de capacetes azuis, forças de segurança Amaricanas para restabelecer a ordem, e nós, claro, já para lá tinhamos mandado forças especiais! ...É, ou não é?!
...Com que direito é que esta besta (que não tem outro nome!), vem poluir este espaço em que a pessoa se pode relaxar e entreter, plantar comentários divertidos em busca de admiradores e amigos, partilhar imagens de quedas e acidentes hilariantes, curiosidades e piadas picantes... e, acima de tudo, rir a bom rir?!
Acaso esta besta (que não tem outro nome!), que anda para aí a perturbar quem tem a vidinha montada e tem de se preocupar com os seus próprios problemas... acaso sabe, que rir dá saúde e que as ralações, nos fazem aparecer rugas e tiram anos de vida?!
Que tem lá ela a ver com o Sudão?! Onde raio é lá isso?! Que direito é que ela tem, de se meter lá nos assuntos deles?! Acaso é ela Amaricana ou da familia do Sudão?! Hum?!...
Se ela se importa tanto com a miséria, porque não vai ao Rock in Rio em Lisboa, e mata dois coelhos com uma só cajadada?
...Agora, por causa daquela tarada, daquela besta (que não tem outro nome!),estou aqui que nem me tenho, com uma sensação estranha, com um nó na garganta que não sei explicar e mesmo sabendo, que tudo aquilo é uma treta de mau gosto, vou ter de tomar um antidepressivo e dois ansiolíticos, senão, não arranjo disposição para ir comer a mariscada e aguentar dar um saltinho à sardinhada!...
Por via das dúvidas, e para que não caiam nas ratoeiras que só pretendem plantar-vos na alma, traiçoeiras sementes de indignação, sinto-me obrigado a vos mostrar, como esta gente actua para perturbar a paz e o bom viver! Ide... ide ver, aqui. Mas não vos esqueceis... dai de fuga quanto antes para não virem a sentir sensações estranhas para as quais não há explicação e que só passam com comprimidos que só se vendem com receita médica (ou talvez não!)!
Ora, uma coisa que me relaxa, é sentar-me um bocadinho em frente ao computador e entreter-me a visitar blogs, ler comentários divertidos que plantam uns nos outros para ganhar amigos, ver as picardias e assim... quando, dou por mim no blog de uma besta (que não tem outro nome!), que, em vez de divertir... não senhor!... Pespega-me com um post que nos remete para um video qualquer (sabe-se lá feito por quem e com que intenção...), sobre o Sudão... e não sei quê... que andam para lá uns dois milhões ao Deus dará, amontoados em campos de refugiados de arrepiar e não sei quê... no meio de dejectos e em que se queimam vivas crianças amontoadas e tal... e que as vítimas são violadas por quadrilhas endoidecidas... e que isto e mais aquilo... e que não se fala mais disso porque o Sudão não interessa a ninguèm (pelo menos para esta doida, parece ter algum interesse!!!...), e pátáti e pátátá... porque se o Sudão tivesse petróleo já os Amaricanos lá estavam a salvar aquela gente.... e que a Condoleza isto... e o Bush aquilo... e que a comunidade internacional é um bando de hipócritas... e que as agências de notícias já não são de informação, e que estão na mão de não sei quem e que só divulgam o que não sei quem quer... e que a ONU está na mão de uma Amaricana... e que o Sudão isto... e que o Iraque assim e o Irão assado, e que o Afeganistão isto... e mais os Amaricanos...
...Olhem... um chorrilho de disparates, um fanatismo alucinado, suportado por imagens que, só podem ser montadas!...
...Se aquilo fosse verdade, era notícia de abertura em todos os telejornais do Mundo! Capa de jornais e revistas e, na rádio, não se falava em mais nada enquanto a coisa não estivesse resolvida! O Sudão, à imagem do Iraque e do Afeganistão, estaria com certeza, cheia de capacetes azuis, forças de segurança Amaricanas para restabelecer a ordem, e nós, claro, já para lá tinhamos mandado forças especiais! ...É, ou não é?!
...Com que direito é que esta besta (que não tem outro nome!), vem poluir este espaço em que a pessoa se pode relaxar e entreter, plantar comentários divertidos em busca de admiradores e amigos, partilhar imagens de quedas e acidentes hilariantes, curiosidades e piadas picantes... e, acima de tudo, rir a bom rir?!
