terça-feira, maio 24, 2005

Continuação 4

Temos doentes, gente diferente, deficientes, debilitados, degenerados... mas, podemos dormir descansados... O sistema oferece serviços, técnicos devidamente credenciados para lhes tratarem da saúde... Tem uma filha com deficiências mentais, uma mãe com Alzheimer, um filho drogado, uma esposa em desnorte que lhe causa embaraços, que lhe consome o seu precioso tempo e o confronta, com a necessidade de mudanças para as quais está indisponível ou se sente impotente?... Não perca mais tempo... não mude, nem questione nada. Confie, apoie-se no sistema e liberte-se do fardo entregando-o a uma casa de saúde, uma clínica especializada, uma instituição de saúde mental que não queima ninguém na fogueira e já nem electrochoques aplica. Durma descansado, mantenha-se na corrida para o êxito, em troca de uma (mais, ou menos), modesta mensalidade!...
Na sequência dos esforços sérios que o Homem tem feito para erradicar a doença e o sofrimento, faz todo o sentido, apurar o conceito de saúde e, por outro lado, ao invés de sonegar conhecimentos (através de um esoterismo conveniente a quem é pressuposto tê-los), torná-los cada vez mais acessíveis a quem deles quiser fazer uso, estimular aqueles que, por comodismo ou por qualquer outra razão, o não querem fazer e, procurar envolver os doentes na sua própria cura, sugerindo-lhe a necessidade, de identificar a origem da doença e de, transformar as condições que conduzem a ela, através da mudança necessária, da terapia adequada... seja ela fitoterápica, homeopática, quimioterápica, cirúrgica, espiritual... enfim, o que se encontrar mais adequado!
Não é minha intenção, através destas criticas, atacar ou desvalorizar, serviços e profissionais ou o desenvolvimento técnico e científico nesta área, é sim, contribuir para que cada um de nós, nos tornemos cada vez mais, responsáveis e interessados pela nossa própria saúde, esperançado que, a sociedade mude em consequência. Estimular a vontade de nos conhecer-mos melhor, de modo a que aprendamos a conservar-nos sãos, desde logo lutando pelas condições básicas de vida, sem as quais a saúde se torna impossível.
Antes do mal estar, da dor, da doença instalada, poderemos interpretar sinais que, ainda que vagos, nos alertam para a necessidade de alterações que, poderão interromper o desenvolvimento da doença, inverter o processo e evitar assim, cuidados médicos posteriores.
Muitos desses sinais escapam-se-nos, não são interpretados como tal e daí este modesto contributo, que espero, não tenha contra-indicações!

6 comentários:

Biranta disse...

As "contra-indicações" não es´~ao no contributo... Estão na ausência de confiança (e de confiabilidade) da propaganda enganosa acerca deestes assuntos, como de todos os outros. Coma sabe há "doenças" que a medicina não pode curar, mas mesmo em relação ás outras, todos conhecemos uma série de casos que nos segredam, perante alguns pequenos sintomas de mal-estar, que é poreferível ficar quieto a recorrer ao SNS. O caminho é as pessoas aprenderem a cuidar-se, mas...

uivomania disse...

Mas... perante uma série de factores de que não têm consciência a somar a outros que todos sabemos... está muito por fazer.
Não tenho a veleidade de querer transformar o mundo com um post mas, acredito que, pouco a pouco é que a àgua se leva ao moinho e, de qualquer modo não sei mais o que fazer e é isto que me ocorre.
Abraço.

Ana Teresa Bonilha disse...

Oi uivomania! Vim retribuir a visita e me apaixonei por seus posts... também dei sorte (risos) falam da minha área de atuação.

Em muitas civilizações aquilo que é doença para nós era sinal de "iluminação"...

Quando falamos da doença mental andamos por um terreno difícil. As definições mudam de cultura para cultura, época para época...

No entanto, podemos afirmar que no mundo ocidental hoje, a doença mental não deve ser vista apenas no indivíduo que a manifesta. A análise deve sempre procurar a dinâmica da família e/ou trabalho dessa pessoa.

No que se refere a doença de forma geral, por estar lidando hoje com pessoas que vivem com o vírus hiv, percebo ainda mais a relação do estado emocional e da defesa do corpo. E tenho dedicado-me a estudar como funciona isso... e não há como negar que uma coisa interfere na outra... alias, não é que interfira, são a mesma moeda... são integradas... pois é o mesmo corpo... o mesmo sangue que circula nos órgãos, circula no cérebro, são os mesmos dnas, a mesma água, etc.

Quanto a querer estar doente, existem aqueles que ganham aquilo que normalmente não possuem... e para eles talvez esteja valendo a pena... agora podemos também pensar na pulsão de morte que Freud chegou a postular...

as questões que levantou não possuem respostas do tipo certo ou errado.

uivomania disse...

Talvez tenha chegado o tempo, em que o homem possa analizar as questões liberto do conceito do certo ou errado, do bem e do mal... que possa entender que a "doença" manifestada num indivíduo, seja uma consequência de todo um meio em que vive e, isso, possa de alguma maneira contribuír para que se desenvolva em cada um de nós, uma consciência colectiva que nos permita entender, que a nossa felicidade está dependente da felicidade e bem estar dos outros e que é no servir, no dar... que nasce a verdadeira abundância.
Interessante a tua observação acerca da pulsão da morte de Freud. O assunto é fascinante e talvez possamos voltar a ele um dia... mas, no âmbito destes posts, não resisto a referir este pequeno fragmento sobre pulsão, que Freud publicou em 1920: Uma pulsão é um impulso inerente á vida orgânica, a restaurar um estado anterior de coisas, impulso que a entidade viva foi obrigada a abandonar sob a pressão de forças perturbadoras externas.

Ana Teresa Bonilha disse...

Uivo,
vejo que gosto de psicologia, trabalha também nessa área?

uivomania disse...

Olá, Ana Teresa!
Na realidade, não tenho formação académica em psicologia. Sou um interessado na matéria, enquanto meio para entender melhor quem me rodeia e a mim mesmo.