segunda-feira, janeiro 17, 2005

Ladrões e polícias

Perdoem-me os ladrões e os polícias! Esta história não pretende retratar qualquer situação real. Apenas tem por objectivo, ombrear com esses programas de entertenimento que alcançam enormes audiências e divertir, entreter e bem dispor! Se bem que não tenha a certeza de que esse objectivo possa vir a ser alcançado, espero com sinceridade, que não venha a ter o efeito contrário. Faço notar contudo, que a continuar a ler estas humildes linhas, o leitor, deve ter em consideração de que esta, é uma história sem pés nem cabeça, que faculta à pessoa que a lê a possibilidade de não pensar durante algum tempo, em coisas sérias da vida que só lhe trazem é ralações, mas... mantem contudo intacta, a liberdade que o leitor tem, de pensar no que lhe der na gana e melhor lhe convier!

- Achas... que eu deva vir a ser polícia ou ladrão? Perguntava a criança à mãe, olhando para o mundo da forma simples e com o espírito pragmático próprio das crianças, que reduzia as escolhas a estes dois extremos opostos, como se entre eles , não existissem bombeiros, pilotos de aviões, médicos ou maquinistas de comboio!... A mãe, posta assim perante a questão, estilo teste americano de sim ou não, isto ou aquilo... claro... respondeu, o que em princípio qualquer outra mãe responderia. -Ó filho, eu acho melhor tu vires a ser polícia. Não pondo sequer a hipótese de sugerir outras alternativas... achou piada à pergunta, contou à noite ao marido e esqueceu o assunto. E foi assim, que com inocente e inconsciente leviandade, marcou o carácter do filho para sempre, sem lhe passar pela cabeça, as voltas que a vida pode dar e quanta ironia o destino nos pode reservar!...

O filho, ao que tudo hoje em dia indica, olhando a coisa à distância, herdara no código genético, a tendência para ladrão, mas, por um complexo de Édipo submerso, nunca se tinha assumido, para não desagradar à mãe. Escolhera optar pela carreira de polícia, numa tentativa velada para a seduzir!
Aguentou viver frustrado uma parte da vida, até ao dia em que os génes gritaram mais alto que a razão e, perante a necessidade de internar a mãe, velha e doente, num "lar" "decente", se viu envolvido, num processo de corrupção.

Hoje, ladrão assumido, vive liberto preso, com a certeza de ter feito o seu melhor, feliz, entre gente que o compreende. A mãe, em consequência deste acontecimento, vive hoje na dispensa de uma tia afastada que tem vivido na miséria e a quem, a pequena pensão que a sobrinha aufere lhe faz um jeitão. Para além de física e materialmente estar impossibilitada de visitar o filho, vive amargurada, sem conseguir libertar-se do complexo de culpa, por ter dado aquele conselho ao filho e angustiada, com a dúvida, de se não teria sido melhor tê-lo aconselhado, a ser ladrão!

Conclusão: Se amar verdadeiramente a sua mãe e possa existir a probabilidade de ela um dia, poder vir a precisar da sua ajuda para ser admitida num "lar" "decente"... se a sua sensibilidade lho permitir e você sentir, desde sempre, vocação para ladrão... prepare-se para a vida... e nunca escolha ser polícia!

2 comentários:

tounalua disse...

A brincar, a brincar... aqui pelo nosso jardim à beira mar plantado somos todos muito dependentes da família. Um bocadinho de atenção a outras culturas (por ex.França ou USA) faz-nos ver que toda a gente "cresce" muito cedo, organiza a sua vida e separa-se da família com muito mais facilidade do que acontece por aqui.
Isso tem vantagens e desvantagens e tem-me levado a pensar no assunto em diversas ocasiões.
Só que torna, de certeza, mais fácil, assumir as vocações com muito mais empenho e desde muito mais cedo.

uivomania disse...

Claro que essa conversa nos levava muito longe. Acredito que não há um formula correcta. Não deixa entretanto de ser lastimável o facto, de tantos miúdos crescidos quererem sair de casa para viverem sózinhos ou acompanhados, apenas porque se sentem mal lá!