Acaso esta besta (que não tem outro nome!), que anda para aí a perturbar quem tem a vidinha montada e tem de se preocupar com os seus próprios problemas... acaso sabe, que rir dá saúde e que as ralações, nos fazem aparecer rugas e tiram anos de vida?!
Que tem lá ela a ver com o Sudão?! Onde raio é lá isso?! Que direito é que ela tem, de se meter lá nos assuntos deles?! Acaso é ela Amaricana ou da familia do Sudão?! Hum?!...
Se ela se importa tanto com a miséria, porque não vai ao Rock in Rio em Lisboa, e mata dois coelhos com uma só cajadada?
...Agora, por causa daquela tarada, daquela besta (que não tem outro nome!),estou aqui que nem me tenho, com uma sensação estranha, com um nó na garganta que não sei explicar e mesmo sabendo, que tudo aquilo é uma treta de mau gosto, vou ter de tomar um antidepressivo e dois ansiolíticos, senão, não arranjo disposição para ir comer a mariscada e aguentar dar um saltinho à sardinhada!...
Por via das dúvidas, e para que não caiam nas ratoeiras que só pretendem plantar-vos na alma, traiçoeiras sementes de indignação, sinto-me obrigado a vos mostrar, como esta gente actua para perturbar a paz e o bom viver! Ide... ide ver, aqui. Mas não vos esqueceis... dai de fuga quanto antes para não virem a sentir sensações estranhas para as quais não há explicação e que só passam com comprimidos que só se vendem com receita médica (ou talvez não!)!
quinta-feira, maio 25, 2006
Um homem de sucesso
Homem de família, católico mais ou menos praticante, adepto comedido mas sofredor q.b. de um clube dos maiores, chegara a casa com a sensação do dever cumprido. Como quem limpa o cú a meninos, tinha vendido mais um carrinho. Um veículo com dez anos como novo, pertencente a uma velhinha. Negócio limpo, tinha dado para por a conta a positivo, pagar a prestação em atraso do andar, encher o peito de ar e levar a amante a comer uma mariscada! ...Num toma lá dá cá, tinha safado a vidinha e fodido mais um amigo!...
segunda-feira, maio 22, 2006
Um peito cheio de vazio 3
Orgulhosos das façanhas que foram descobrindo serem capazes, ganharam confiança, emergiram, e tornaram-se chefes de uma tribo despojada que, cada vez mais raquítica de sedenta e esfomeada, se agrupou à distancia que o medo lhes permitiu e, aceitou resignada ter sido arredada do que sempre julgara pertencer a toda a gente.
Ainda hoje não se sabe, se foi a necessidade, a cobardia ou a estupidez, que fez esta tribo desenvolver a arte de adular, respeitar e admirar quem a pisa e subjuga!...
Ainda hoje há quem pergunte, que raio se terá passado, para que tenha vindo a aceitar levar no lombo, e aguardar pacatamente cheia de esperança, uma oportunidade para enganar as tripas, com as parcas sobras lançadas do topo...
À medida que as fortunas foram crescendo, a miséria foi graçando. ...No seio dos espoliados, despontaram pequenos grupos de gente revoltada, alucinados pelas carências, autenticos focos infecciosos que irritavam, debilitavam o sistema e se recusavam a prestar vassalagem. ...Insistindo não terem nada a perder, dispunham-se constantemente a avançar, em mais ou menos tímidas pilhagens, aceitando o risco de ver rachada a cabeça como um preço a pagar, por uma vida mais airada!
Ora... isto, exigia à gente do topo (que punha e dispunha e que sem pejo se servia do que havia conforme entendia...), um alerta constante!...
Viram-se forçados, a instituir rondas diligentes com a moca ao ombro para impressionar e dissuadir, para mandar abaixo e quiçá até, destruir, quem, lhe viesse à ideia sair da linha e desafiar o destino.
Não raro porém, um ou outro membro desta elíte - menos hábil no manejo da moca, ou mais molengo de tão cheio dos banquetes -, foi botado abaixo à mão, por um destes grupos de famintos desvairados que, para além de procurarem por todos os meios, evitar andar a mando dos que chamavam de brutos, ainda incitavam os compadres a se lhes juntarem e, a fazerem também sua aquela luta que, claro, achavam justa, tendo em conta a posição em que se encontravam e de onde olhando, viam: uns, fartos com demasiado, e os outros, que de tão vazios e carentes, nem conseguiam digerir o que se lhes dava!...
