domingo, junho 12, 2005

Abanão

GNR trava onda em Quarteira
Um numeroso grupo oriundo de bairros degradados de Lisboa, lançou ontem o pânico na praia de Quarteira... e só não invadiram o areal, como alguns deles tinham feito na véspera em Carcavelos porque foram travados pelo pelotão ciclista da GNR.
Correio da Manhã do dia 12/06.

O fenómeno em Portugal é novo!...

Todos nós sabemos que, a esmagadora maioria, eram jovens Africanos (o que quer dizer pretos) dos 12 aos 20 anos...

Associações de emigrantes Africanos, manifestando a sua preocupação, pedem encontro com o Ministro da presidência, pedindo a oportunidade para apresentar propostas que visam minimizar estes e outros casos graves em que os jovens africanos nascidos em Portugal, estão envolvidos.
As associações, argumentam que estes problemas não se resolvem apenas com a intervenção policial.

Eu, reteria destas notícias uma frase: Um numeroso grupo, oriundo de bairros degradados de Lisboa...

Entretanto, vou abrir uma excepção e reeditar um post:

Guia prático para a construção de um moderno viveiro de marginais

1º - Escolher um terreno em que ninguém queira viver. Um sítio agreste e por isso barato, nos subúrbios de uma grande cidade.
2º - Construir lá, com pouca despesa, umas torres sem graça. Adicione-se um parque infantil com dois balouços e um bocado de areia. Não esquecer a escola para compor o complexo.
3º - Procurar famílias problemáticas, desintegradas, debilitadas ao nível físico e mental, económico e social, famílias... sem estrutura de recurso, em situações periclitantes que habitem bairros degradados, situados em terrenos com "potencial", cobiçados por construtores pontas de lança de instituições de crédito e bem relacionados com Câmaras Municipais e afins.
4º - Seleccionar os desgraçados por ordem e, em tempo útil, atribuir-lhes uma dessas casas estipulando-lhe uma renda dita simbólica.
5º - Convidar os órgãos de comunicação social para fazerem a cobertura da cerimónia oficial, em que, com pompa e circunstância, os representantes do poder político entregam as chaves aos ditos desgraçados. Promova-se uma entrevista a uma velha desdentada à qual seja ainda possível arrancar um pequeno olhar de esperança e um agradecimento convicto.
6º - Uma vez os desgraçados instalados, manter-lhes todas as premissas que os conduziram à degradação e, em lume brando, esperar que as crianças cresçam.
7º - Adicionar uma pitada de crispação dos habitantes da Vila próxima, em consequência de um ou outro acidente (vulgo roubo) que envolva pequenos grupos desses jovens sem referencias e educação e que se arrogam ao direito de possuir também, telemóveis, ténis ou roupa de marca...inconscientemente esperançados que esses artefactos, lhes permitam "ser como os outros", passar despercebidos e apagar um carimbo que trazem na testa desde que nasceram.
8º - Esperar que a revolta cresça... nos invasores e nos invadidos, nos assaltantes e nos assaltados... até que abra brecha.
9º - Juntar uns filmes de merda frequentes, ao alcançe de todos, decorar com o comércio de armas, drogas lícitas e ilícitas que engorda gente insuspeita que passa a vida a bater com a mão no peito sem dizer "mea culpa" e levar à mesa... regado com muito álcool ao qual é só puxar o fogo.
N.B. - Esta receita, deve ser confeccionada com muito cuidado, para não sair tudo queimado.

Após a reedição deste post, não posso deixar de fazer notar que, a maioria destes jovens de origem Africana, nascidos em Portugal, vivem em bairros de barracas muito mais próximo do "terceiro mundo" do que aquílo que alguns, possam julgar... lugares, em que a degradação, atinge a alma fundo... e dá, o que se vê! É preciso fazer um desenho?! Há ainda muita gente que pretende insistir em acreditar, que isto, tem a ver com a cor da pele?!

3 comentários:

Ana Teresa Bonilha disse...

A colonização, feita por nossos antepassados (digo isso porque os meus eram portugueses e espanhóis) trouxe graves consequências não somente aos países colonizados. Se mataram, escravizaram, estupraram, extrairam as riquezas destruindo culturas e povos, hoje os que habitam os países colonizadores pagam o preço do crime que não cometeram. Sem dúvida que um preço menor que o que pagam os Africanos, que sofreram tantas barbaridades. A migração destes nas condições que coloca para Portugal é um dos preços. Paises que até tão pouco tempo eram Colonias ainda... que possuem tantas divergências internas, que passaram por tanta sofrimento ao longo dos séculos. Não é algo simples de resolver. Não há artigo em jornal, frases preconceitosas, desejos de limpeza étnica ou o oposto que resolvam.
O problema não foi contruido em um ano e vai demorar para ser resolvido. Acredito que o primeiro ponto é tomar consciência dessa complexividade.

uivomania disse...

Teresa, sem dúvida que a consciência da complexidade deste problema é fundamental. Dela, depende a transformação de cada um de nós (explorados e exploradores colonizados e colonizadores, terroristas e aterrorizados, comunistas, fascista, fanáticos do futebol ou religiosos, brancos amarelos, pretos ou nem por isso...), para encontrarmos um modo de viver cada vez melhor em que seja valorizada a interacção, a diversidade e o pluriculturalismo, deixando para trás o quanto possível, velhas querelas estéreis e pantanosas que mantêm quentes ressentimentos e culpas longuínquos que chegaram ao tempo de ser reciclados. Não nos detenhamos em esperas vãs, de que as cúpulas resolvam estes problemas, sem nos dispor-mos a pôr em marcha, esses pequenos nadas que juntos vão dar origem ao mundo de amanhã. Sem preconceito e arrogância o mundo muda em nosso redor.

Ana Teresa Bonilha disse...

Uivo, concordo contigo. Não consigo colocar em palavras ainda tudo que penso, sempre que releio o que escrevi parece uma parcela pequena do que estou a pensar. Vou treinando enquanto aprendo contigo. Há de existir uma maneira de resolver as coisas... existe a concepção de que através de micro-revoluções, revoluções em nosso cotidiano podemos mudar as coisas. Ou seja, revolucionando cada uma de nossas relações, estabelecendo outras formas de pensar e agir. Empenho-me nessa tarefa, mas tantas vezes percebo que fracasso que preciso tomar fôlego para continuar. Quando a violência nos arromba a porta, como ocorre com frequência em São Paulo, onde vivo, a serenidade para pensar estas questão torna-se difícil. Tão difícil quanto depois de passar por situações de agressão é ir à festa de amigos e ouvir os preconceitos que se acumulam na mesa com as latas de cerveja vazias. Perco-me sentindo que sou pequena e impotente diante de tanta coisa por fazer... depois encontro-me quando vejo que outros pensam como eu.