sábado, janeiro 29, 2005

Doce amargo

A vida tem marés, tal qual o mar.
O mar, umas vezes parece irado! Bruto e revoltado eriça e revolve o fundo, agita a superfíce e bate na rocha dura até a transformar em areia grossa. Outras vezes, de tão calmo e espelhado, reflecte a tranquilidade que ele próprio assim transmite e que nos pode até levar a pensar, que essa é uma situação, que nunca irá mudar!
Ou, de outra maneira, se quiserem... a vida tem fases, como a lua. Umas vezes cresce brilha e alumia, enquanto noutras... escurece e mingua, quase que desaparece e até parece ter entrado em período de tréguas com as trevas.
A vida, de qualquer modo, é uma doida varrida, fogosa, que nos cavalga aos ombros e nos maneja as rédeas... que nos puxa, ou alivia, o freio. Tanto nos espicaça como deixa à rédea solta. Umas vezes pesa e outras nos eleva...

3 comentários:

tounalua disse...

Toda a nossa vida é um ciclo, composto de muitos ciclos. Para além dos ciclos ainda temos a diversidade que está contida em cada um deles. Essa é a magia da vida!
Todos temos luas plenas e quartos minguantes, todos passamos por eclipses e cada uma destas fases se sucede a uma outra e dará a vez a outra, ainda.
Consegues imaginar uma vida vista sempre à mesma luz? Eu não. No entanto, a lua é sempre a mesma, só mostra, em cada altura, as suas diferentes fases.

Biranta disse...

O importante é o balanço que podemos fazer, em cada momento. Desde que esse seja positivo... Aí entra o nosso "livre arbítrio" (e algum "savoir faire" também). Por isso a vida é uma coisa tão "estimulante".

uivomania disse...

"Revolta na Bouty" é um filme antigo em que Marlon Brando é um dos principais actores e que no meu entender é uma excelente metáfora da vida!... (recomendo vivamente)
A Bouty, uma embarcação a velas, saida de uma tempestade, viu-se estagnada em pleno mar, por falta de vento e em dificuldades por falta de víveres! Num clima tumultuoso, o comandante só teve uma opção: Manter as tarefas regulares, tratar da embarcação, preparando-se para partir assim que o vento chegasse! À medida que os dias passavam, o vento teimava em não chegar e os marinheiros ansiosos iam perdendo o tino e a fé... o comandante, deixava transparecer que a partida estava iminente e descobria mais tarefas, areavam-se metais, esfregava-se o convés uma vez e outra, reforçavam-se as velas, estudavam-se rotas... até que o vento chegou...