quarta-feira, junho 15, 2005

Vamos lá a escrever á sorte, a escrever sem norte, a escrever sem intenção! Vamos lá a revelar o que de verdadeiro somos, a encontrar o que perdemos a oferecermo-nos uns aos outros... ou estão com medo?!
Vamos lá acreditar firme que algo em nós está certo, que o correcto é em função do agora e que o agora faz o sempre. Vamos lá andar pr'á frente, subir a montanha de problemas que é a vida, até ao topo que é o final. Vamos lá andar... ao menos! Vamos lá parar com o mal dizer sem apontar o erro e a sua solução. Vamos lá procurar em nós razões para tanto tombo tanta dôr e tanta agrura que se instalou e perdura como praga que corroi, que detrói em nós belos ânimos que podemos adivinhar a pairar num espaço, que mal conhecemos. Vamos lá a entendermo-nos (não... de uma vez por todas que já sabemos que isso... não dá), devagarinho, com a paciência de Jó ou outra qualquer... Vamos lá a acreditar que é possível e que para isso o nosso humilde desempenho é bem mais importante do que possamos ter vindo a pensar. Vamos lá, perante o escrito, o dito e feito... assumir os erros, enxotar as culpas e, fazendo um esforço, confiarmos nos passos dados, acreditando que estamos a aprender a caminhar, uns com os outros, cada vez melhor. Venha de lá essa abundância aberta e sem pretensões, esse altrúismo, essa riqueza de emoções que nos teimam em fugir, essa tolerância que te permita entender a importância de existir gente diferente e que te alimente a vontade de te descobrir em mim e aceitar, que afinal... qualquer de nós, faz parte de um todo em que o que nos separa existe, para sustentar tudo o que nos une.

2 comentários:

Raimundo disse...

Vamos sim, pois escrever é ir, mesmo que a esmo, sem destino, por caminhos nem sempre sinceros, vamos sim... eu vim e agou vou!

Ana Teresa Bonilha disse...

No final de seu texto surgiu a imagem de pilares que ocultam o outro mas que seguram teto e chão (atravessando-o).

às vezes vamos escrever com o tema pronto na mente, não é? outras parece uma criança escondida atrás da cortina, só precisamos brincar de encontrá-la. Mas existem vezes que o tema relamente está em algum giro do cérebro, tão bem escondido que nem o melhor cão farejador parece que pode encontrá-lo. Penso que a única forma de achar esse tema então é ir escrevendo, porque seduzido pelas letras que se imprimem na tela (pode-se dizer isso? risos), o tema sai lentamente de seu esconderijo e vem de encontro a nossas palavras. Danado, porque nesse encontro nos assustamos e paramos ao desvendá-lo. Ficam então questionamentos, reflexões, que serão abordados com mais facilidade em outros textos.
O mais instigante é que estes são os temas que mais valem! Impactam-nos sem sabermos apriori... sinte-me assim com esse seu texto.