Segue, Um peito cheio de vazio 4.
Ainda hoje não se sabe, se foi a necessidade, a cobardia ou a estupidez, que fez esta tribo desenvolver a arte de adular, respeitar e admirar quem a pisa e subjuga!...
Ainda hoje há quem pergunte, que raio se terá passado, para que tenha vindo a aceitar levar no lombo, e aguardar pacatamente cheia de esperança, uma oportunidade para enganar as tripas, com as parcas sobras lançadas do topo...
À medida que as fortunas foram crescendo, a miséria foi graçando. ...No seio dos espoliados, despontaram pequenos grupos de gente revoltada, alucinados pelas carências, autenticos focos infecciosos que irritavam, debilitavam o sistema e se recusavam a prestar vassalagem. ...Insistindo não terem nada a perder, dispunham-se constantemente a avançar, em mais ou menos tímidas pilhagens, aceitando o risco de ver rachada a cabeça como um preço a pagar, por uma vida mais airada!
Ora... isto, exigia à gente do topo (que punha e dispunha e que sem pejo se servia do que havia conforme entendia...), um alerta constante!...
Viram-se forçados, a instituir rondas diligentes com a moca ao ombro para impressionar e dissuadir, para mandar abaixo e quiçá até, destruir, quem, lhe viesse à ideia sair da linha e desafiar o destino.
Não raro porém, um ou outro membro desta elíte - menos hábil no manejo da moca, ou mais molengo de tão cheio dos banquetes -, foi botado abaixo à mão, por um destes grupos de famintos desvairados que, para além de procurarem por todos os meios, evitar andar a mando dos que chamavam de brutos, ainda incitavam os compadres a se lhes juntarem e, a fazerem também sua aquela luta que, claro, achavam justa, tendo em conta a posição em que se encontravam e de onde olhando, viam: uns, fartos com demasiado, e os outros, que de tão vazios e carentes, nem conseguiam digerir o que se lhes dava!...
Segue, Um peito cheio de vazio 4.
sábado, maio 13, 2006
Quinto Império
Foram tantas as guerras, os desatinos... tantos os dramas e momentos de dor... que acabaram por se render à evidência da urgência de descobrir caminhos e entender, melhor, o amor!...
Para trás, ficaram confrontos, desencantos, cantos e ilhas, mal entendidos nascidos de histórias mal contadas, equívocos e ressentimentos... cujo significado, de tão puído, se esfumara.
Parecido perdido o tempo... tinham ganho! ...Sobrevivido a batalhas que, se às tantas perderam o sentido, não deixaram de o ter tido.
Investido o que sobrara no afecto, no querer ver a todo o custo o "outro" bem... no projecto que, de tão distante da matéria só a alma o formava... viram crescer uma razão para a vida que os animava e, se numa ou outra encruzilhada se sentiram pobres e perdidos, olhos nos olhos... mãos nas mãos dadas... se descobriram enriquecidos.
Para trás, ficaram confrontos, desencantos, cantos e ilhas, mal entendidos nascidos de histórias mal contadas, equívocos e ressentimentos... cujo significado, de tão puído, se esfumara.
Parecido perdido o tempo... tinham ganho! ...Sobrevivido a batalhas que, se às tantas perderam o sentido, não deixaram de o ter tido.
Investido o que sobrara no afecto, no querer ver a todo o custo o "outro" bem... no projecto que, de tão distante da matéria só a alma o formava... viram crescer uma razão para a vida que os animava e, se numa ou outra encruzilhada se sentiram pobres e perdidos, olhos nos olhos... mãos nas mãos dadas... se descobriram enriquecidos.
terça-feira, maio 09, 2006
Um peito cheio de vazio 2
Tudo terá começado, no preciso momento em que um antepassado longínquo descobriu (dizem uns que por mero acaso, outros que, por desígnios transcendentes), a arte de rachar cabeças com uma simples moca. Essa descoberta, parece ter sido extraordinária!... Surpreendentemente, uma mocada bem aplicada, não só acabava em menos de nada com uma rixa, disputa ou teimosia, como tornava possível a quem desferia a pancada, estabelecer objectivos e fazer cumprir regras, sem mais, nem quês!
Boquiabertos, os membros do pequeno grupo em que a descoberta aconteceu, cedo verificaram a facilidade com que podiam chegar, impôr a presença e até expulsar os outros, dos locais de abundância. E isso, que para além do mais lhes permitiu confortar o estomago a seu belo prazer, como é bom de ver, tornou-os mais fortes e robustos.
Libertos da fome, constataram com agrado terem vindo a ficar com o peito mais cheio, os ossos mais compactos e, um crâneo em que sobressaia uma fronte mais alta e larga, parecia confirmar a superioridade dessa espácie de raça que, dominante, entendia merecer sem favor cada conquista, e via a ambição crescer desmesurada, como um dever.
Boquiabertos, os membros do pequeno grupo em que a descoberta aconteceu, cedo verificaram a facilidade com que podiam chegar, impôr a presença e até expulsar os outros, dos locais de abundância. E isso, que para além do mais lhes permitiu confortar o estomago a seu belo prazer, como é bom de ver, tornou-os mais fortes e robustos.
Libertos da fome, constataram com agrado terem vindo a ficar com o peito mais cheio, os ossos mais compactos e, um crâneo em que sobressaia uma fronte mais alta e larga, parecia confirmar a superioridade dessa espácie de raça que, dominante, entendia merecer sem favor cada conquista, e via a ambição crescer desmesurada, como um dever.
quarta-feira, maio 03, 2006
Mea culpa
Num dos poucos momentos que tenho tido livres para bloggar, fui, de blog em blog, dar a um post do Alien's Corner que, alertava para o facto de que quem tem um blog, tem um mínimo de obrigação de o actualizar! A razão principal que me fez cair em mim e dar a torcer o braço, é que, quem nos visita e não é avisado da nossa indisponibilidade para blogar, anda a clicar em vão... sem necessidade!... Muito mais valia avisar da interrupção, com ou sem explicação! Coisa simples esta! Mas, confesso, nunca tinha olhado para a coisa por esse lado! Por isso, peço desculpas.
...Já agora, vou contar a história de um homem, com o peito cheio de vazio:
Uns diziam que ele nascera em berço de ouro, outros, que fora com o rabo virado para a lua!
Fosse como fosse, o certo é que crescera feito senhor de propriedades, capacidades e saberes superiores e que, sem saber como, se encontrou servo de um Deus herdado que, se bem que não entendesse ou sequer lhe servisse para reflectir sobre a sua essência, ainda assim lhe chegava para acreditar ter sido O escolhido e nessa condição ter nascido, com o destino traçado, protegido, em qualquer sentido e a toda a hora inspirado, por forma a cumprir a senda que, no seu magnânimo entender era a razão da sua vida; conduzir a populaça, mantê-la mansa e ordenada.
Com base numa crença antiga, numa cantiga que fala de filhos legítimos e de bastardos, assumia ser o justo herdeiro dos tesouros conseguidos pelos seus antepassados; bárbaros guerreiros, macumbeiros, poderosos feiticeiros, ilusionistas, gente... que recorrendo a artes e maroscas, foi saindo dos terrenos pantanosos e, avançando trevas fora, lhe tornava agora possível feitos, voltas e truques, que deixavam de olhos tortos quem o fixava, e deixavam para trás quem o quizesse acompanhar!...
Segue, "Um peito cheio de vazio" 2.
...Já agora, vou contar a história de um homem, com o peito cheio de vazio:
Uns diziam que ele nascera em berço de ouro, outros, que fora com o rabo virado para a lua!
Fosse como fosse, o certo é que crescera feito senhor de propriedades, capacidades e saberes superiores e que, sem saber como, se encontrou servo de um Deus herdado que, se bem que não entendesse ou sequer lhe servisse para reflectir sobre a sua essência, ainda assim lhe chegava para acreditar ter sido O escolhido e nessa condição ter nascido, com o destino traçado, protegido, em qualquer sentido e a toda a hora inspirado, por forma a cumprir a senda que, no seu magnânimo entender era a razão da sua vida; conduzir a populaça, mantê-la mansa e ordenada.
Com base numa crença antiga, numa cantiga que fala de filhos legítimos e de bastardos, assumia ser o justo herdeiro dos tesouros conseguidos pelos seus antepassados; bárbaros guerreiros, macumbeiros, poderosos feiticeiros, ilusionistas, gente... que recorrendo a artes e maroscas, foi saindo dos terrenos pantanosos e, avançando trevas fora, lhe tornava agora possível feitos, voltas e truques, que deixavam de olhos tortos quem o fixava, e deixavam para trás quem o quizesse acompanhar!...
Segue, "Um peito cheio de vazio" 2.
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